Entrevistas

Sandra Correia: “É fantástico saber que há muitos fadistas a cantar as minhas criações”

Desinibida, alegre, sorridente e muito exigente consigo e com o seu trabalho, a fadista assume ser uma pessoa,profissionalmente, abençoada, e garante que o fado não se explica. Sente-se. Sandra Correia junta-se no próximo dia 13, pelas 21h30, no Europarque, em Santa Maria da Feira, a quatro centenárias bandas filarmónicas do concelho. Uma noite que, segundo a fadista, será seguramente “grandiosa”.

Agência de Informação Norte – No próximo dia 13 de janeiro, às 21h45, a Sandra Correia junta-se a quatro bandas filarmónicas centenárias do concelho de Santa Maria da Feira para um concerto, no grande auditório do Europarque. Como vai ser este concerto?
Sandra Correia – Vai ser um concerto, seguramente, grandioso. Vamos ter fado tradicional, com o acompanhamento tradicional; temas do meu último álbum “Perspectiva”; temas conhecidos do grande público, porque também quero que cantem comigo, quero abraçá-los musicalmente, e a grandiosidade das bandas filarmónicas e daquele espaço fantástico, que é o grande auditório do Europarque.

Sendo natural deste concelho, a responsabilidade de estar neste palco aumenta?
O sentido de responsabilidade está sempre presente nos meus concertos, mas este, com certeza, vai ser muito emotivo. Já há muitos anos que ansiava voltar a Santa Maria da Feira. É sempre emocionalmente mais forte cantarmos na nossa terra. Este será um concerto especial, muito especial.

Mas gosta mais de cantar com uma grande orquestra ou com as suas violas?
Gosto essencialmente de cantar! Gosto sempre de novas experiências, de cantar com músicos de diferentes áreas, de cantar com diferentes tipos de orquestras, com coros, de cantar géneros diferentes. Tudo isso é enriquecedor e fantástico. Mas o Fado, e cantá-lo com o meu trio, é a minha vida, é o que eu faço, e gosto de fazer, todos os dias.

Improvisa muito?
Sempre. O Fado é um estado de alma. Nunca canto o mesmo fado da mesma maneira.

A orquestra ajuda a cantar?
Não. E eu também não os ajudo a tocar… (risos) Completamo-nos, como será o caso neste concerto.

Vê o fado como “um intercâmbio de almas”?
Sim, de certa maneira, sim. Quando o canto é de alma, há, com certeza, o encontro com as outras almas.

É difícil explicar o que é o fado?
O Fado não se explica… sente-se.

É melhor senti-lo?
Não há outra maneira!

O que evoluiu no fado?
Novas composições, novos poemas, abordagens diferentes, sem descaracterizar a sua essência.

O fado é muito mais do que voz, guitarra e viola?
O Fado é um estado de alma.

O fado é também uma festa?
Cantar Fado é cantar a Vida. Na vida há de todos os momentos: festa, tristeza, raiva, amor, esperança,… E, por aí fora…

Mas há quem diga que o fado já foi dançado?
Sim, já foi, e pode ser. Não é proibido.

Entende que, de alguma forma, toda a música portuguesa está ligada ao fado?
Eu diria que todo o Português que goste de música e que cante ou toque, pode inspirar-se no Fado.

Isso é uma natureza?
A música está naturalmente em nós.

Ao fim destes anos todos de carreira, ainda sente o mesmo que sentiu nos seus primeiros espectáculos?
Sim. Com mais intensidade.

Os fadistas e as casas de fado vão perdendo aquilo que os fadistas conquistavam que eram as casas cheias?
Não. Eu canto todas as noites com casa cheia.

Já lhe aconteceu emocionar-se em palco?
Sempre. Cantar Fado é entregar um poema e as emoções nele contidas a quem o escuta. Impossível fazê-lo sem as sentir!

Aprendeu a cantar fado ou foi aprendendo?
Não é fadista quem quer, mas, sim, quem nasceu fadista.

É notória a grande paixão que a Sandra tem pela poesia. Com a sua extrema sensibilidade, com a sua forma profunda e sentida de cantar contemplou o fado com poemas de alto significado poético. Que poetas mais gostou de cantar?
O Fado é poesia cantada. A paixão pela poesia faz parte de tudo isto. De quem canta e de quem escuta… Gostei, e gosto, de cantar todos, porque só canto o que gosto, o que sinto, com o que me identifico.

“Perspectiva” é o nome do seu último trabalho discográfico. Qual é a melhor forma de o descrevermos?
Um álbum fundamental. Foi um álbum pensado e produzido por mim, e isso deu o nome ao álbum. É um álbum que oiço e me continua a inspirar. E sei que inspira muita gente…É fantástico saber que há muitos fadistas a cantar as minhas criações. É um grande elogio!

O próximo já está a ser pensado?
Pensado, e quase concluído…

Qual é o lugar que acha que ocupa, neste momento, no fado, em Portugal?
O meu!

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