10@norte

10@norte com Lourenço Henriques

Pratos, muitos. Memórias e episódios também. Escolhas difíceis sobre uma região que entende ser um bastião muito importante na história de Portugal. O ator Lourenço Henriques considera que devemos a esta região o nome do nosso país. Gerês e Guimarães locais de eleição. Porto Sentido, de Rui Veloso traça bem esta região. E personalidades são muitas. De D. Afonso Henriques a Almeida Garrett, Sérgio Godinho, Sophia de Mello Breyner Andresen, Eugénio de Andrade e Agustina Bessa Luís. No roteiro, uma passagem obrigatória pela Romaria da Nossa Senhora da Agonia, em Viana do Castelo.

O melhor refúgio do norte?
Conheço vários. Gosto muito da Pousada da Caniçada, no Gerês. Tem uma vista soberba e está ao lado do Parque Nacional da Peneda Gerês, que tem paisagens maravilhosas e onde se respira um ar puríssimo. Mas já encontrei outros locais magníficos, como a Ponte do Mouro, perto de Monção. Aí é preciso descer ao rio para ver a preciosidade que é aquele sítio. Porto Antigo, no Douro, perto de Cinfães. Vale muito a pena lá ir.
Embora não seja exactamente no norte, gosto muito de Almeida, perto da Guarda. Há por lá uma estrada, que liga Senouras a Castelo Mendo, que considero um dos lugares mais especiais em que estive. Na mesma região, Sortelha também é um daqueles sítios que valem mesmo a pena conhecer. Outro que não é exactamente norte e que gosto muito é o Caramulo.

A melhor frase que ouviu?
Adoro Guimarães. Tem um centro que a torna das cidades mais bonitas do país. Aí ouvi uma frase que me marcou: “Portugal é Guimarães e o resto são conquistas”.

A melhor figura desta região do país?
D. Afonso Henriques, logicamente. É o pai de Portugal e é um homem do norte.

A música que representa o norte?
Há várias. Algumas das melhores bandas e músicos da pop e do rock português emanam do norte: Sérgio Godinho, GNR, Rui Veloso, Pedro Abrunhosa, Mão Morta, Clã… Diria que o Porto Sentido, do Rui Veloso, é uma canção muito marcante, que tem a capital do norte como pano de fundo. Contudo, não posso deixar de mencionar a música tradicional de Trás-os-Montes, que é um património extraordinário da nossa cultura e que inspirou muita da melhor música que se faz em Portugal.

O melhor espectáculo que viu no norte?
A Romaria da Nossa Senhora da Agonia, em Viana do Castelo, no seu todo. Desde o desfile, com os bombos, aos ranchos, aos concertos (mesmo os mais populares), e, claro, o fogo de artifício. Fiquei fascinado com Viana do Castelo e guardei até alguns amigos do Rancho das Lavradeiras da Meadela.

Com que figura nortenha gostava de jantar?
Várias. Almeida Garrett, Sérgio Godinho, Sophia de Mello Breyner Andresen, Eugénio de Andrade, Agustina Bessa Luís… Mas talvez acima de todos, o Sérgio Godinho. É um dos maiores génios da música portuguesa.

O melhor prato?
Esta é mesmo muito difícil. Come-se muito bem no norte. Tão bem que não dá para eleger um prato que seja o melhor. Talvez uma posta maronesa que comi em Mondim de Basto.

O monumento mais interessante?
Citânia de Briteiros, porque é um testemunho de um tempo anterior a Portugal, mas que muito contribui para a nossa identidade de povo guerreiro e resistente. Também a Sé de Braga. Ali se deram alguns dos passos mais importantes rumo à existência do nosso país e é lá que estão sepultados o Conde D. Henrique e a D. Teresa, pais de Afonso Henriques, mas também Paio Mendes, arcebispo de Braga, que é, sem dúvida, um dos principais precursores da ideia de um Portugal independente.

Um episódio caricato que viveu nessa região?
Há uns anos fui com a minha mulher passar três dias a Mondim de Basto, na margem do Tâmega. Um sítio lindíssimo. Quando nos preparávamos para visitar a serra do Alvão, que tem paisagens soberbas, perguntámos ao senhor da recepção do hotel quais os sítios mais bonitos. Ora, um dos rios que nasce na serra do Alvão é o rio Cabrão. E então o senhor, apontando o mapa, começa a explicar: “A serra é toda bonita, as cascatas, as Fisgas de Ermelo, mas este Cabrão também é muito bonito. Este Cabrão é mesmo bonito.” Claro que foi uma risota.

Se escrevesse um livro sobre o norte que titulo teria?
Numa alusão a um livro que conheço, chamado A Oeste Nada de Novo, chamar-lhe-ia A Norte Tudo de Novo.

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