Notícias
Festival Cidnay Vale do Ave desperta com percussão ao amanhecer em Santo Tirso
Quando o sol ainda hesita no horizonte, a música já acorda em Santo Tirso. No próximo sábado, às 06h30, o Santuário de Nossa Senhora da Assunção recebe “Acordar”, concerto ao nascer do dia com o percussionista Agostinho Sequeira, no âmbito do Festival Cidnay Vale do Ave.
11 de setembro 2025

No próximo sábado, 13 de setembro, às 06h30, o Santuário de Nossa Senhora da Assunção, em Santo Tirso, será o cenário de um dos momentos mais simbólicos da 5.ª edição do Festival Cidnay Vale do Ave. Com entrada livre, o concerto “Acordar”, protagonizado pelo percussionista Agostinho Sequeira, propõe um início de dia onde música, paisagem e comunidade se encontram, numa experiência sensorial prolongada por um pequeno-almoço partilhado entre público e artistas.
A primeira luz do dia será acompanhada pelas vibrações de Birkhahn Studie, do compositor alemão Robin Hoffmann. Inspirada nos rituais de acasalamento do tetraz-macho, a peça constrói-se sobre texturas sonoras subtis, de uma precisão quase coreográfica. Segue-se Four Gardens, de Arnold Marinissen, um ciclo que desenha quatro jardins imaginários, cada um com a sua identidade rítmica e tímbrica. O concerto culmina com Rebonds, de Iannis Xenakis — obra maior do repertório para percussão solo —, onde a energia quase ancestral do ritmo se alia a uma arquitetura musical rigorosa, numa celebração do corpo, do espaço e da escuta.
Mais do que um concerto, trata-se de um momento de homenagem. A apresentação é dedicada a Rui Macedo, colaborador próximo do Festival entre 2021 e 2025, cuja memória se inscreve agora na programação de forma afetiva e simbólica.
O Festival continua nesse mesmo sábado, às 21h30, na Fábrica de Santo Thyrso, com o concerto “Ecos da Europa”, pelo Trio Dor. Partindo das raízes musicais do Leste Europeu, o grupo reinventa tradições através de uma linguagem simultaneamente rigorosa e emotiva.
No domingo, 14 de setembro, o evento expande-se ao Parque Urbano Sara Moreira com a performance Inuksuit, de John Luther Adams — uma obra concebida para dezenas de percussionistas ao ar livre. Sem palco nem lugares marcados, convida o público a deslocar-se livremente, construindo a sua própria escuta e relação com o espaço. Mais tarde, pelas 18h00, a programação regressa à Fábrica de Santo Thyrso com “Carta Branca”, encontro inusitado entre voz, percussão e acordeão, que dá nova vida a canções de Mahler e Vaughan Williams.
Sob o tema “Expressões de Tempo e Espaço”, a edição de 2025 do Festival Cidnay Vale do Ave tem vindo a decorrer desde 2 de setembro, cruzando os concelhos de Famalicão e Santo Tirso. Com 27 eventos programados até 20 de setembro, espalhados por 17 espaços, esta é a edição mais ambiciosa até à data, triplicando a duração do ano anterior e consolidando o festival como uma referência no panorama cultural do Norte e do país.
Entre jovens intérpretes, nomes consagrados e formatos artísticos que atravessam música, corpo e território, o Festival Cidnay afirma-se como um espaço onde a escuta se transforma em encontro — e o tempo, em matéria sensível de criação.



