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Museu do Porto lança Museu Aurélia e Sofia de Souza com duas exposições inéditas
O Museu do Porto apresenta à cidade, no próximo dia 13 de junho, às 18 horas, o Museu Aurélia e Sofia de Souza, nova designação da Casa Marta Ortigão Sampaio, que o acolhe, com duas exposições inéditas: "Diálogo Duplo" e "Seabranano e Seabrina".
11 de junho 2026

O momento contará com a presença do vereador da Cultura e Património da Câmara Municipal do Porto, Jorge Sobrado, autor da proposta de renomeação aquando das suas anteriores funções de diretor do Museu do Porto.
Mais do que uma mudança de nome, esta nova etapa reforça a identidade do museu e a valorização do legado de Aurélia e Sofia de Souza, mantendo o reconhecimento do papel de Marta Ortigão Sampaio na preservação deste património.
Ao assumir o nome de Museu Aurélia e Sofia de Souza, o Museu do Porto reforça o compromisso de colocar no centro da sua programação o percurso artístico e humano de duas das mais importantes pintoras portuguesas da viragem do século XIX para o século XX.
Como sublinha o vereador, “ao nomear esta casa e coleções como Museu Aurélia e Sofia de Souza, o Museu do Porto assume a missão programática de conferir uma centralidade à promoção do legado artístico e ético das irmãs Souza. Ao mesmo tempo, estabelece um compromisso com a revelação de outras mulheres artistas, especialmente do Porto, sobre cuja criação seja justo o mesmo olhar contra a distração ou o esquecimento”.
Esta visão traduz-se na afirmação daquele que Jorge Sobrado define como o “museu feminista do Museu do Porto”, um espaço dedicado à valorização da obra de Aurélia e Sofia de Souza e à construção de novas leituras sobre o papel das mulheres na arte, na cultura e na sociedade.
Diálogo Duplo: Aurélia e Sofia em conversa com o presente
Com curadoria de Rita Roque, a exposição “Diálogo Duplo” inaugura um percurso expositivo que coloca a obra de Aurélia e Sofia de Souza em diálogo com práticas artísticas contemporâneas. Distribuída pelos diferentes espaços do museu, a exposição reúne obras das duas pintoras e trabalhos de Ana Rocha, Catarina Vasconcelos, Isabel Carvalho, Luísa Mota e Sofia Leitão, convidadas a ativar o acervo e a propor novas interpretações sobre os seus temas, linguagens e universos visuais.
Partindo da intensidade expressiva de Aurélia de Souza e da luminosidade característica da pintura de Sofia de Souza, a exposição propõe um encontro entre diferentes tempos e sensibilidades, transformando o museu num espaço vivo de diálogo, experimentação e descoberta.
Seabranano e Seabrina: memória, herança e imaginação
A segunda exposição inaugurada neste dia é “Seabranano e Seabrina”, projeto artístico de Constança Meira centrado nos temas da memória, da herança familiar e dos objetos como veículos de narrativa. Através de uma instalação construída a partir de fotografias, cartas, documentos, elementos naturais e objetos recolhidos e reinterpretados, a artista desenvolve uma reflexão sobre os vínculos entre passado e presente, convocando sobretudo presenças femininas e afetivas para a construção de um universo poético onde se cruzam memória, imaginação e conhecimento.
A apresentação deste projeto no Museu Aurélia e Sofia de Souza estabelece uma relação particularmente significativa com o contexto da casa, das suas coleções e das histórias familiares que lhes deram origem.
Uma casa de artistas, um programa para o futuro
A inauguração marca igualmente o arranque do ciclo de conversas “Uma Casa de Artistas”, que decorrerá ao longo de 2026 e reunirá investigadores, artistas, historiadores e especialistas em torno de algumas das principais temáticas presentes na obra de Aurélia e Sofia de Souza. Entre os temas em destaque encontram-se a condição da mulher artista, o autorretrato, a fotografia, a paisagem e os espaços domésticos, prolongando para além das exposições a reflexão sobre o legado das duas pintoras e o seu significado contemporâneo.
Um novo capítulo para a Casa Marta Ortigão Sampaio, agora acolhendo o Museu Aurélia e Sofia de Sousa
Instalado num edifício modernista que integra um dos mais relevantes conjuntos patrimoniais ligados à história artística da cidade, o Museu Aurélia e Sofia de Souza inicia agora uma nova etapa da sua trajetória. Através da reinterpretação do acervo, da abertura ao diálogo com a criação contemporânea e da valorização do contributo das mulheres para a história da arte, o Museu do Porto afirma este espaço como lugar de memória, investigação, criação e pensamento crítico, projetando para o futuro o legado de Aurélia e Sofia de Souza.


