Economia

Feira: Ecco encerra fábrica deixa 632 trabalhadores sem emprego

A multinacional dinamarquesa de calçado Ecco anunciou esta segunda-feira o encerramento definitivo da fábrica de São João de Ver, em Santa Maria da Feira, numa decisão que afeta 632 trabalhadores. A medida integra um processo de reestruturação internacional do grupo.

A decisão foi comunicada aos trabalhadores durante uma reunião realizada esta segunda-feira, 2 de novembro, quando a produção já se encontrava suspensa. O encerramento será gradual, com alguns funcionários a permanecerem ao serviço para assegurar as operações necessárias à desativação da unidade. Segundo a presidente do Sindicato do Calçado, Fernanda Moreira, o esvaziamento das instalações deverá ficar concluído no primeiro trimestre de 2027.

A empresa justifica a decisão com a necessidade de ajustar a capacidade produtiva à procura. Segundo a informação transmitida aos trabalhadores, a Ecco dispõe de uma capacidade de produção 65% superior às necessidades decorrentes das vendas.

O encerramento da fábrica portuguesa faz parte de uma reorganização que inclui também o fecho de uma unidade no Vietname, com cerca de 1400 trabalhadores, e a possibilidade de eliminar aproximadamente 400 postos de trabalho em funções regionais e globais do grupo, incluindo na Dinamarca.

À RTP, Fernanda Moreira alertou para o impacto social do encerramento, sobretudo pela existência de famílias com vários elementos empregados na fábrica. A dirigente sindical criticou ainda decisões estratégicas da multinacional, nomeadamente a manutenção da atividade no mercado russo.

A notícia surpreendeu os trabalhadores. Uma funcionária contou que, ao receber a convocatória para a reunião, admitiu que pudesse estar em causa a eliminação de um turno, mas não o encerramento da unidade. “Se calhar era mais o coração a pensar, porque gostávamos de trabalhar aqui”, afirmou, lamentando ser “triste acabar desta forma”.

Quanto às indemnizações, o sindicato adiantou que os trabalhadores deverão receber o equivalente a um salário por cada ano de serviço, uma compensação que considera superior ao mínimo legalmente previsto. A empresa comprometeu-se a cumprir as obrigações laborais e a avaliar medidas adicionais de apoio aos funcionários.

A fábrica de Santa Maria da Feira já tinha interrompido a produção em 2009, mantendo em funcionamento a área de protótipos. A atividade produtiva foi retomada em 2012, na sequência de problemas registados na unidade da multinacional na Tailândia.

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