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Os Gipsy Kings trazem a magia do flamenco a Guimarães

Os ciganos espanhóis que fugiram para França, cantaram um dos seus maiores sucessos em italiano (Volare) e se tornaram num êxito mundial, voltam ao Multiusos de Guimarães.

Os Gipsy Kings (by Diego Baliardo) trazem ao Multiusos de Guimarães a “Tu Vera” tour – numa altura em que a sala vimaranense está a celebrar os seus 25 anos e a banda assinala mais de 35 de carreira – no dia 13 de novembro, pelas 21h30. A formação que se apresenta, em Guimarães, reúne dois músicos da banda original, o próprio Diego Baliardo e Canut Reys. Estes músicos são representantes das duas famílias que, entre o final da década de 70 e o início da década de 80 do século passado, se juntaram para fazer da música flamenca um fenómeno mundial, com temas como “Bamboléo”, “Djobi, Djoba” ou “Volare”.

Os Gipsy Kings surgiram da reunião do conhecido cantor de flamenco José Reyes e dos seus filhos, Canut e Nicolas, com os irmãos Baliardo (Diego, Paco e Tonino), sobrinhos e herdeiros musicais de Manitas de Plata, um famoso guitarrista de música cigana. Os Reyes trouxeram as inigualáveis vozes roucas e profundas e os Baliardo a mestria absoluta da guitarra a fazer ritmos ou a brilhar a solo. Inicialmente a banda tocava por todo o sul de França em casamentos, feiras, eventos privados e nas ruas. Foi quando foram descobertos pelo produtor francês Claude Martinez que o trajeto dos Gipsy Kings se encaminhou de forma imparável para o sucesso. Por influência de Martinez os Gipsy Kings tornaram a sua sonoridade mais acessível ao público em geral, misturando rumba com flamenco e indo buscar sonoridades à música latina e até ao rock e ao pop.

O segredo do sucesso mundial “Volare”

 Um dos grandes sucessos mundiais dos Gipsy Kings – “Volare” – é também um resumo do caldo cultural que dá forma a esta banda. Os Reyes e os Baliardo são ciganos catalães que fugiram para o sul de França, para escapar à repressão e aos combates da Guerra Civil Espanhola (1936-1939). Tipicamente cantavam em espanhol, mas no caso de “Volare” tomaram uma decisão genial: manter o refrão no italiano original. Assim nasceu o icónico “Volare, oh oh! Cantare, oh oh oh oh!”.

A música originalmente foi lançada no Festival de San Remo, em 1958, interpretada por Domenico Modugno, com o titúlo “Nel blu dipinto di blu”. A vitória no festival italiano garantiu-lhe o passaporte para o Eurovisão da Canção, onde não passou do 3º lugar. Todavia, a música acabaria por se tornar num fenómeno comercial planetário, tendo mesmo chegado ao topo da Billboard Hot 100 nos Estados Unidos, um feito raro para uma música cantada em italiano.

Em 1989, os Gipsy Kings pegaram no tema e fizeram dele um hino de festa. A balada pop-jazz para orquestra de Domenico Modugno foi acelerada, deixando de ser uma melodia sobre a beleza e o fascínio da possibilidade de voar, para passar a ser um convite a bailar, ao ritmo rápido das guitarras acústicas, das palmas e percussões. A tradução da letra para espanhol tornou-a acessível a um número muito maior de pessoas, mas a manutenção do refrão em italiano, manteve-a reconhecível para os que ainda se lembravam do sucesso de Domenico Modugno.

No alinhamento do concerto da “Tu Vera” tour, no Multiusos de Guimarães, vai constar “Volare”, “Bamboléo”, “Djobi Djoba”, mas também outras canções inesquecíveis como “Baila Me”, “Un Amor” ou “Bem Bem Maria”. Os bilhetes, com preços entre os 25 e os 40 euros, estão à venda em MEO Blueticket e na bilheteira do Multiusos de Guimarães.

Foto: DR

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