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Entre profissões exigentes e a vida em casa. Três mulheres relatam como equilibram trabalho e família

Três profissões distintas, três cidades do Norte e um desafio comum. No Dia Internacional da Mulher, que se assinala este domingo, uma médica em Gaia, uma administrativa no Porto e uma trabalhadora da limpeza em Braga descrevem como conciliam jornadas profissionais exigentes com a gestão da vida familiar.

Em Vila Nova de Gaia, Ana Martins, médica internista de 39 anos, admite que a profissão raramente permite dias previsíveis. O ritmo do trabalho e as necessidades dos doentes prolongam frequentemente os horários.
“A medicina exige uma disponibilidade constante. Há dias em que o horário se prolonga e é preciso reorganizar tudo em casa”, afirma.
Mãe de dois filhos em idade escolar, explica que a articulação entre profissão e família exige antecipação. “Muitas vezes deixo as coisas preparadas de véspera. Isso ajuda a que o dia comece com menos pressão e permite manter a rotina da família”, refere.
Ana Martins observa que a presença feminina na medicina se tornou cada vez mais expressiva, embora persistam desafios na conciliação com a vida familiar. “Há cada vez mais mulheres na medicina, em diferentes especialidades. Ainda assim, muitas continuam a assumir uma parte significativa da organização da vida familiar”, nota.

No Porto, Carla Ferreira, administrativa de 35 anos numa empresa de serviços, descreve um quotidiano dividido entre o escritório e as tarefas domésticas.
“O trabalho termina ao fim da tarde, mas quando chego a casa há sempre mais para fazer. Entre preparar o jantar, acompanhar os trabalhos da escola e tratar da casa, o dia prolonga-se”, relata.
Para a administrativa, a organização do dia tornou-se indispensável. “A chave está na partilha e na organização. Sem isso torna-se difícil manter tudo equilibrado”, sustenta.
Carla Ferreira sublinha também a importância do emprego para a autonomia das mulheres. “O trabalho dá independência e estabilidade. Para muitas mulheres isso é determinante”, afirma.

Em Braga, Maria da Conceição Silva, de 53 anos, trabalha na limpeza de prédios residenciais há mais de duas décadas. A jornada começa cedo e passa por vários edifícios ao longo da cidade.
Começo por volta das sete da manhã e vou passando por diferentes prédios. É um trabalho físico, mas sempre procurei organizar os horários para acompanhar a família”, conta.
Quando os filhos eram mais novos, explica, a prioridade passava por garantir presença nos momentos essenciais do dia. “Tentava terminar mais cedo para estar em casa quando chegavam da escola. Nem sempre era fácil, mas fazia parte das prioridades”, recorda.
A trabalhadora defende que estas funções continuam muitas vezes pouco reconhecidas. “É um trabalho discreto, mas necessário para manter os espaços em condições”, afirma.

No Dia Internacional da Mulher, Maria da Conceição Silva considera importante reconhecer o percurso feito pelas mulheres no mundo do trabalho. “Hoje há mais oportunidades e mais mulheres em muitas profissões. Ainda há desafios, mas houve mudanças”, resume.

Apesar das diferenças entre profissões e contextos, as três histórias revelam uma realidade comum a muitas mulheres. Entre horários prolongados, responsabilidades familiares e gestão do quotidiano, a conciliação continua a exigir organização, adaptação e persistência.

Fernanda Castro

 

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