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Vodafone Parede de Coura: mais uma voltinha divertida dos Unsafe Space Garden

Um mini concerto intimista, de meia hora, à porta de uma capela. Aconteceu, esta tarde, com os Unsafe Space Garden a protagonizarem uma partilha cúmplice e bem humorada com cinquenta espetadores. A banda natural de Guimarães, que já tem quatro trabalhos discográficos editados, foi mais uma que aderiu às sessões de música com artistas emergentes, promovidas pela Vodafone, em locais improváveis, fora do recinto do Festival Vodafone Paredes de Coura, mas integrando a própria programação do evento.

“Sabia que a vida não é uma merda? Para saber mais, contacte: unsafespacegarden@gmail.com”. A frase, escrita num cartaz, em frente à capela de São Francisco e Srª da Pena, da freguesia de Castanheira, em Paredes de Coura, deu o mote para trinta minutos de humor, de piadas e de boa disposição protagonizados pela banda Unsafe Space Garden, numa prestação irreverente e vibrante.

Este sexteto que tinha atuado ontem, ao final da tarde, no palco  BacanaPlay do Festival Vodafone Paredes de Coura, participou ao início da tarde desta quinta-feira na segunda Vodafone Music Session, para partilhar seis músicas com um público restrito. Estes mini-concertos, em locais imprevisíveis e improváveis, com artistas emergentes, têm na audiência apenas cinco dezenas de pessoas, previamente escolhidas pela promotora do festival, nos parques de campismo dos festivaleiros. Os participantes são transportados, em autocarros, pela organização até ao local do concerto, sendo esse destino revelado apenas quando as pessoas já lá estão.

Esta tarde, apenas dois dos elementos da banda de Guimarães atuaram nesta sessão intimista e divertida. Nuno Duarte (guitarra e voz) e Alexandra Saldanha (voz e teclados) apresentaram-se de verde claro, com tranças no cabelo dele e riscas vermelhas de índia no rosto dela, para “Another breaking moment”, como se lia num outro cartaz pintado à mão e colocado por trás deles.

E foram, de facto, momentos de ruptura e de desconstrução cénica e performativa que esta dupla proporcionou aos presentes no átrio daquela capela de estilo barroco com vista para a Paisagem Protegida do Corno de Bico. Logo depois da primeira interpretação, Alexandra disse “esta música não tem nome e vai continuar no desconhecimento, para momentos especiais como este”. O público reagiu com risos e aplausos. Seguiu-se “Grown ups” e “Já não há pachorra”. Antes de interpretar “How beatiful life is”, Alexandra voltou a receber aplausos de apoio da plateia, ao dizer: “obrigada por serem simpáticos e ignorarem que estamos cansados e sem voz, depois do concerto de ontem. E é por estarmos cansados e sem voz que preferimos ignorar isso e estar aqui com vocês”. Seguiu-se a canção “Mais uma voltinha”, que mereceu da vocalista uma exclamação: “tocar uma vez em Paredes de Coura é lindo. Agora, tocar duas vezes é indescritível”. A curta atuação terminou ao som de “Sega for Júlia”, uma canção que o grupo já “não tocava há seis anos”. Arriscar tocá-la também se justifica pelo facto de, como assumiu Nuno Duarte, em declarações à Agência de Informação Norte (AIN), este ter sido “definitivamente o concerto mais intimista” que a banda já teve. Alexandra acrescentou que “ontem não fazíamos ideia que vínhamos aqui hoje, então gastámos absolutamente as pilhas todas, pelo que a voz não está lá, mas esteve”.

Estreantes no Festival Vodafone Paredes de Coura, os Unsafe Space Garden assumem que “tocar num evento desta dimensão significa alguma coisa, quer para os artistas, quer para os espectadores e dá uma noção do que é fazer isto da música”. Alexandra acrescenta que “há mesmo muita gente que guarda a experiência da música para momentos como este, momentos de festival, em particular o Paredes de Coura”. E complementa dizendo que “aqui tem-se um ecossistema maravilhoso, de todo o tipo de pessoas, que se encontram para a música e pela música, pelo que isto é uma oportunidade espetacular de cruzar com grupos de pessoas que, de outra maneira, talvez nunca nos encontrariam, porque somos um pouco estranhos”.

Sobre o facto de o grupo cantar em português e em inglês, Alexandra confessa que se sente “mais exposta a cantar em português”. Admite que, talvez seja “uma coisa que inventamos nas nossas cabeças, mas é como me sinto”.

A dupla contou também à AIN que está a preparar um novo disco e usou a “metáfora do padeiro” para dizer que “estamos no processo de vigiar com muito carinho a fermentação lenta, do nosso próximo trabalho”. Nuno assume “estamos mesmo muito focados em que aquela massa seja deliciosa, quando sair do forno”, garantindo, ainda, que “será muito em breve”.

Os Unsafe Space Garden formaram-se em 2018 e têm-se afirmado como uma das bandas mais interessantes dos pequenos circuitos musicais em Portugal. O grupo mistura a sua peculiar forma de protesto existencial recorrendo ao humor, ao absurdo, às cores vivas e às confissões intimistas, para comunicar de uma forma ímpar com o público.

O projeto começou na casa de Alexandra Saldanha e de Nuno Duarte. O sexteto, natural de Guimarães, lançou, em 2019, o EP “Bubble Burst”, apenas com cinco músicas. Um ano depois, editou o primeiro LP, “Guilty Measures”, no qual explorou a excentricidade cómica pela qual os Unsafe Space Garden são conhecidos. Em 2021, editaram “Bro, You Got Something in Your Eye – A Guided Meditation”, um disco sobre a espiral existencialista, que reflete sobre a vida e o nosso propósito no mundo. Em 2023, o álbum “Where´s the ground” versou sobre a importância de ter uma comunidade de pessoas à nossa volta, que se tornam o nosso chão, quando a vida adulta nos deixa desamparados.

Os Unsafe Space Garden são compostos por: Nuno Duarte (guitarra e voz), Alexandra Saldanha (voz e teclados), Filipe Louro (baixo), Diogo Costa (eletrónica), José Vale (guitarra) e Pedro Vasconcelos/João Cardita (bateria).

O próximo concerto intimista Vodafone Music Session é amanhã e será com uma banda estrangeira, cuja identidade o público só saberá no próprio dia. Os interessados devem apanhar o autocarro às 14:30, em frente às bilheteiras do festival e deixarem-se levar, à descoberta, até ao local do espetáculo.

 

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