Cultura

Bienal de Cerveira regressa para derrubar fronteiras através da arte

A Bienal Internacional de Arte de Cerveira está de regresso. Até 30 de dezembro, Vila Nova de Cerveira volta a transformar-se num dos principais centros da arte contemporânea nacional e internacional, com uma programação que reúne exposições, residências artísticas, conferências, oficinas e projetos curatoriais. O tema desta XXIV edição é "Territórios sem Fronteira".

Mais do que uma referência ao território onde nasceu, junto à fronteira entre Portugal e a Galiza, a Bienal propõe uma reflexão sobre as fronteiras políticas, sociais, culturais e simbólicas que continuam a marcar o mundo contemporâneo. A iniciativa pretende afirmar-se como um espaço de encontro entre artistas, investigadores, curadores e público.

Com direção artística de Mafalda Santos, a programação prolonga-se por mais de cinco meses e integra o Concurso Internacional, exposições de artistas convidados, algumas com obras inéditas, residências artísticas, conferências, ações de mediação cultural e projetos espalhados por vários espaços do concelho.

Um dos principais destaques volta a ser o Concurso Internacional. A exposição reúne 36 artistas de 14 nacionalidades e apresenta trabalhos que abordam temas como a migração, a identidade, o pós-colonialismo, o território e as novas formas de relação entre o espaço físico e o digital. Da pintura ao vídeo, da fotografia à instalação ou à performance, a mostra reflete a diversidade da criação artística contemporânea.

Portugal, Espanha e Brasil concentram o maior número de participantes, mas a Bienal conta também com artistas provenientes de países como Moçambique, Taiwan, São Tomé e Príncipe, China, Estados Unidos da América, Peru, Equador, Venezuela e França, reforçando a dimensão internacional do evento.

A programação reserva ainda uma homenagem a Silvestre Pestana. O artista, presente em todas as edições da Bienal desde a sua fundação, em 1978, é distinguido com a exposição “Luso Lunar”, que percorre mais de cinco décadas de criação artística e inclui algumas das suas obras mais marcantes, entre elas a escultura em néon “Rio: Água e Sangue”.

Outro dos núcleos centrais é a exposição “¿De qué casa eres?”, que reúne artistas ligados a diferentes experiências de migração, diáspora e construção de identidade. O projeto propõe uma reflexão sobre pertença, memória, deslocação e diversidade cultural através de diferentes linguagens artísticas.

A Bienal estende-se ainda a outros espaços do concelho. O Museu Bienal de Cerveira recebe o Pavilhão de Macau, “Error Island”, enquanto o Convento de San Payo acolhe o projeto “A-SALTO: vemo-nos no fim do mundo”, desenvolvido por alunos da Universidade do Minho. A programação inclui também exposições resultantes de residências artísticas e, em outubro, a participação da artista francesa ORLAN, que apresentará uma conferência e uma nova interpretação de uma das suas performances mais emblemáticas.

Com mais de cinco meses de programação, a Bienal Internacional de Arte de Cerveira volta a afirmar-se como um dos mais importantes eventos de arte contemporânea do país, reunindo dezenas de artistas e projetos que fazem da fronteira um ponto de partida para pensar o mundo atual.

Imagem: Imagens XXIV Bienal Internacional de Arte de Cerveira

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