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Porto recebe segunda semana do FIMP com mais três espetáculos em agenda

O Festival Internacional de Marionetas do Porto entra na segunda semana da 37.ª edição depois de registar sessões esgotadas. “Mulher Luz”, das Marionetas do Porto, “O Capote”, da Alma d’Arame, e “Supersensible…”, da Cia. Mue Marionnettes, são algumas das propostas que se seguem.

“Transport Cargo”, a peça que o Teatro de Marionetas de Maribor, da Eslovénia e o seu “desdobramento” no domínio deste conceito temático-filosófico que Transport integra através de “Fasten Your Seat Belts”, pelo Teatro de Marionetas de Klaipeda, da Lituânia, e mais lá para o final da semana com “Connecting Flights”, por via do Teatro de Marionetas de Bialystok, da Polónia, constituem sem margem para quaisquer dúvidas um polo nuclear do menu de opções programático. Tin Grabnar, o mentor e criativo esloveno, responsável por todas estas peças e de outras três que se espera poderem vir ao Porto em futuras edições, conquistou o público do Porto. O mesmo se pode dizer da aposta no coletivo belga Compagnie Karyatides cuja aparição no Festival trouxe também uma qualitativa safra ao TeCA, com a apresentação de dois grandes clássicos: “Crime e Castigo” de Dostóievski e “Os Miseráveis” (que repete no dia 13, às 19:00), de Victor Hugo.

À parte os destaques da primeira semana, o fimp’26 prossegue agora com “Mulher Luz”, das Marionetas do Porto, uma incursão da icónica companhia fundada por João Paulo Seara Cardoso pelo universo poético de José Luís Peixoto, autor de que a referida estrutura teatral se socorre em termos de mote inspirador para “iluminar a figura feminina” aqui evocada. No seio dos escritos de Peixoto a dramaturgia sorveu livremente algumas passagens de A Casa, A Escuridão, isto para além de se ter servido de outros escritos do autor.

O espetáculo estabelece no respetivo decurso um cruzamento entre memórias, legados e histórias pessoais para criar uma cartografia poética sobre diferentes ritmos, lugares e gerações em Portugal. A encenação está a cargo de Paulo Duarte e a interpretação é da responsabilidade da atriz Micaela Soares, Vítor Gomes e Filipe Azevedo, decorre nos próximos dias 13 e 14 de outubro (terça e quarta) no palco do auditório do Teatro Campo Alegre.

“O Capote” é a proposta que junta em palco as companhias Alma d’Arame de Montemor-o-Novo e O Teatrão de Coimbra, esta última companhia a estrear-se no fimp. Nicolai Gogol é o denominador comum deste binómio criativo, o escritor nado no Império Russo é versado numa peça em que a abordagem se situa entre o riso e o desespero, um pequeno mundo ganha vida. Este espetáculo combina atores, objetos, marionetas e teatro de formas animadas para revelar o motor invisível de uma vida anónima, perdida num escritório/departamento qualquer: a solidão, o desejo de ser visto, a luta por um nome, um lugar ou um casaco novo.  Para ver na terça e quarta-feira, dias 13 e 14, no Pequeno Auditório do Rivoli.

O regresso da companhia Mue Marionnettes, oriunda de França, com “Supersensible – Ups perdi o meu corpo!”, traz de novo o ator Valerio Point ao fimp. Após L’étreinte, em 2018, este retorno é portador da nova criação da estrutura teatral sediada nas proximidades de Poitiers. Supersensible “constitui uma belíssima apropriação, uma visão contemporânea da marioneta de fios.” É um estudo quase onírico sobre a leveza do corpo, quase se poderia falar um pouco da obra de Milan Kundera sem que o autor aluda a isso nesta obra. É seguramente um espetáculo sobre a intimidade física e é também um convite à descoberta do corpo e das suas múltiplas transformações. A peça pode ser vista no Teatro do Bolhão, nos próximos dias 15 e 16 (quinta e sexta-feira) às 21h30.

“O Caminho do Burro” pela Historioscópio – Teatro de Marionetas será levado à cena no próximo dia 15, quinta-feira, no Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery. Este equipamento parceiro do fimp e que faz com que o Festival Internacional de Marionetas do Porto espalhe as suas malhas criativas para além da Invicta, acolhe dois espetáculos e dois workshops. A peça é na sua essência uma reflexão poética (e assaz divertida) sobre o conceito de liberdade, contada a partir da perspetiva de um burro que carrega o peso da sua própria história. A vida de um burro migrante e as circunstâncias que marcam a sua existência na demanda por uma busca melhor. Alguma analogia com a vida dos humanos?! Isso só vendo… E isso é possível através de sessões duplas e mistas, para público e escolas, às 10h30 e às 14h30.

A companhia lisboeta Formiga Atómica apresenta nesta edição fimp a peça “O Estado do Mundo (Quando Acordas)”. Uma reflexão sobre as implicações climáticas de pequenas ações que desencadeamos no quotidiano e sobre as quais não temos qualquer consciência do respetivo resultado. “Barrar o pão com manteiga ou juntar um cubo de gelo a um copo de limonada são gestos simples e sem impacto no planeta. Será mesmo assim? Até que ponto pequenas ações podem causar grandes consequências? Isso é o que os espetadores vão saber, caso se dirijam ao auditório do Teatro Carlos Alberto (TeCA) no próximo dia 15, quinta-feira, às 19h00.

Foto: DR

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