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Feira do Livro do Porto acolhe vozes internacionais para debates contemporâneos na 13.ª edição
Escritores, poetas, dramaturgos e músicos de diferentes geografias integram a programação, reforçando o diálogo entre a literatura e diferentes formas de criação.
13 de agosto 2026

A Feira do Livro do Porto (FLP) prepara-se para dar um novo passo na sua história. Nesta que é a
sua 13.ª edição, o festival literário alarga horizontes e integra, pela primeira vez, um elenco de
convidados internacionais. Entre 21 de agosto e 6 de setembro, os Jardins do Palácio de Cristal
transformam-se num ponto de convergência de perspetivas urgentes, reunindo autores e artistas
vindos do Médio Oriente, da América Latina e de vários pontos da Europa para dialogar sobre
memória, corpo, liberdade e resistência.
A abertura ao exterior traduz a ambição do certame de posicionar a cidade no circuito das grandes
discussões da cultura contemporânea. Em ano de homenagem à poeta e portuense Inês Lourenço,
a FLP apresenta-se com uma programação alargada, integrando mais de 200 atividades. Entre as
muitas propostas, sublinha-se o “Ciclo de Conversas” que, entre vários nomes do panorama cultural
português, acolhe seis personalidades internacionais para um cruzamento entre a criação artística
e literária e a reflexão sobre desafios estruturais e civilizacionais da atualidade. As sessões
decorrem em diferentes dias e horários no auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett.
Elvis Guerra é a primeira dos convidados internacionais a marcar presença na Feira do Livro. A
poeta muxe de Juchitán de Zaragoza (México) é a protagonista da conversa “Transgeneridades: o
direito ao sonho”, no dia 27 de agosto, às 16 horas. Reconhecida pela sua obra poética e indígena
sobre questões de género e etnicidade, a convidada junta-se a Hilda de Paulo – artista
multidisciplinar que se assume como “ativista transfeminista” – para refletir sobre o direito das
transgeneridades ao sonho e a todas as visibilidades.
No dia seguinte, 28 de agosto, também pelas 16 horas, o festival literário recebe o poeta, escritor e
jornalista palestiano Mohammed El-Kurd. Apontado pela revista Time como uma das
personalidades mais influentes do mundo e autor do aclamado livro de poesia Rifqa, El-Kurd marca
presença na sessão “Escrita de Resistência: Palestina”, onde abordará o papel transformador e de
denúncia da literatura perante o conflito e a violência colonial. A sessão conta ainda com a
participação de Shahd Wadi, escritora, investigadora e tradutora palestiniana que vive em Portugal
desde 2006. Com um percurso ligado aos estudos feministas, à literatura e às artes, publicou, em
2025, Chuva de Jasmim, o seu primeiro livro de poesia. A atividade será conduzida em inglês com
tradução simultânea para português.
O debate sobre o feminino, o corpo e identidade ganhará novamente destaque na Feira do Livro do
Porto, no dia 29 de agosto, às 16h30, desta vez pela voz da poeta e artista franco-marroquina Rim
Battal. Autora de várias obras, publicou, no final do ano passado, Eu Me Verei Em Meus Olhos, um
romance de formação autobiográfico, que se assume como um grito de resistência contra o controlo
dos corpos femininos. É precisamente neste contexto que Battal se encontra com Teresa Coutinho,
atriz e encenadora portuguesa que assina a programação desta edição da FLP, para a conversa
“Corpo: espaço de poder e combate”. Pela primeira vez em Portugal, a escritora vai cruzar a escrita,
a performance e a reflexão sobre o corpo e identidade numa sessão que contará com tradução
simultânea de francês para português.
A dimensão performativa e dramática da programação internacional atinge um dos pontos altos no
último dia do mês de agosto, com a dramaturga e encenadora espanhola Angélica Liddell.
Galardoada com o Leão de Prata da Bienal de Veneza em 2013 e fundadora da companhia Atra
Bilis Teatro, a autora é uma das vozes mais viscerais do teatro europeu. Na Feira do Livro do Porto
vai protagonizar uma conversa dedicada às interseções entre a escrita poética e a conceção cénica.
A sessão, agendada para as 15 horas, será conduzida por Alexandra Moreira da Silva, professora
de Estudos Teatrais na Universidade Sorbonne.
A presença de convidados internacionais no “Ciclo de Conversas” da FLP conclui-se com a escritora
Marie Darrieussecq, uma das vozes mais relevantes da literatura europeia contemporânea. No dia
5 de setembro, às 15 horas, a autora encontra-se com o professor João Sousa Cardoso para um
diálogo em torno do seu percurso, focando-se na sua obra mais recente Não dormir. O momento,
que contará com tradução simultânea para português, vai protagonizar um relato íntimo sobre os
“anos de noites em branco em que viveu na fronteira radical entre a insónia crónica e a loucura”.
Ainda no âmbito da celebração multidisciplinar da Feira do Livro do Porto, a programação recebe
aquele que é o sexto nome internacional desta edição. O dia 4 de setembro ficará marcado pelo
espetáculo “Hand to Mouth” da Keeley Forsyth, cantora e atriz aclamada pela crítica pelo seu
trabalho no limite entre a música vanguardista e a spoken word. A artista chega ao Porto
acompanhada pelo seu colaborador de longa data, apresentando um conjunto de canções despidas
de artifícios, focadas essencialmente nos elementos mínimos da voz e do piano.
A par desta projeção global, a Feira do Livro do Porto reafirma o seu compromisso com a
diversidade cultural já enraizada na cidade e no país. O programa integra também autores e artistas
com trajetórias e contextos socioculturais plurais, nomeadamente da comunidade de países de
língua portuguesa residentes em Portugal, enriquecendo o ecossistema do festival. Exemplo disso
mesmo são personalidades como a escritora brasileira Tatiana Salem Levy que vai debater o papel
da arte na denúncia da violência de género, ou as brasileiras Íris Garcia, Inaê Moreira dos Santos
e Lucila Losito Mantovani que vão discutir as oralituras: conceito que funde a voz e o corpo à
literatura, ecoando a escrita vivida e a ancestralidade que marcam a obra de Conceição Evaristo.
Recorde-se que a Feira do Livro reúne 144 stands ao longo de 17 dias, contando com concertos,
apresentações de livros e também muitas atividades pensadas para adolescentes, crianças e
famílias. O ponto de encontro é, como habitualmente, os Jardins do Palácio de Cristal, numa edição
que além da assinatura de Teresa Coutinho, conta ainda com o nome de Helena Teixeira da Silva,



