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Feira das Colheitas destaca papel das mulheres e espera mais de 300 mil visitantes
Da lavoura aos cortejos, Arouca volta a reunir as tradições e os produtos da terra. A 82.ª Feira das Colheitas começa esta quinta-feira e prolonga-se até domingo, com desfiles de gado, concursos agrícolas e concertos de Ana Laíns, Diogo Piçarra, Rui Veloso e Zé Amaro. A organização espera mais de 300 mil visitantes.
24 de setembro 2026
Na primeira edição, a 22 de outubro de 1944, a feira ocupava apenas algumas centenas de metros da avenida principal e da Rua de Santo António. Arouca vivia os efeitos da Segunda Guerra Mundial. A deslocação de trabalhadores para as minas de volfrâmio e estanho tinha reduzido a mão de obra nos campos. Era preciso incentivar o regresso à lavoura e recuperar a produção. Oitenta e dois anos depois, a festa continua ligada ao gado, às colheitas e aos costumes da terra.
A edição deste ano é marcada pela «Voz de Mulher», num ano em que as Nações Unidas assinalam o Ano Internacional da Mulher Agricultora. Na abertura oficial, a presidente da Câmara Municipal de Arouca, Margarida Belém, vincou o papel feminino na história do concelho, evocando o Mosteiro de Arouca, a Rainha Santa Mafalda e as monjas, que tiveram um papel relevante “na construção deste território”. A autarca destacou ainda as Cantadeiras de Arouca, que “elevam bem alto o canto polifónico” do concelho, uma tradição que Arouca pretende ver reconhecida como Património Cultural Imaterial da Humanidade.
É na agricultura que começou o programa desta quinta-feira. Pela manhã, realizou-se o Concurso Nacional da Raça Arouquesa, no Terreno Sub-Ribes, enquanto no Polo Escolar de Moldes há vindima e pisa das uvas. Já na parte da tarde, decorreu uma oficina infantil dedicada ao Bolo do Augado. Seguindo-se o desfile de gado e a entrega de prémios. Também presente na abertura, o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, Álvaro Santos, salientou a dimensão e o significado do certame, considerando a Feira das Colheitas “uma das maiores celebrações” da identidade do Norte.
Durante quatro dias, os produtos do campo partilham as ruas da vila com o artesanato, as máquinas agrícolas e exposições ligadas à história e à cultura de Arouca. Há tasquinhas, um pátio de petiscos e atividades para crianças. Na sexta-feira, os concursos da broa caseira e do vinho verde antecedem uma noite de concertinas, baile e música. Diogo Piçarra atua às 23h, no Parque do Gondim, e o espetáculo de drones está previsto para as 00h15 de sábado, na Avenida 25 de Abril.
No sábado, a feira tradicional junta-se às chegas de carneiros e de bois, aos concertos das bandas musicais e a uma desfolhada com baile à moda antiga. Rui Veloso atua às 23h, no Parque do Gondim. No domingo, o desfile etnográfico leva carros de bois e o cortejo de açafates pelas ruas centrais da vila, a partir das 15h. Seguem-se os ranchos folclóricos e, à noite, o concerto de Zé Amaro, às 22h, na Praça Brandão de Vasconcelos. A última sessão de fogo de artifício está marcada para as 23h30, na Praça do Município.



