Entrevistas

Rebeca: “O cancro da mama foi mais um balde de água fria na minha vida”

Venceu duas batalhas contra o cancro, uma doença onde o “medo e a sombra” continuam a ser o seu “maior inimigo”. Aos 39 anos, e mais de 20 de carreira, a cantora Rebeca assume que a doença “ensinou-me a ter mais força, confiança e determinação”, garantindo que a vida começa na verdade “todos os dias”. «Eu e a vida», o primeiro livro da artista, é uma autobiografia que permitiu à artista deixar de “gritar em silêncio”.

Por: Fernanda Castro

Agência de Informação Norte – «Eu e a vida», o seu primeiro livro, está a ser apresentado por todo o país. Ali encontramos o seu caminho como professora de música, cantora, a história de dois cancros, depressão e a superação. Qual foi a parte mais difícil de escrever neste livro?
Rebeca – O mais complicado foi falar dos dois cancros que tive, pois, recordar tempos muito difíceis que passei, não seria fácil para ninguém.

Os portugueses estão a conhecer a sua história de vida e parece que ninguém fica indiferente ao lerem o seu livro. Qual é, afinal, a principal mensagem deste livro com cerca de 150 páginas?
Em primeiro lugar, é deixar uma marca da minha pessoa para me conhecerem melhor e perceberem que uma cantora é uma mulher como as outras, deixar uma recordação ao meu filho e, por fim, dar força a tantas outras Rebecas que sofrem de cancro, e fazer entender que poderá haver um final feliz.

Quer com isso dizer que existem coisas que não se conseguem explicar de forma simples durante todo este processo, como é, por exemplo, o apoio da família?
O apoio da família é um dos pilares principais. Esta doença deixa de ser só nossa e passa a ser também deles mas, claro, se houver apoio, tudo se torna mais fácil. No meu caso, sempre estiveram ao meu lado.

Mas posso concluir que, no fim de escrever o livro, sentiu de alguma forma uma libertação interior que carregava ao longo de longos meses?
Claro que sim, foi um alívio, deixei de gritar em silêncio.

«Eu e a vida» tem prefácio de Cristina Ferreira. Foi com ela que se mostrou aos portugueses, pela primeira vez, sem cabelo. A Cristina, neste momento, para si é mais do que uma apresentadora?
Sim, a Cristina, para mim, já era mais do que uma apresentadora, é uma grande amiga, falamos muitas vezes por telefone e trocamos mensagens. Por saber que ela é verdadeira, e tudo o que escreve é real, aceitei dar a notícia ao país na Capa da revista Cristina.

Superou um cancro há oito anos, na tiróide. Apesar de dizer que este é mais agressivo, lidou de forma diferente com a doença?
Sim, o cancro na tiróide foi o meu primeiro, mas não estava preparada para receber tal notícia. Só a palavra cancro arrepiava-me. Após o diagnóstico, veio uma depressão muito grave,…ainda hoje tomo medicação. O cancro da mama foi mais um balde de água fria e, como disse, bem mais agressivo do que o primeiro, pois fui obrigada a realizar cirurgia de urgência, 16 quimioterapia e 25 radioterapia, mais 18 imunoterapia, e 10 anos de hormonoterapia. Mas consegui ultrapassar com toda a minha força e com estofo muito maior do que em 2010.

Este livro já chegou às mãos de muitos portugueses. O que lhe dizem os seus admiradores?
Muitos admiradores agradecem o facto de os ter ajudado a perder o medo e a vergonha de aparecerem carecas e ganharem mais força para ultrapassar a doença.

Parte das vendas revertem a favor da Associação de Apoio à Mulher com Cancro da Mama. Sentiu esta necessidade?
Sim, sempre quis escrever um livro com a história da minha vida, sempre disse que parte das vendas iriam reverter para esta associação e assim o fiz.

O medo continua a ser o seu maior inimigo?
Claro que sim, é inevitável. O medo continua mesmo a ser o meu maior inimigo.

Como é viver todos os dias com esta sombra?
É saber viver assim, a vida continua e não podemos estar à espera do que poderá vir acontecer, também podemos morrer por uma outra situação, acidente, terramoto, (…). Felizmente, ninguém sabe.

É por isso que diz, muitas vezes que a vida começa todos os dias?
Claro que sim, dou valor à vida por pequenas coisas que muitos não dão, por exemplo, uma simples flor a nascer.

Força, coragem e determinação são apenas alguns dos adjetivos que a podem descrever. Aos 39 anos, e mais de 20 de carreira, que é que esta doença lhe ensinou?
Ensinou-me a ter mais força para viver, confiança, determinação, e ainda mais agarrada a família.

Além do livro, existe ainda um novo trabalho discográfico. Um disco que assinala os seus 20 anos de carreira. Além dos seus cartões-de-visita, existe o tema «Irei Vencer». Foi certamente a canção mais difícil de cantar e de gravar…
Sim, embora não fale propriamente da doença, mas é claro que cada um se lembra dos problemas que teve, ou têm na sua vida.

Como está a sua agenda para 2019?
A minha agenda está bastante preenchida. Tenho concertos de norte a sul e estrangeiro, por isso convido-vos a visitar a minha página do facebook e instragram Rebeca Cantora, e estará toda a informação referente aos locais e datas. Irei entrar em estúdio para novo single.

Abriu uma loja de roupa…
É verdade. Este ano concretizei mais um sonho…Foi abrir uma loja de roupa na minha cidade em Caldas da Rainha com o nome «Hello Rebeca Boutique». Esta a ser um sucesso, vendemos para todo o mundo, pois também temos vendas online.

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