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Deftones encerram MEO KALORAMA num dia marcado pelas sonoridades mais pesadas

O último dia do festival reuniu nomes como Deftones, Turnstile, High Vis e Peaches, num cartaz marcado pela intensidade, pela energia do público e pelas sonoridades mais pesadas e alternativas.

O último dia do MEO KALORAMA contou com grandes nomes internacionais e nacionais, bem como muitas bandas em ascensão. A roupa preta foi a escolha favorita dos festivaleiros, muitos deles presentes para ver Deftones, Turnstile e High Vis. Mais uma vez, o calor fez-se sentir, tornando a tarde particularmente exigente para quem passou várias horas no recinto.

Com a sua estreia nacional, Panic Shack, com o seu garage punk rock e as suas coreografias, trouxeram muita diversão ao Palco Sagres. Com o incentivo da banda, o público não se manteve à sombra no pico do calor, havendo mesmo mosh. Tocaram temas como “The Ick”, “SMELLRAT” e “Who’s Got My Lighter”.

Depois de uma passagem pela KEXP, nos Estados Unidos da América, os bracarenses Travô, que têm vindo a ganhar cada vez mais destaque na cena alternativa nacional, mostraram o crescimento que têm tido nos últimos anos e a capacidade de conquistar novo público. Quem ainda não os conhecia saiu conquistado pelo concerto, marcado por mosh e muita energia, no qual até figuras improváveis, como Jesus e duas bananas, acabaram por aparecer.

Com apenas duas horas de sono, depois de quatro concertos consecutivos, os ingleses High Vis chegaram ao recinto sem deixar que o cansaço afetasse a ligação com o público. Um concerto que teria beneficiado de um palco mais próximo, como o Sagres, sobretudo tendo em conta a forma como a banda costuma interagir diretamente com o público e até juntar-se a ele durante os concertos.

Do Canadá, Peaches trouxe a rave e o electroclash, com coreografias provocadoras que refletem a sua abordagem livre e descomplexada ao corpo e à sexualidade. Ativa desde os anos 90, a artista mantém a energia irreverente que marcou a sua carreira, acompanhada por letras atrevidas e uma forte componente performativa. O concerto contou ainda com a participação do vocalista dos Turnstile em “Fuck the Pain Away”, o tema mais conhecido da artista.

Depois de alguns anos no underground, os Turnstile são hoje uma das bandas que mais tem crescido dentro do hardcore, punk e rock, recebendo finalmente o reconhecimento que merecem. Foi o concerto mais energético do festival, com copos a voar e pessoas a saltar logo após a primeira nota. A fronteira entre banda e público tendia a desaparecer, com o vocalista Brendan Yates a aproximar-se várias vezes da multidão e a fazer, ele próprio, crowd surfing. Apesar da intensidade, houve também momentos mais calmos e melódicos, mostrando a capacidade da banda de cruzar diferentes sonoridades sem perder a energia que a caracteriza. A intensidade dos fãs levou ainda a uma atenção reforçada por parte da equipa de segurança.

A noite terminou com os Deftones, uma das bandas mais singulares associadas ao nu-metal. Fãs fiéis esperavam por eles junto às grades desde a abertura das portas. Melancolia, intensidade e atmosfera marcaram o concerto. A intensidade da banda não está apenas no som, mas também nas letras, onde desejo, vulnerabilidade, isolamento e relações turbulentas são explorados através de imagens abstratas e evocativas, reforçando o contraste entre a brutalidade da música e a sua dimensão emocional.

Uma despedida intensa para três dias de festival, com um último dia marcado por guitarras pesadas, ritmos acelerados, melodias intensas e uma forte presença da música alternativa. Do início ao fim, o público acompanhou um cartaz especialmente direcionado para sonoridades mais agressivas, encerrando com os Deftones a deixar uma última nota mais sombria e emocional. Ficamos a aguardar, com expectativa, a edição do próximo ano.

Texto: José Martins
Fotos: Beatriz Henriques

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