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Festival Internacional de Marionetas do Porto arranca esta sexta-feira

O tráfego de mercadorias e os dilemas de Raskolnikov, protagonista de “Crime e Castigo”, marcam o arranque da 37.ª edição do Festival Internacional de Marionetas do Porto. Os espetáculos “Transport Cargo” e “Crime e Castigo” chegam ao Rivoli e ao Teatro Carlos Alberto nos dias 9 e 10 de outubro.

O Festival Internacional de Marionetas do Porto começa esta sexta-feira, 9 de outubro, com propostas da Eslovénia e da Bélgica. Entre os destaques dos primeiros dias estão o Teatro de Marionetas de Maribor, com “Transport Cargo”, e a Compagnie Karyatides, que apresenta uma adaptação de “Crime e Castigo”, de Fiódor Dostoiévski.

Em “Transport Cargo”, a companhia eslovena parte do crescente tráfego rodoviário de mercadorias para levar ao palco uma reflexão sobre uma realidade que atravessa o quotidiano. A circulação de veículos pesados constitui o ponto de partida de um espetáculo cujo alcance vai além deste tema e convida os espectadores a acompanhar outras perspetivas. A peça será apresentada no Teatro Rivoli na sexta-feira, 9 de outubro, às 19h30. No sábado, dia 10, estão previstas duas sessões, às 16h00 e às 19h30.

No Teatro Carlos Alberto, a Compagnie Karyatides revisita “Crime e Castigo”. A companhia sediada em Bruxelas explora a tensão que envolve Raskolnikov, dividido entre a consciência da culpa e a tentativa de justificar o crime que cometeu.

Os conflitos do protagonista conferem profundidade psicológica a uma proposta que combina ritmo, música e humor. Segundo a informação de apresentação, o espetáculo recebeu o Prémio do Ministério da Cultura da Bélgica no âmbito dos Rencontres Théâtre Jeune Public 2026. “Crime e Castigo” pode ser visto na sexta-feira, 9 de outubro, às 21h00, e no sábado, dia 10, às 16h00.

A companhia Partículas Elementares, de Lisboa, está de regresso ao fimp e desta vez é portadora de um trabalho cujo título é um desígnio expressivo e possessivo: “Eu Quero a Lua!”, Neil Armstrong não diria melhor. A peça, de resto, é um pequeno passo para o Homem e um grande salto para a criançada! Mas convém levar a família e/ou os amigos, sempre se desfruta em modo de partilha desta história de uma menina chamada Alice que vivia num país à beira-mar e que tinha todas as coisas que uma menina poderia querer. Faltava-lhe apenas uma: a Lua. Quando a menina adoece, o seu pai tenta satisfazer-lhe o desejo. Mas, em boa verdade, será mesmo a Lua que Alice quer para si? Só vai saber quem for ao Teatro Campo Alegre (Café Teatro) no sábado, dia 10 de outubro, às 16h00.

E por falar em regressos, eis que a Tarumba – Teatro de Marionetas, também de Lisboa, faz nova incursão pelo Festival para apresentar uma nova temporada de “Crankies de fazer chorar as pedras da calçada”. O divertimento está desde já assegurado para quem se dirigir ao Teatro Carlos Alberto nos dias 9 e 10 de outubro. Na primeira data às 22h15 e na segunda às 17h15. O Foyer do TeCA vai estar assim muito animado à custa dos musicópios com histórias-canções de fazer chorar baba e ranho, de chorar que nem uma madalena, de ver e chorar por mais, com lágrimas de crocodilo e a chorar com um olho e a rir com o outro! O ambiente será banhado por uma aura sonora e estética muito colorida.

Fruto da produção e realização de cinco filmes, que ao longo de correspondentes cinco anos – 2021 a 2025 – foram sendo criados e apresentados e em que os protagonistas eram objetos em movimento, o fimp’26 também concebeu para a corrente edição mais um pequeno filme que servirá a rubrica há muito tempo fundada e que constitui o apanágio de ‘pontapé de entrada’ para o Festival: A Abertura da Abertura. A conceção deste foi baseada nos precedentes, afinal a matéria-prima de inspiração para o da presente edição. O Teatro Rivoli acolherá no Pequeno Auditório a apresentação do filme e no mesmo local e circunstância decorrerá uma conversa com os artistas/intervenientes. Será às 18h30, do dia 10 de outubro (sábado).

Os clássicos da literatura navegam pelas águas do fimp este ano. A comprovar esta asserção, eis a versão da Limite Zero inspirada na versão da obra magna de Cervantes: O Cavaleiro da Triste Figura – As Aventuras de Dom Quixote. A companhia apresentará a referida peça nos dias 10 e 11 outubro (sábado e domingo) às 16h30, no Teatro do Bolhão. E quem quiser ser espectador da tragicomédia de D. Quixote é desafiado a tentar responder às interrogações suscitadas pelo coletivo artístico da Limite Zero para esta proposta: “Mas quem escreve a história? Os vencedores ou os vencidos? Serão sonhadores, ou desiludidos? Estas questões levantam-se hoje, tanto ou mais, do que nunca.” E acrescentam os elementos da companhia: “os limites entre o real e fantasia esbatem-se todos os dias e a narrativa pode ser comandada por agentes perversos.” Melhor desafio para uma presença na sala, é capaz de ser difícil.

“Fasten Your Seat Belts!” integra a trilogia de peças que o fimp apresenta este ano sob a égide do conceito temático e dramatúrgico ‘Transport’, tal como Cargo e Connecting Flights. Trata-se de uma sátira deslumbrante e irónica que nos convida a olhar para o mundo – e as suas fraturas – de cima, onde as realidades sociais se tornam mais nítidas e incontornáveis. Depois de se terem explorado quase todos os recantos da Terra, o olhar dirige-se agora para o firmamento e respetivos corpos celestes. O desempenho performativo do elenco incumbe-se da tarefa, com subtileza, registe-se, de questionar a emergência do turismo espacial de luxo quando em solo terrestre há ainda tanto para descobrir, nomeadamente a forma ou as formas de debelar as desigualdades sociais existentes no habitat de todos nós. Eles vão por certo “estrelar” (e não será um ovo!). Uma peça com a chancela do Teatro de Marionetas de Klaipeda, companhia oriunda da Lituânia. Para ver no Teatro Campo Alegre no sábado, dia 10, às 21h00, e no dia seguinte, 11 outubro, em dose dupla, às 15h00 e às 17h00.

E por falar em clássicos, a Compagnie Karyatides repete o palco, mas não a peça. O mesmo é dizer que a companhia de Bruxelas vai arriscar, isto depois de ter a ousadia de representar “Crime e Castigo” de Dostoiévski, nem mais nem menos do que “Os Miseráveis”, de Victor Hugo. É o regresso à história de um crime. Um homem rouba um pão para alimentar a família e, por esse ‘feito’, é condenado a 19 anos de prisão, ainda por cima com direito a trabalhos forçados nas galés. Eis o ponto de partida para um dos maiores clássicos da literatura mundial, será de salientar que esta versão para palco com a assinatura da Karyatides já foi representada mais de 700 vezes… é mesmo ‘obra’! A apresentação decorrerá no TeCA, nos dias 11 e 13 de outubro (domingo e terça), ambas à mesma hora, com o relógio acertado para as 19:00.

Como rodapé da paleta de sugestões desta primeira fase da programação do fimp’26, eis “Os Quintais da Memória”, a cargo da estrutura artística que encabeça o projeto ArtePlusArs, este trabalho remetem-nos para uma revisitação da infância, a peculiaridade dos episódios vividos no quintal da casa, os objetos que pairavam nesse território exterior em plena idade da inocência e que ainda subsistem no local, a convivência com a vizinhança, a bizarraria de que eram compostos alguns dos personagens que habitavam as imediações desses espaços onde a brincadeira imperava e a liberdade de movimentos era um universo em permanente expansão. Cada objeto recolhido feito uma lembrança da infância feliz. Eis a matéria de onde parte a peça que será levada à cena por Rui Oliveira e Ana Saltão no próximo dia 11, domingo, às 21h00.

Foto: DR

 

 

 

 

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