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Vídeo: Florência – “Estes 50 anos valeram bem a pena”

Realizou-se esta tarde, no Teatro Sá da Bandeira no Porto, um espectáculo de homenagem a um dos maiores nomes de sempre do Fado.
«Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena». Foi desta forma que Florência Martins da Cunha Vieira descreveu estes 50 anos de carreira, utilizando uma máxima de Fernando Pessoa.

“Estes 50 anos valeram bem a pena” e, como deu sempre o seu melhor à sua vida artística, mesmo em momentos bastante difíceis, “entendo que, nesta já longa caminhada, deixo o meu nome ligado à história da música ligeira portuguesa. Posso dizer que o meu nome é referido no livro a «História do Fado», como uma das que trouxeram ao fado uma forma diferente de o interpretar”.
A residir em Vila Nova de Gaia há vários anos, não esconde o orgulho de ver o seu nome no livro «História do Fado», como alguém que trouxe ao Fado “uma forma diferente de o interpretar”.

Florência gravou 40 singles, 23 LP e 2 CD e diz: “nunca paguei para gravar nada. Por isso também não é nesta altura da minha vida que o vou fazer”. Viajando pelos cartões-de-visita e pelos nomes, como o de Amália Rodrigues, “com quem tanto aprendi”, destacou a sua participação no festival da canção em 1979 com o «Comboio do Tua». “Participei numa altura em que o país parava e o festival era o orgulho de todos”, o que, “infelizmente, já não acontece nos dias de hoje”.

As suas letras passaram sempre despercebidas na comissão nacional de censura.”Eu nunca tive problemas com a censura. Como sabe, vim do Brasil em 1966 e, em 1974, aconteceu o 25 de Abril. A política nunca me despertou e os meus temas não visavam assuntos relacionados com a política. Daí a razão de nunca ter sido incomodada”, enfatiza.

A rádio é outra das suas paixões. A rádio é um bichinho envolvente. “Neste momento já faz parte da minha vida. Tenho um programa de fado, de segunda a sexta, na Rádio Festival, no Porto”. Aos 50 anos de carreira não esconde alguma desilusão pela forma como a música em Portugal é, por vezes, tratada. “Temos uma história em nada inferior aos maiores países europeus. Temos um clima excepcional e paisagens encantadoras. Temos artistas, escritores, pintores, (…), como os estrangeiros. Mas, infelizmente, há uma mania de só se dar importância ao que vem de fora. A imprensa é muitas vezes culpada disso”, realça.

Aos 76 anos acredita na vida para além da morte. “Depois da vida, há outra vida. Não acredito que tudo se resuma a esta passagem”. Aquilo que na verdade mais a assusta é a velhice, “porque é a decadência do ser humano”. E, quando o assunto foi a felicidade, afiançou que, “nesta vida, apenas há momentos de felicidade. A felicidade é, por vezes, passageira, mas que poderá dizer que é completamente feliz”, referiu.
Florência diz acreditar na mediunidade, porque entende que Deus deu “um dom a cada um de nós” e condena quem muitas vezes se aproveita disso “para fazer determinados negócios, que se misturam com astrologias”. Garante também que foi essa crença e a sua fé que “conseguiram aguentar os piores momentos da minha vida. Resta-nos aproveitar bem tudo aquilo que existe de positivo e encarar esses melhores momentos como recompensa de todos os esforços que desenvolvemos”, concluiu.

Viveu uma década no Brasil. “O Brasil é um país muito acolhedor. Lá me fiz artista profissional”. A juntar a tudo isso, “adoro o clima tropical, a sua beleza natural, a alegria e o espírito positivo das suas gentes”.

Sempre de sorriso largo, não escondeu a alegria quando viu o seu nome ser reconhecido também pela cidade do Porto num dicionário que retrata os personagens portuenses do séc. XX. “Foi uma emoção muito forte, porque é das maiores homenagens que se pode fazer a um artista”. Porém, lamenta que muitas sejam feitas “a título póstumo”. Por isso, “foi muito prestigiante para mim, porque foi um reconhecimento de todos estes anos de carreira”. Voltar aos estúdios de gravação não está fora dos seus horizontes.

A homenagem foi da responsabilidade da Rádio Festival e teve como convidados: Aurélio Perry, Manuel Morais, Patrícia Costa, Pedro Ferreira, Cátia de Oliveira, Rui Vaz e a Tuna Musical de Santa Marinha em Vila Nova de Gaia.

Foto: Rádio Festival

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