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Voluntários transformam moinhos de rodízio, em Jancido, Gondomar, em ex-líbris

Aliar boas práticas ambientais à preservação de património tradicional e paisagístico. É o desafio em que está envolvido um grupo de voluntários. Conservar os moinhos de rodízio, no ribeiro de Cai Águas, em Jancido, Gondomar, e proteger a envolvente é o que move um conjunto de pessoas que têm sido referenciadas por essas boas práticas ambientais.

Os oito moinhos de rodízio, ao longo do ribeiro de Cai Águas, em Jancido, junto ao rio Sousa, em Gondomar, continuam a ser recuperados por um grupo de amigos voluntários. O grupo, designado “Rapazes de Jancido”, pôs “mãos à obra” em 2016 para “recuperar e reconstruir os moinhos que estavam completamente em ruínas e para preservar e reflorestar, em simultâneo, a zona envolvente aos moinhos”, lê-se na nota de imprensa emitida por este grupo.

O objetivo é “conservar estas estruturas com mais de trezentos anos”, materializadas em “pequenos edifícios construídos em pedra de xisto ou granito e compostos por mecanismos acionados a água”, e “proteger as levadas e represas” que circundam os tradicionais moinhos de rodízio.

Estes moinhos “são alimentados pelo pequeno curso de água que vai adquirindo caudal com a afluência de água proveniente das nascentes existentes ao longo dos seus mil metros de curso, um curso de água afluente do rio Sousa, que desagua no paradisíaco lugar de Cai Águas”, acrescenta o comunicado. O ribeiro despenha-se numa pequena cascata, chamada “Cascata do Caiáguas”.

Este cenário tem deixado muitos visitantes rendidos à sua beleza, até porque o trilho em terra, ao longo do ribeiro, é envolto em vegetação muito verde e exuberante, a par da qual ouve-se o murmurar das águas, o chilrear dos pássaros, o coaxar de rãs e o uivar da brisa, conquistando qualquer amante da natureza.

Os moinhos de rodízio, distribuídos ao longo do já referido ribeiro de Cai Águas, “tinham como única função a transformação do milho e de outros cereais em farinha, para o fabrico do pão”. Durante a década de 1970, estes moinhos foram deixando de laborar, até porque o “aparecimento dos moinhos elétricos levaram ao abandono dos tradicionais moinhos de rodízio movidos a água”. Existem “memórias que a última volta aconteceu no ano de 1979”, refere a nota informativa.

O grupo de voluntários empenhado em manter este património acessível ao público tem feito “ações de voluntariado abertas à população”, tendo já participado nessas ações “cerca de sessenta  voluntários, capitalizando até à data 2950 horas de trabalho voluntário”. Esse trabalho tem sido documentado em fotografias pelo fotógrafo de natureza, realizador e produtor de vídeo, Paulo Ferreira, que faz parte do grupo.

De resto, este grupo de voluntariado tem  recebido algumas referências de boas práticas ambientais, pelos trabalhos de recuperação dos moinhos, pela preservação das florestas envolvente, pela plantação de árvores e arbustos autóctones e pela preservação da vida animal, como é o caso das salamandras lusitânicas, das salamandras de pintas amarelas, dos tritões e da rã ibérica.

Fotos: Paulo Ferreira

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