Sociedade

Escreve livros infantis e doa a crianças doentes ou institucionalizadas

Quando uma gestora de Recursos Humanos decidiu finalmente cumprir um velho sonho, nasceram as “Histórias para Acordar”. O sonho, esse, era escrever livros infantis e os obstáculos da vida levaram-na a agarrar-se ao papel e à caneta. Sofia Coelho Branco, 42 anos, já lançou dois livros e a cada um deles faz associar uma causa. Por cada dez exemplares que vende do primeiro, doa um a uma criança do IPO. E por cada dez que vende do segundo, doa um a uma criança com necessidades especiais. Já tem o terceiro na cabeça – “Fora da Caixa” – até porque fez a secreta promessa de que lançaria um por ano. Esse vai doar a crianças institucionalizadas.
A aventura começou em 2018, com o seu primeiro livro, “O menino que vivia nas nuvens… e que sonhava viajar até às estrelas!”. Escreveu-o ainda antes de o filho de 8 anos nascer. “Já há algum tempo que tinha o gosto pela escrita. E tinha o sonho de publicar as minhas histórias infantis”. Fez formações para aprender sobre edição de autor e editoras. Ainda bateu à porta de algumas, mas acabou a avançar com uma edição de autor. E até criou o pseudónimo Sofia Coelho Branco. “É muito difícil conseguir que as editoras apostem. Mas tem sido muito gratificante fazer edições de autor, porque isso permite-me acompanhar tudo. A ilustração, para a qual contratei uma ilustradora, a paginação, a revisão, o trabalho na gráfica. Vou ver o meu livro a passar nas várias máquinas”, conta.
Como o sonho a tem ajudado a “lidar com os obstáculos da vida”, quis ajudar também ela crianças com doença oncológica. “Para acreditarem que vão ficar boas. Aí é que me surgiu a ideia de doar um livro por cada dez. E isso veio dar muito mais sentido ao meu projeto”. Agora, associa uma causa a cada livro. No meio disto, passou a part-time no trabalho de Gestão de Recursos Humanos, trabalha três dias por semana. Os outros dois são para dedicar ao projeto, nomeadamente para visitar escolas.

Visitas às escolas

A covid-19 veio atrasar-lhe as visitas às escolas onde mais costuma vender. É hábito visitar estabelecimentos do Porto, onde vive, Viana do Castelo, Guimarães. “E o gosto que me dá contar a história, fazer atividades com fantoches ou ilustrações. “E as crianças compram livros. Para elas e também para doar para a causa”, diz Sofia. Tinha acabado de lançar o segundo livro, “A tartaruga que decidiu ser e fazer diferente”, inspirado numa viagem a Cabo Verde, quando a pandemia lhe trocou as voltas. Mesmo assim, já vendeu 500 exemplares. Da primeira obra, tem 1500 vendidos. Estão à venda em duas livrarias do Porto: na Salta Folhinhas e na livraria de Serralves. E Sofia está a tentar também vender na Wook.
Agora, vem aí o “Fora da Caixa”, que curiosamente e apesar de a história ter nascido ainda antes do novo coronavírus ter atingido o Mundo, parece encaixar que nem uma luva neste mundo novo. “Conta a história de uma menina que vive num quadrado e tem medo de sair da caixa, tem medo de enfrentar o Mundo lá fora”, revela a escritora.

Crianças criam finais felizes para a covid

Com as visitas às escolas em stand-by, Sofia Coelho Branco não cruzou os braços durante a pandemia. Fez formações em escrita criativa e desatou a lançar concursos nas redes sociais para os miúdos. Ora para criarem uma nova capa para os seus dois livros, ora para contarem a história do fim do novo coronavírus. O final feliz era requisito obrigatório. E a tarefa foi bem simples para as crianças.
Recebeu histórias de 36 alunos, do 1º ao 5º anos, de vários pontos do país e até do Brasil. “O resultado foi muito giro. Inventaram mil e uma maneiras para destruir o vírus”. Uma professora primária foi a jurada. Enquanto o Pedro inventou um chá mágico, que tem que ser feito com amor, a Francisca criou cinco heróis invisíveis: a esperança, o amor, a coragem, a paciência e a fé. Outros viraram cientistas e descobriram a cura a dançar, também houve quem descobrisse que a brisa do mar curava a covid-19. E dois irmãos criaram uma piscina de sabão para onde conseguiam atrair o coronavírus e onde ele morria. “Foram muito criativos”, conclui a autora.

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One Comment

  1. Foi um desafio maravilhoso, obrigada pela oportunidade, xa em.cada tivemos 2 vencedores 1° e 5° anos) mas o mais importante foi por a imaginação a funcionar e também libertar alguns medos que existiam. Muitos parabéns a todos.

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