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Rockin´1000 Portugal: tocar e cantar, numa catarse coletiva
Vítimas de tragédias e de guerras lembradas num espetáculo de união e de alegria. A maior banda de Rock do Mundo - Rockin´1000 - voltou a reunir-se em Portugal, com mil executantes a celebrarem um bem maior: a paz e a harmonia, que a música consegue congregar.
7 de setembro 2025
A começar o espetáculo, cumpriu-se um minuto de silêncio por todas as vítimas do trágico acidente desta semana com o Elevador da Glória, em Lisboa. A meio, o fundador do projeto Rockin´1000, o geólogo marinho italiano Fabio Zaffagnini lembrou que “as pessoas têm de ser apoiadas de frente”, apontou que “este é o caminho, o Rockin´1000 é uma sensação física e mágica” e questionou “por que não pode ser assim em todo o mundo? Por que é que não pode ser assim em Gaza ou na Ucrânia, no Sudão, em Myanmar, onde estão a massacrar milhares de inocentes?”
A segunda edição do Rockin´1000 em Portugal, esta noite, no Estádio Municipal de Leiria, homenageou os mortos em jeito de hino à vida e de catarse coletiva, num majestoso cerimonial de afinação de vozes, de coordenação de executantes e de sincronização de tempos musicais. Mil pessoas em cena (200 bateristas, 300 guitarristas, 200 baixistas, 50 teclistas e 250 cantores), de diferentes gerações, com idades compreendidas entre os 8 e os 74 anos, oriundas de 29 países da Europa, América, África e Oceânia, protagonizaram “o maior concerto rock do Mundo”, tocando e cantando, em simultâneo, 21 canções que marcaram a história da música (ver a setlist no fim deste texto).
Perante um estádio com mais de 90% da lotação esgotada, os dois convidados especiais portugueses arrebataram ainda mais o público que mostrou entrega e entusiasmo ao desfile de êxitos que se foi ouvindo. A cantora Marisa Liz interpretou o tema “Guerra Nuclear” e gritou, no fim, “This is fucking amazing”. Tim, o vocalista dos Xutos & Pontapés, desafiou os presentes, dizendo “vamos ver se aquecem isto”, antes de cantar “À Minha Maneira”. E a plateia, composta por fãs vindos de 46 países, correspondeu, entoando a letra da canção de início ao fim.
À maneira de uns e de outros, os protagonistas do espetáculo desta noite deram um show de energia, de alegria, de contágio pacífico e harmonioso, tão a jeito de tudo quanto o mundo tanto precisa. Mostraram como a música pode ser uma experiência de partilha coletiva e de união, acima de egos, de raças, crenças, ideologias e geografias. E mostraram como clássicos que marcaram a história da música se perpetuam, geração após geração, sem perderem essa capacidade unificadora que a música tem. O público reagiu com entusiasmo, com vozes em uníssono nos refrões das músicas, com lanternas de telemóveis acesas nas baladas, com palmas e com muitas pessoas a levantarem-se dos lugares sentados e marcados para dançarem de pé.
Afirmação de Leiria como polo cultural
Fabio Zaffagnini, o fundador do Rockin’1000, considera que a edição de 2025 terá sempre um significado especial. Diz o italiano que “o concerto de Leiria foi verdadeiramente um sucesso extraordinário. A paixão do público, a dedicação dos músicos e a forma como a cidade acolheu o nosso projeto tornaram esta edição inesquecível”. Acrescenta este responsável que o facto de, pela primeira vez, o Rockin’1000 se ter realizado no mesmo país dois anos seguidos demonstra o “notável impacto do evento em Portugal e do laço especial que construímos com esta comunidade”, sendo isto “exatamente o que o Rockin’1000 representa: quebrar barreiras e juntar pessoas através do poder da música”.
Também Tiago Castelo Branco, Diretor da promotora do evento, a MOT – Memories of Tomorrow, sublinha o “orgulho de ver como a entrega de cada artista e o envolvimento de toda a equipa resultaram neste espetáculo único”. Este responsável assinala também o facto de Leiria ter recebido o Rockin’1000 “de braços abertos” e de terem “uma vez mais, elevado o nome da cidade a nível global”.
O Presidente da Câmara Municipal de Leiria acredita que o impacto do evento ultrapassa a música. Gonçalo Lopes diz que “Leiria voltou a mostrar que sabe receber grandes eventos internacionais” e que o Rockin’1000 gerou “um impacto económico extraordinário na hotelaria, restauração e comércio local mas, mais do que isso, projetou a nossa cidade para o mundo e reforçou Leiria como um polo cultural e turístico de referência”. O autarca não tem dúvidas de que “com este concerto, Leiria reforça a sua posição no mapa dos grandes espetáculos em Portugal, reforçando a nossa capacidade organizativa e a ambição de nos afirmarmos como um polo cultural e turístico de referência a nível nacional”.
O projeto Rockin’1000 nasceu de uma iniciativa do italiano Fabio Zaffagnini, que, em julho de 2015, reuniu mil músicos italianos para tocarem “Learn to Fly”, dos Foo Fighters. Essa iniciativa visou chamar à atenção da banda norte-americana, para a convencer a tocar na cidade de Cesena. O grupo de rock formado em Seatle, impactado pela performance dos italianos e pelo vídeo que se tornou viral, aceitou o desafio e atuou naquela cidade, marcando o início do projeto. Desde aí, o Rockin’1000 tornou-se uma organização que reúne uma comunidade internacional de músicos, composta por oitenta mil pessoas, que têm feito performances de grandes clássicos do rock, em diversos países.
Foi este o alinhamento do Rockin’ 1000, edição de 2025, no Estádio Municipal de Leiria:
Foo Fighters – All My Life
Metallica – Enter Sandman
Steppenwolf – Born to Be Wild
The White Stripes – Seven Nation Army
Ramones – Blitzkrieg Bop
AC/DC – Shoot to Thrill
The Rolling Stones – Jumpin’ Jack Flash
Nirvana – Lithium
David Bowie – Space Oddity
Guns N’ Roses – Live and Let Die
Pixies – Where Is My Mind?
U2 – Sunday Bloody Sunday
Neil Young – Rockin’ in the Free World
Marisa Liz – Guerra Nuclear
Tim – À Minha Maneira
The Who – Won’t Get Fooled Again
Muse – Knights of Cydonia
Queen – Bohemian Rhapsody
Black Sabbath – Paranoid
Foo Fighters – Learn to Fly
Led Zeppelin + Jimi Hendrix (medley)
Fotos: Rui Miguel Pedrosa



