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MEO Kalorama arranca entre gerações, estilos e grandes nomes

Do ambiente intimista de Maro à energia de Interpol, Grace Jones e Robbie Williams, a primeira noite do festival cruzou diferentes sonoridades no Parque da Bela Vista.

Arrancou ontem, dia 28, no Parque da Bela Vista, em Lisboa, o MEO Kalorama, com um cartaz muito eclético. Entre artistas nacionais e internacionais, diferentes géneros e públicos, o primeiro dia trouxe uma programação bastante variada.

Folk Bitch Trio abriram o Palco MEO, diretas do aeroporto. Chegam de Melbourne, na Austrália, com três guitarras ao peito, vozes harmonizadas e letras agridoces que deixam uma pessoa sentida. Ideal para um final de tarde no parque.

De um universo paralelo, onde as únicas cores são o dourado, o preto e o branco e as formas predominantes são os círculos e os triângulos, chegam Angine de Poitrine, que superaram expectativas já elevadas. Com o seu dialeto próprio e roupas fora deste mundo, às quais o público fez questão de vir a condizer, trouxeram-nos loops de riffs microtonais pesados, ritmos contagiantes e uma bateria com compassos particulares. Cativaram dos mais novos aos mais velhos e fizeram sentir os aplausos do outro lado do Tejo.

Enquanto a tarde dava lugar à noite e a lua cheia começava a tomar conta do Parque da Bela Vista, Maro, natural de Lisboa, veio aquecer-nos o coração com uma voz que parece um cobertor quente, numa noite em que já se fazia sentir uma brisa fresca. Trouxe-nos temas do seu novo álbum de 2026, “So Much Has Changed”, assim como temas mais antigos, sempre com um sorriso no rosto. Maro trouxe um momento mais íntimo e emocional, criando uma mudança de ambiente que se sentiu no público.

Logo a seguir, veio um dos grandes nomes do post-punk revival: os Interpol. De slick back hair, Paul Banks trouxe-nos aquele timbre inconfundível, acompanhado, como sempre, pelas guitarras e pela bateria post-punk. Com um novo álbum lançado no próprio dia, não podiam deixar de mostrar algumas das novas músicas, assim como êxitos já conhecidos, como “Rest My Chemistry” e “Evil”.

Como não podia faltar, Grace Jones, a icónica atriz, modelo e cantora jamaicana, atuou no Palco Sagres. Apesar de um pequeno atraso, nem o público nem a energia que trouxe a palco foram afetados. Já com quase 50 anos de carreira, trouxe todo o groove possível, assim como vários visuais e adereços dignos de um verdadeiro ícone da moda.

Cabeça de cartaz, Robbie Williams não precisou de apresentações, começando logo com “I’m Robbie FU**ING Williams”.  Abriu com “Let Me Entertain You” e, apesar do frio, não deixou que isso o impedisse de dar um espetáculo memorável. Muito ativo em palco, com uma grande cenografia e coreografias, tirou algum tempo entre músicas para contar histórias e fazer piadas, muitas delas dirigidas a quem o acompanha desde os anos 90. Com uma forte componente de entretenimento, cativou do início ao fim, mostrando que não é apenas o “fat guy from Take That”.

O primeiro dia do MEO Kalorama terminou assim, com um cartaz que foi saltando entre estilos e ambientes, numa noite longa e eclética, com espaço para diferentes gerações encontrarem o seu lugar no Parque da Bela Vista.

O MEO Kalorama continua este sábado, com Ms. Lauryn Hill, acompanhada pelos convidados especiais Wyclef Jean, YG Marley e Zion, como um dos principais destaques do cartaz. Sam The Kid com Orquestra e Orelha Negra, Ravyn Lenae, Vince Staples e Dry Cleaning estão também entre os nomes que vão passar pelos palcos do festival.

Texto: José Martins
Fotos: Beatriz Henrique

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