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“Casa Alheia” leva o universo de Bernardo Soares ao Theatro Circo de Braga
Um escritório, as ruas de Lisboa e um quarto. Três espaços, uma personagem e uma viagem entre a realidade e a imaginação. É neste universo que se desenvolve “Casa Alheia”, uma criação musical do compositor Francisco Fontes, que será apresentada no Theatro Circo, em Braga, no próximo dia 20 de novembro, às 22h30, no âmbito do Festival Utopia 2026.
6 de novembro 2026

Bernardo Soares, figura criada por Fernando Pessoa, está no centro desta obra que cruza a ópera e o teatro musicado. Em palco, o ator André Clara Lopes dá corpo e voz à personagem, numa criação que conta com a participação dos Drumming GP e da Sinfonietta de Braga.
A narrativa acompanha o quotidiano de Bernardo Soares entre o escritório, as ruas de Lisboa e o quarto onde vive. São estes os três espaços em torno dos quais se desenvolve a obra, numa viagem pela consciência, pela identidade, pela memória e pelo sonho. A música constrói e desconstrói esses ambientes, acompanhando o caráter fragmentário do universo literário que inspira a criação.
De um lado, o contabilista. Do outro, o escritor de uma “autobiografia sem factos”. É neste contraste que assenta a dramaturgia de “Casa Alheia”, onde a escrita e a imaginação se cruzam com o quotidiano, colocando em causa as fronteiras entre o real e o imaginado.
Concebida para um ator, duas cantoras e um conjunto instrumental composto por 11 cordas, quatro percussionistas, celesta, piano e harpa, a obra está organizada em seis dias, distribuídos por 24 episódios e um epílogo.
Mais do que transportar para o palco o universo literário de Bernardo Soares, Francisco Fontes propõe uma reflexão sobre a identidade, a memória e a fragilidade das certezas. A partir de uma figura que existe apenas na imaginação literária, a criação explora a relação entre realidade e ficção, entre o quotidiano e o extraordinário.
Natural de Braga, Francisco Fontes nasceu em 1993 e tem desenvolvido o seu percurso na área da música contemporânea e da ópera. Estudou trombone e composição no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga, licenciou-se na Escola Superior de Música de Lisboa e concluiu o mestrado e o doutoramento em Composição de Ópera na Guildhall School of Music and Drama, em Londres.
É autor de obras como “The Parrot House”, “Maria Magola”, “Theatro – um ensaio geral” e “Manifesto”. Ao longo da carreira, foi distinguido com o Prémio de Composição SPA/Antena 2, em 2019, e com o Prémio de Composição António Fragoso. É também fundador e diretor artístico do Festival Informal de Ópera.
Foto: DR



