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Voluntários preparam “comida de conforto” para Hospital de Santa Maria em Lisboa

Sensibilizados com os profissionais e utentes que esperam horas dentro de ambulâncias à porta do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, um grupo de voluntários decidiu confecionar “comida de conforto”, preparando-se para entregar hoje 100 doses.
Com familiares e amigos na linha da frente do combate à pandemia da covid-19, Sofia Magalhães, autora do Blog da Spice, dedicado a receitas mais saudáveis, teve a experiência pessoal de perceber o impacto de uma simples refeição na vida de quem está mais atarefado. Daí surgiu a ideia de alargar o gesto de “miminho” à comunidade e “tentar levar um bocadinho de conforto a quem nesta fase está a dar o litro”, nomeadamente no Hospital de Santa Maria.
Com a ajuda da equipa da WEAT – Gastronomic Hubs, um espaço de vários tipos de cozinha para vários tipos de negócio gastronómico, que se localiza na Doca de Alcântara, em Lisboa, a ‘blogger’ juntou um grupo de voluntários para confecionar as refeições.
Depois do contacto com o Hospital de Santa Maria, o grupo propôs-se a fazer 50 refeições. O objetivo foi cumprido no primeiro dia de ação, que foi na quarta-feira, e as refeições “voaram”, conta à Lusa Sofia Magalhães, referindo que, além dos profissionais de saúde, a iniciativa pretende chegar a “todo o pessoal” que trabalha no hospital, nomeadamente bombeiros, seguranças e auxiliares.
Apostando na “comida de conforto, que aqueça o corpo e a alma, e que sacie um bocadinho quem está nestas situações”, a autora do Blog da Spice gostava de “escalar este modelo, de conseguir muito mais refeições, de reunir os apoios logísticos, de fornecedores, de pessoal, de tudo para fazer isto acontecer”, esperando ainda “servir de inspiração” para que a ideia seja replicada noutras zonas dos país.
Entre as cinco bancadas de cozinha do espaço da WEAT – Gastronomic Hubs, o chef Miguel Castro e Silva diz que se juntou ao grupo “um bocado por acaso”. Nas funções de ajudante de cozinha, o voluntário considera que a comida é “um mimo, uma lufada de ar fresco, de carinho”.
A tirar as peles aos pimentos assados, Miguel Castro e Silva adianta que a ementa tem dois pratos, um caril de grão e um pão com carne assada, o que “é certamente comida de conforto”. Além disso, há uma sobremesa, fatias de aveia com chocolate, feitas por Sofia Magalhães.
Inserido no espaço da WEAT – Gastronomic Hubs, com o restaurante Badochas, José Maria Gomes é outro dos voluntários em ação, que se juntou “por querer ajudar”, disponibilizando-se a ajudar até acabar o estado de emergência devido à covid-19, situação que tem afetado o negócio.
“Os restaurantes hoje em dia não estão a ter o mesmo débito de antigamente, é sempre preferível uma pessoa estar a trabalhar e estar ocupada, e assim está ocupada de uma maneira que é não só para nós que é para dar aos outros também, também sabe bem”, afirma José Maria Gomes.
Quanto ao número de voluntários, há “imensa gente” a querer participar, mas a organização do espaço, para manter a segurança sanitária, não permite muitas pessoas ao mesmo tempo, explica o gerente do restaurante Badochas, ressalvando que o movimento solidário quer ter o serviço de apoio “constantemente a funcionar”, o que pode acontecer através da rotação das equipas.
Sócio do espaço WEAT – Gastronomic Hubs, Frederico Carneiro disse que o Hospital de Santa Maria recebeu a iniciativa “de braços abertos”, porque precisam deste tipo de ações e estão abertos à continuação da iniciativa.
“Vamos tentar fazer 100 refeições hoje”, aponta o responsável do espaço de cozinha, acreditando que as necessidades são superiores e que à semelhança de quarta-feira, com a entrega de 50 refeições, o hospital tem destino para as mesmas e, se houvesse mais, teria “capacidade para as absorver”.
Em termos de apoio, a iniciativa tem contado com um conjunto de voluntários, inclusive de pessoas que trabalham no espaço WEAT. Quanto à matéria-prima, a cadeia de supermercados Lidl tem dado todos os ingredientes para a confeção dos alimentos, refere Frederico Carneiro.
Em relação ao futuro do projeto solidário, o grupo de voluntários perspetiva expandir o apoio, assim que tenha mais capacidade de recursos, por ter “perfeita noção de que há vários hospitais que têm, neste momento, necessidades de comida”.
Como uma verdadeira linha de montagem, os voluntários colocam as refeições em caixas e sacos, como nos serviços ‘take-away’, para fazer chegar ao hospital pelas 19:00.
Na tarde de hoje, o serviço de urgência do Hospital de Santa Maria registou uma fila de 40 ambulâncias, em que alguns dos utentes chegam a esperar várias horas até serem atendidos.
Na quarta-feira, o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte apelou à população para apenas recorrer de ambulância ao serviço de urgência dedicado ao SARS-CoV-2 do Santa Maria “em situações justificadas”, já que a unidade tem registado “picos de afluência”, revelando que “quase metade dos utentes são transportadores de ambulância, mas destes só 15% apresentam situações que justificam o recurso a uma urgência hospitalar”.
A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.176.000 mortos resultantes de mais de 100 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.
Em Portugal, morreram 11.608 pessoas dos 685.383 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.
A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

SSM (AFE) // MLS

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