Entrevistas

Pedro Mello: “É possível abraçar com os olhos…sim!”

O enfermeiro, professor e escritor Pedro Melo aceitou o convite para uma conversa solta. O amor, o abraço, a pandemia e o cansaço deste 2020 são temas que geraram imagens, através das palavras. 

Por: Andreia Gonçalves

Agência de Informação Norte -Vivemos numa época conturbada, com muitas mudanças… Até onde irá a nossa Resiliência?
Pedro Mello – A nossa resiliência é um elástico muito flexível… Vai até ao limite que o nosso coração impuser. E o coração dos Seres Humanos é infinito.

O amor e a compaixão podem salvar-nos, numa pandemia?
O Amor é a salvação em todas as circunstâncias. A compaixão é o bote salva-vidas com que impedimos que os outros e nós nos afundemos. É através da compaixão que percebemos que qualquer um de nós se pode afogar e por isso mais vale remarmos juntos para o local seguro que é o sentido de vivermos juntos.  O Amor é uma condição sem condições. É o Amor que nos torna além do núcleo celular.
Por isso sim. Podem. O resto são os caminhos da ciência que se alimentam de ambos: do Amor que guia as investigações e da compaixão que decide o bem-comum!

Quando o abraço não é permitido, o que nos resta? Tocar com o olhar a alma do outro que tanto gostamos?
O abraço não se esgota no limite das mãos à articulação do ombro. Pelo contrário, continua pelo infinito de quem realmente quer abraçar. Quantas vezes um abraço físico é vazio por não ter intencionalidade? É possível abraçar com os olhos sim… Os braços dos olhos não têm limites musculares… E são tão bons!

O que diz, um professor no regresso às aulas? Bem vindos, com as vossas máscaras! O que se dá e o que se recebe neste que foi o primeiro dia, deste regresso…?
Diz bem-vindos. Estamos e continuamos juntos. Novas oportunidades de aprendizagem nos foram dadas e com elas seremos sempre e cada vez melhores.
O que se dá e o que se recebe são as trocas que quisermos promover… Recebemos sorrisos se sorrirmos (mesmo que com os olhos) … Recebemos preocupações se franzirmos as sobrancelhas… E acima de tudo damos e recebemos a certeza de que estamos vivos!

Este ano foi mais difícil, mas parece ter passado muito rápido, é um misto de sensações! Concordas?
Foi um ano complexo… Os anos passam todos muito rápido… Este foi mais um ano, com um desafio que acontece pelos vistos de 100 em 100 anos… Mas este ano foi numa época tecnológica ao contrário da última pandemia, em que não havia informação, não havia internet, não havia facebook, Skype, Zoom nem qualquer outra plataforma.
Foi um privilégio podermos sobreviver e crescer com o desafio 2020. O número é como que um espelho- 2020- que remete para isso mesmo, o ano em que olhamos com atenção para nós. O ano que obrigou apenas os olhos a ficarem expostos, para vermos o essencial!

O que é que ainda não se aprendeu, apesar de tudo, até agora?
Há sempre tanto a aprender…  Diria que é preciso continuar a aprender que vivemos, como tão bem alegorou o papa Francisco, na encíclica “Laudato si” , uma casa comum.
Não é de ninguém sendo de todos. Temos de cuidar dela e uns dos outros.
As máscaras e luvas espalhadas por esses chãos são um sinal de que ainda não o aprendemos… Continuemos.

Quem é positivo, o enfermeiro, o professor, ou o homem que veste?
São indissociáveis. O homem que é enfermeiro, só o conjuga no verbo Ser. Ninguém consegue estar enfermeiro. Professor também não… Então o homem, enfermeiro, professor são genótipos com uma carga genética de amor muito grande e que se manifestam num fenótipo com apenas uma certeza, procuram a verdade e o amor, todos… E isso é positivo e torna tudo mais positivo.

 

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