Cultura

A poesia saltou da gaveta do pediatra para o livro “O mundo, o amor e os frutos”

O novo livro de José Dias Egipto está à venda na Livraria Poetria, desde este sábado

Dos textos guardados nas gavetas e em ficheiros do computador ao longo dos últimos dez anos, José Palha fez nascer “O mundo, o amor e os frutos”. Não é novo nestas andanças de escrever, embora “esconda” a faceta de poeta atrás do pseudónimo José Dias Egipto. Para não misturar as águas da medicina – é pediatra e neonatologista – com a dos livros. Este sábado, dia 26, apresentou a sua mais recente obra na Livraria Poetria, no Porto, pelas 16 horas.
“Já não há baús para as pessoas irem procurar o que escrevem e hoje vamos encontrando no computador coisas que escrevemos e de que já não nos lembramos”. Foi isso que José Palha, ou melhor José Dias Egipto, fez. Uma compilação de vários textos soltos. Percebeu que havia três temas predominantes e são precisamente eles que dão nome ao livro que apresenta já no próximo sábado: “O mundo, o amor e os frutos”. Os textos não são datados, alguns são mais antigos, outros recentes. “Muitos nem me lembro de quando os escrevi”. Mas escreveu. E já não publicava há dez anos. Por preguiça. Fê-lo agora porque foi provocado: “Por que é não juntas esses textos e publicas?”, conta ele. Foi assim que surgiu a ideia de pegar nos textos esquecidos no fundo da gaveta para os trazer à luz do dia.
São poemas, um dos textos até é prosa, bem diferentes da espécie de diário que o bracarense lançou em 2000, Pessoal e Intransmissível, e ao qual chegou a tentar dar continuidade. O novo livro também foge da série de contos que publicou em 2008, O Último Passageiro. Já voltou aos contos, mas diz ele, “ainda não estão em condições”. Curiosamente, o neonatologista e pediatra, que seguiu a profissão influenciado pelo pai também médico, não sonha escrever sobre a profissão. “Tenho amigos médicos, nomeadamente do IPO, que escrevem livros sobre a sua experiência. Mas nunca tive esse impulso, embora tenha muitas histórias engraçadas. Aliás, uso o pseudónimo precisamente para não baralhar os dois mundos”.
Ainda assim, a medicina vai-lhe dando material para a escrita. “Os médicos passam os dias a contemplar os dramas das pessoas e isso talvez nos dê esse privilégio de as conhecer melhor que outros que tenham empregos mais mecânicos ou burocráticos, como o de sentar a uma secretária e fazer sempre a mesma coisa. Estamos sempre a lidar com a vida e a morte”. Não é ao acaso, diz ele, que há tantos escritores médicos pela Europa e em Portugal particularmente. “Na nossa história há muitos escritores médicos. Há um ano ou dois fui convidado para uma pequena palestra sobre escritores médicos e encontrei muitos que nem conhecia. Além dos que já todos conhecemos, como Miguel Torga ou Lobo Antunes, há tantos outros que nunca tiveram essa projeção”. Há até uma Sociedade Portuguesa de Escritores e Artistas Médicos, de que o pediatra, que lançou o primeiro livro em 1999, é sócio desde a fundação.
O pediatra vai publicando outras coisas em crónicas, como a que escreve semanalmente, Farpas Lusófonas, no portal da internet Portugal-Em-Linha. Mas foi a profissão que contribuiu para se lançar para os livros. “Estive muitos anos a fazer cuidados intensivos neonatais em Gaia. E foi precisamente quando saí da neonatologia, porque já estava exausto e pedi para sair, que na passagem para uma coisa mais calma comecei a escrever. Porque aí tinha tempo”. E ainda bem. O novo livro de José Dias Egipto está à venda na Livraria Poetria, desde este sábado.

 

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4 Comments

  1. Foi o pediatra dos meus filhos há longos anos. Homem de grande sensibilidade e humanismo. Parabéns Dr. Palha. Que venham mais livros.

    1. Grande Pessoa. Queridíssimo Amigo. Refinado escritor. Que Deus ilumine seus caminhos. Ele é Mila foram por Deus colocados na minha vida para alegrar os meus

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