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Festival Vodafone Paredes de Coura: os livros que fazem parte do Couraíso, em substituição dos telemóveis

No ano em que o Festival Vodafone Paredes de Coura apresenta como novidade uma parceira com a Wook, para trocar e emprestar livros, gratuitamente, pelos festivaleiros do recinto, a Agência de Informação Norte foi saber que obras são mais procuradas, que títulos e autores trazem os festivaleiros de casa para ler no Taboão e por que preferem a leitura ao skroll dos telemóveis.

O bucólico verdejante da praia fluvial do Taboão, serpenteado pelas folhas das árvores agitadas pelo vento e complementado pela banda sonora do chilrear de pássaros, convida a deitar na relva e usufruir da quietude.

Essa paz é interrompida, nos dias do Festival Vodafone Paredes de Coura, pela agitação de três mil campistas que, nesta altura, assentam arraiais nas margens do rio, pela algazarra dos saltos para a água, pelos gritos dos grupos dentro de água a jogar voleibol e por conversas múltiplas e sobrepostas entre os festivaleiros.

Mas, no meio desse frenesim, não é raro ver-se no recinto dezenas de pessoas, de livro na mão, compenetradas na leitura e a usufruir do seu momento de evasão proporcionado pelos livros. Este ano, os festivaleiros têm um motivo adicional para porem as leituras em dia, antes e depois dos concertos. A maior livraria online de Portugal, a Wook, está presente no recinto, com um stand móvel, no âmbito de uma parceria com o festival.

Carla Amaral, representante da Wook no Vodafone Paredes de Coura, explica, à Agência de Informação Norte, que, quem quiser, “pode chegar, requisita um livro para ler, sem custo algum, ou pode fazer uma troca”. Ou seja, a pessoa pode trazer “um livro que já leu ou que começou a ler, não gostou e parou de ler, par trocar por algum outro livro dos que estão na estante para trocas”. Quem preferir comprar, pode usufruir da promoção, com “desconto de 10 ou de 20% por livro”.

Acrescenta esta representante que “o projeto está a correr otimamente bem”, porque “as pessoas são muito adeptas da leitura” e a procura é notória, “não apenas entre os jovens, mas também entre os mais velhos”.

Entre os cerca de quarenta livros já emprestados pela Wook no recinto do festival, há muita “procura de livros de crescimento espiritual e de clássicos da Literatura”, mas também “já houve que tenha levado para ler «Sapiens – História Breve da Humanidade», de Yuval Noah Harari”.

Entre os títulos mais vendidos neste corner ao ar livre, alguns já esgotaram. É o caso de “Noites Brancas”, de Fiódor Dostoevsky, de “A Metaformose”, de Kafka, de “A morte de A Morte de Ivan Ilyich”, de Tolstói, e de “Siddhartha”, da autoria de Herman Hesse.

Fernanda Magalhães, 45 anos, residente em Santo Tirso, acompanha o Festival Paredes de Coura desde a primeira edição e considera que “a troca de livros é uma ideia muito interessante, porque permite que as histórias continuem a passar de mão em mão”.

Ela própria deixou no recanto da Wook “alguns livros que tinha trazido para o festival e que já tinha lido” e não tem dúvidas de que “a leitura também faz sentido num festival, que não se resume aos concertos”. Diz esta festivaleira que “também há espaço para outras formas de cultura, para a leitura e para a partilha”, até porque “num tempo em que estamos constantemente agarrados ao telemóvel, um livro ajuda-nos a desligar e a aproveitar o momento de outra forma”.

“A ideia do empréstimo no festival é brutal”

João Vaz, 18 anos, e Leonor Alves, 17 anos, namorados que vieram do Porto para acampar no Taboão, não sabiam da iniciativa da Wook, mas aplaudem o facto de “não ter de se pagar e poder-se fazer a troca de livros, gratuitamente, como se fosse uma biblioteca”.

Leonor trouxe para ler no festival duas publicações: “um livro chamado «Imagens do Teatro Contemporâneo», porque eu vou estudar teatro na faculdade, este ano em setembro, e estou a ler mais sobre a parte técnica do teatro”. A outra leitura que esta estudante quer concluir durante estes dias de festival é “um ensaio, chamado «Fascismo Nunca Existiu», que é sobre a evolução do Fascismo e também sobre o 25 de Abril, sobre a revolução, sobre o nosso povo ser um povo muito pacato, que não faz nada, que não tem iniciativa, que está como se estivesse numa ditadura”.

João considera que “a ideia do empréstimo no festival é brutal” e afirma que “esta brisa que vem do rio dá mesmo vontade de pegar num livro, numa revista, pegar em alguma coisa física e não estar a fazer skroll no telemóvel”.

Trouxe para o Paredes de Coura o livro “Amok”, da autoria de Stefan Zweig, porque “li um ensaio dele há pouco tempo e interessou-me, então comecei a ler este livro, que me foi recomendado pelo meu avô”. Trouxe, também “A insustentável leveza do ser”, de Milan Kundera, que “gostava de começar a ler neste festival, embora não tenha a certeza se vou ter tempo de o acabar”.

 

 

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