Entrevistas

Fadista Nortenha a caminho do Teatro Tivoli BBVA

Espetáculo dia 17 de Abril

Sandra Correia é intensa no fado que canta. A sua voz tem o poder de aquecer almas e o fado ensina-lhe todos os dias porque vale a pena continuar a cantar a canção da saudade, as palavras que o destino entrelaçou. Canta com verdade e vontade. Cada palavra que lhe sai do peito ganha uma amplitude que enche uma sala. Conversámos com a Fadista nortenha, de sorriso fácil, numa altura em que se prepara para pisar o palco do Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa.

 

Agência de Informação Norte – Disse várias vezes que acreditava nos sonhos. Pisar, no próximo dia 17 de Abril, o palco do Teatro Tivoli BBVA, vai ser um sonho tornado realidade?
Sandra Correia -Sim, acredito nos sonhos e sei que se tornam realidade. Tenho muitos sonhos, sempre tive, que se vão concretizando. Cantar no Tivoli, no dia 17 de Abril, é já um sonho tornado realidade. E, agora, sendo que é um concerto meu, estou a prepará-lo com critério especial, porque o meu público assim o merece.

Que espetáculo é este?
É a celebração de um percurso, que é preciso neste momento transmitir ao grande público. A música tem-me acompanhado desde sempre, tenho muito para partilhar. É um percurso lindo, intenso, do qual fazem parte músicos, autores, compositores, as minhas referências, mas também o público que me inspira. Daí que este concerto seja uma celebração e também uma partilha…

Um concerto que vai ter convidados…
Sim.

Posso concluir que este será um espetáculo que levará o público numa viagem, desde o momento em que pisou o primeiro palco, em 1989, até ao dia de hoje?
Sim, uma viagem musical, que faremos juntos.

«Aqui Existo», o seu mais recente álbum, editado em julho do ano passado, é para si, segundo revelou na altura, ser “a maior verdade”, tanto nas palavras, como melodias de si própria. Está lá tudo aquilo que é a Sandra Correia, é isso?
Sim, estou inteirinha neste disco. Mas nos anteriores também. Não sei ser diferente no que diz respeito à verdade. Tem de haver verdade em tudo e entrega a mil. A minha vontade é que todos os próximos álbuns se chamem Aqui Existo, com vários capítulos. (risos)

Este CD é composto por 13 temas. É o disco que fazia sentido nesta altura da sua carreira?
Claro que sim. As coisas acontecem quando têm de acontecer e porque têm de acontecer. Este foi o momento.

Que diferenças existem entre este disco e o Perspetiva?
Nesse disco cantei 7 fados tradicionais, com poemas originais, e o restante alinhamento contendo fados com melodias próprias. Fui acompanhada por um trio de Fado, guitarra Portuguesa, guitarra clássica e baixo. É um disco mais tradicional, apesar de ter muitos temas inéditos. Quanto ao «Aqui Existo» é um disco com uma sonoridade diferente, mas repleto de tradição também. É um disco de temas inéditos (à exceção de um tema) e a sonoridade que tinha na cabeça, e que me fazia sentido, incluía, em alguns deles, para além do trio de Fado, também um ensemble de cordas.

Mas cantar poemas de Rosa Lobato de Faria ou Florbela Espanca teve um sabor especial?
Quando canto um autor é porque com certeza é especial. No «PERSPECTIVA» já tinha cantado Florbela Espanca e maravilhosos autores como, por exemplo, Vasco Graça Moura, João Nobre, António Lobo Antunes, Fernando Campos de Castro ou José Guimarães.

É natural da Freguesia de Fornos, em Santa Maria da Feira. Em janeiro do ano passado, pisou o Palco do Auditório do Europarque com uma enorme orquestra. Foi um dos momentos altos da sua carreira?
Sem dúvida. Um momento que vai ficar para sempre no meu coração. Quatro Bandas Filarmónicas em palco, que tocaram o meu repertório, uma sala enorme, cheia, e um público fantástico e vibrante, que demonstrou muito afeto.

Começou a cantar em criança, em associações, em festas, em concursos. Aos 11 anos, já cantava todo o repertório que tinha de Amália. Mas foi na música popular portuguesa que surgiu o primeiro convite para cantar, profissionalmente, aos 16 anos. Como é que uma criança se apaixona pelos fados de Amália Rodrigues?
Não sei. O que sei é que a minha mãe me diz que, eu deveria ter uns três anos, e, ao ouvir a voz da dona Amália Rodrigues lhe disse que queria ser como aquela senhora. Eu própria achava que ela, se calhar, se tinha enganado na minha idade, mas, agora, tenho uma afilhada, a Clarinha, com a mesma idade, que me pede para ouvir Amália Rodrigues. (riso)

E o entusiasmo por Alfama em que altura nasce?
A primeira vez que vim a Lisboa tinha 22 anos. Mas quando tinha 15 anos, no dia do meu aniversário, aconteceu o incêndio no Chiado e eu chorei como se desta terra fosse e fiquei muito revoltada por aquilo ter acontecido no meu aniversário. Não sei explicar isto, eu nasci e vivia em Santa Maria da Feira, mas era de Lisboa. Estava sempre cá sem nunca cá ter estado. Um dia disse ter um namoro antigo com Alfama e o que é certo é que vivo e canto todos os dias em Alfama.

Mas a sua vinda para Lisboa acabou por ser natural?
Naturalíssima.

O Clube de Fado continua a ser a grande casa de muitos fadistas. É ali que se descobrem muitos talentos?
Claro que sim.

Mas quer continuar a cantar em casas de fado?
Claro que quero.

Mas existem fadistas que entendem que cantar em casas de fado é um trabalho menor?
Não conheço nenhum fadista que pense assim…

Os críticos dizem que é portadora de uma presença marcante em palco e de uma voz forte. Afirmam, ainda, que é a personificação perfeita do fado. Concorda com esta definição?
Quando há uma entrega total, e se canta com verdade, todos os fadistas são a personificação perfeita do fado.

O que mudou depois da UNESCO ter declarado o Fado como Património Imaterial da Humanidade?
Não sei se mudou muito. O que sei é que temos muita gente a cantar e a tocar bem, muitos jovens a quererem cantar e tocar, a mostrar interesse pelo Fado. Isso é muito importante para o futuro da canção nacional, aliás, isso é tudo o que interessa.

Mas o certo é que Amália Rodrigues levou desde sempre o Fado pelo mundo…
Sim, foi, e é, a embaixadora do Fado no Mundo.

Os fadistas dizem que o fado não se descreve. Sente-se. E a Sandra, mulher, também sente muito o fado?
Claro. Como qualquer pessoa que goste e oiça fado.

O que podemos esperar da Sandra nos próximos tempos?
Tantas coisas… muitas noites de fado, muitos concertos, muitos discos…

Foto: DR

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