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Luana Doce: “A minha ambição é conseguir ajudar o Benfica a conquistar os seus objetivos”

Apesar de ter assinado contrato com o Sport Lisboa e Benfica, Luana Doce vai cumprir um ano de empréstimo pelo seu anterior clube, o Valadares.

De saída do clube onde está desde os seus 13 anos, Luana Doce prepara-se para mudar para a capital portuguesa. Mas não para já.  Garante que o significado desta mudança é o reconhecimento do seu trabalho, já que, com o avançar das épocas, “tornou-se um objetivo chegar a este patamar”. Ainda assim, não esconde que ainda tem “margem de progressão em vários aspetos”, razão pela qual, gosta de jogar ao lado de “raparigas mais velhas”. Isto porque, Luana sabe que, ser jogadora de futebol “é uma aprendizagem constante, de todos os dias, que exige a maior seriedade e a máxima dedicação”. E é no Benfica que, espera “evoluir e crescer”.

Texto: Francisco Teixeira

Agência de Informação Norte – Como surgiu o desporto e mais concretamente o futebol na sua vida?
Luana Doce
– O desporto faz parte da minha vida desde muito cedo. Comecei por praticar natação e cheguei a estar inscrita num treino de voleibol no Esmoriz. Dias antes, encontrei uma amiga a jogar futebol na rua, fui experimentar jogar numa escolinha, não cheguei a ir ao treino de voleibol. E estou no futebol até hoje.

 Está a frequentar o secundário numa escola em Santa Maria da Feira ao mesmo tempo que joga futebol. Tendo em conta o patamar exigente em que se encontra no futebol nacional, como define a aventura de conciliar os estudos com o desporto?
Conciliar os estudos com o futebol é um desafio constante, mas é possível fazê-lo. É preciso foco, concentração e disciplina.

 Em 2018, com apenas 13 anos, mudou-se do Sporting Clube de Esmoriz para o Valadares. Para uma jovem desta idade como foi a adaptação ao novo clube?
É sempre difícil sair da nossa zona de conforto, mas a adaptação não foi tão complicada como esperava, especialmente porque tive o apoio da estrutura do Valadares (equipa técnica e colegas de equipa).

Sei que a família tem acompanhado o seu percurso profissional, principalmente o seu pai. Acha que eles estão orgulhosos das conquistas que alcançou até agora?
Acho que sim. Eles dizem, muitas vezes, que estão orgulhosos do meu percurso, não só profissional como pessoal e académico.

 Depois de alinhar pela seleção distrital do Porto, recebeu um convite especial para representar a seleção nacional sub 15 no final de 2019. Alguma vez pensou que poderia jogar pelas quinas com apenas 14 anos?
Nunca pensei que acontecesse e tão cedo, mas é óbvio que tinha o sonho de, um dia, representar a seleção das quinas.

 Estreou-se no ano a seguir num jogo frente ao País de Gales, onde saíram vencedoras. O que sentiu quando vestiu pela primeira vez as cores de Portugal?
Não há muitas palavras que consigam descrever o sentimento de representar a seleção nacional. As que mais se aproximam são orgulho e sonho.

“Acabo de assinar um contrato com o clube da Luz”

Depois de um percurso em constante crescimento eis que surge a proposta de um gigante nacional, o Sport Lisboa e Benfica. Como surgiu esta proposta do clube da Luz?
Fui contactada pelo Sport Lisboa e Benfica que apresentou uma proposta. Acabo de assinar um contrato com o clube da Luz, ficando emprestada ao Valadares durante esta época.

 O que espera de si daqui para a frente e que objetivos pretende alcançar neste seu novo clube?
A minha ambição é conseguir ajudar o Benfica a conquistar os seus objetivos, dando sempre o meu melhor.

 Enquanto jogadora profissional de futebol, que aspetos ainda lhe faltam melhorar?
Ainda tenho margem de progressão em vários aspetos. Ao jogar com raparigas mais velhas, sinto que elas têm mais maturidade para cometer faltas táticas.

Sente que o Benfica a pode ajudar a potenciar esses aspetos e a fazê-la crescer enquanto jogadora?
Ser jogadora é uma aprendizagem constante, de todos os dias, que exige a maior seriedade e a máxima dedicação. O Benfica é um clube que tem jogadoras com muita qualidade e, por isso, espero evoluir e crescer.

“Vou continuar a dar o meu melhor”

Com a sua transferência para o atual campeão nacional vai poder jogar pela primeira vez no maior palco a nível europeu, a Liga dos Campeões. Está ansiosa para que esse momento chegue?
Ainda é cedo para pensar nisso. Há muito que trabalhar até esse momento chegar.

O que significa para si esta mudança?
É o reconhecimento do meu trabalho.

Esperava um dia poder chegar até aqui, ou isso não passava de um sonho?
À medida que as épocas foram passando, tornou-se um objetivo chegar a este patamar.

O que é necessário fazer para que o futebol feminino seja mais visto e respeitado em Portugal?
Adesão, investimento, transmissões televisivas. É preciso falar do crescimento, do trabalho, e do caminho que o futebol feminino está a percorrer.

 O futebol feminino está a crescer cada vez mais em todo mundo. Desde logo, temos o exemplo da final do europeu que bateu o recorde de espectadores em jogos do euro, quer a nível feminino, quer masculino. Na sua opinião, avizinham-se tempos bons para o desporto rei feminino?
Penso e espero que sim. Este Campeonato da Europa foi muito importante para o futebol feminino, não só pelo recorde de espectadores que foi quebrado, mas também pela qualidade do futebol praticado. O futebol feminino está a evoluir muito e irá evoluir ainda mais.

O que espera do seu futuro enquanto profissional de futebol?
Vou continuar a dar o meu melhor, a trabalhar, e espero continuar a ser feliz dentro das quatro linhas.

 

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