Entrevistas

José Manuel Monteiro: “Nunca digo que não a uma boa conversa” (Com vídeo)

Jornalismo de um lado, rádio e televisão do outro. É desta forma que José Manuel Monteiro separa as suas grandes paixões que junta numa só: comunicar. E nunca diz não a uma boa conversa. O homem de sorriso e gargalhada fácil dá vida ao programa «Livre Trânsito» ao fim de tarde na Rádio Sim e, em 2014, aventurou-se no mundo da televisão, sendo um dos repórteres do «Portugal em Festa», na SIC. Poucos dias depois de ter completado 39 anos, eis uma entrevista que dá a conhecer um homem que pensou ser padre, cresceu a ouvir rádio e que assume ter pronúncia e sangue do norte. A entrevista aconteceu no Hotel The Yeatman – situa¬do na zona das caves do Vinho do Porto, em Gaia, onde o cenário e a inspiração corriam nas margens do rio Douro.

Texto e Fotos: António Gomes Costa

AIRinformacao – Uma vida profissional dedicada essencialmente à Rádio. Como é animar Portugal todos os dias em “Livre-Trânsito”, na Rádio Sim?
José Manuel Monteiro – Quando se faz o que se gosta tudo fica mais fácil. Tenho o privilégio de, todos os dias, ter “Livre Trânsito” para fazer o que gosto e penso que o faço bem.

Que tipo de traquejo profissional que o horário que fazia logo pela manhã lhe trouxe?
Acima de tudo trouxe-me olheiras (risos). Mas aprendi a valorizar quem, todos os dias, acorda pela madrugada para ir trabalhar. E num programa da manhã temos de estar animados e puxar pela imaginação e criatividade para todos os dias oferecer um programa único e diferente dos outros. Esse é o grande desafio.

Estudou Jornalismo e Ciências da Comunicação na Universidade do Porto, mas nunca foste praxado…
Não. Não sou contra a praxe nem a favor. Achei apenas que era uma perda de tempo…

Faz o seu estágio na redacção da SIC em Lisboa. Foi uma boa escola?
Foi uma excelente escola. Trabalhei com os melhores e foi lá que percebi que a minha vida dificilmente passaria pelo jornalismo.

Mas em que altura entra a rádio na sua vida?
Desde sempre. Em casa dos meus pais sempre se ouviu rádio e o desejo de ser locutor começou muito cedo. Até tinha um estúdio de rádio montado em casa. A vassoura servia de microfone e usava as cassetes de discos do meu pai.
Entrei para a rádio quando ainda tinha 17 anos, a poucos dias de fazer 18. Já lá vai muito tempo, embora pareça que tudo se passou ontem.

“Há o bichinho da rádio e a magia da televisão”

A magia da rádio é ou não diferente da televisão?
Sim, são magias diferentes. Mas não me pergunte as diferenças, pois não as consigo explicar. Dito de outra forma, há o bichinho da rádio e a magia da televisão.

Mas a rádio é uma alternativa à televisão?
Elas complementam-se. Uma não faz concorrência à outra, até porque ambas são consumidas em ambientes e períodos do dia diferentes.

Na rádio já fez de tudo um pouco ou apenas animação?
Já fiz um pouco de tudo, como de resto qualquer bom português que sabe um pouco de cada coisa.

O que muitas pessoas não sabem é que já pensou em ser padre…
Sim, verdade. Foi talvez a primeira coisa que quis ser, naturalmente pela proximidade. Geralmente vamos querendo ser as profissões com as quais vamos contactando. E, já agora, eu era o melhor aluno na catequese (risos).

Acha que hoje seria um bom sacerdote?
É difícil responder, mas teria sido um sacerdote esforçado para levar a esperança às pessoas. Pode-nos faltar tudo, mas que nunca nos falte a esperança.

Voltando a falar da rádio, qual foi o momento mais caricato vivido em directo?
Já me aconteceu, numa rádio de Amarante, onde comecei, os meus colegas dizerem que a emissão tinha caído, ligaram-me o microfone sem eu reparar e eu fui dizendo as maiores barbaridades em directo, pois eles iam puxando conversa… mas não disse nenhum palavrão (risos).

Faz parte da equipa do “Portugal em Festa”, da SIC, há cerca de um ano e meio. Como é que surgiu este convite por parte da estação televisiva?
Surgiu muito naturalmente. Recebi, quando não estava à espera, o convite para fazer parte deste projecto. Aceitei. Queria muito experimentar televisão.

Dizia há dias numa entrevista que no dia em que a sua participação neste programa acabar ia deprimir em casa e ficar gordo, ficar a comer chocolates e a ver televisão…
(Risos). Sim, é verdade. É quase como quando terminamos uma relação e não sabemos o que fazer ao fim-de-semana. Eu tenho quase um casamento com o programa. Passo o fim-de-semana inteiro com boa parte da equipa. Quando terminar a minha participação, provavelmente a primeira coisa que vou pensar é: “e agora o que faço ao domingo?”.

Tens saudades de fazer jornalismo numa redacção?
Não, não sou saudosista.

Então porquê o curso de jornalismo?
Era aquilo que queria fazer, era, e é, o único curso mais próximo daquilo que faço. E confesso que também tinha aquela imagem do jornalista guardião da democracia e liberdade. Depois, com o tempo, vamos percebendo que as coisas não são bem assim…

“Faz falta o bom jornalismo”

Na sua infância, que locutores ou jornalistas apreciava?
Como toda a gente da minha idade, o António Sala era uma referência e a dupla com a Olga Cardoso era perfeita. E gostava muito das entrevistas da Maria Elisa e da Margarida Marante.

Há reportagens que marcam a diferença em Portugal. Algumas até salvam vidas. Faz falta mais jornalismo de investigação?
Só faz falta! Esse jornalismo praticamente desapareceu. Hoje são poucos os jornalistas que fazem grandes reportagens e investigação. Existe cada vez mais o jornalista-empregado do escritório. Faz tanta falta o bom jornalismo.

Como vê o jornalismo que é feito neste momento em Portugal?
Com saudades do jornalismo que já se fez…

Partilha da ideia que o jornalismo só faz sentido com liberdade?
Não podia estar mais de acordo. E infelizmente temos cada vez menos liberdade.

Entende que ainda existe quem escolha jornalismo com a ideia de serem famosos e de viajarem muito?
Uma boa parte sim e por isso muita gente desiste pelo caminho. O jornalismo é mal pago, sem horários e é uma profissão bastante exigente.

Hoje com 39 anos olha para as coisas de forma diferente ou de uma maneira mais equilibrada?
Eu acabei de fazer 39. Mas se há coisa boa que a idade nos dá é o equilíbrio, a maturidade e a capacidade de apreciar coisas que aos 20 nem as conseguimos ver.

Quem o conhece, diz que vais ao ginásio mas falas mais do que aquilo que treinas…
Boatos, apenas isso (risos). Nunca digo que não a uma boa conversa e acho que, ao nascer, em vez de chorar, devo ter começado logo a falar. Mas no ginásio faço um misto das duas coisas, pego nos alteres enquanto converso.

Sendo natural de Amarante, é um homem com pronúncia do Norte?
Com pronúncia e sangue do norte. Correm-me nas veias as tradições, a gastronomia e os aromas do norte. Orgulhosamente um homem do norte, com as suas virtudes e defeitos.

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7 Comments

  1. Acho um rapaz simpático e de fácil trato. Ouvia-o quando fazia o programa de manhã. Agora é mais difícil para mim As imagens são fantásticas. esse hotel é um sonho… Gostei da entrevista.

  2. O José Monteiro para já é um rapaz lindo. Depois tem qualidades que o desmarcam de outros comunicadores do norte. Não é vaidoso, da beijos e abraça com vontade…

  3. Gosto deste apresentador da SIC é bem disposto. Não sabia que fazia rádio!!!!! Com que então queria ser Padre…lol ….as freiras tinham todas que fugir do convento….

  4. Gosto deste rapaz. Profissional, divertido verdadeiro nada que se compare com o Hélder Réis da RTP que de simpático só tem quando está em direito. Depois é de uma antipatia que dá dó.
    Carminda Lopes -Chaves

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