Cultura

Museu Soares dos Reis lança ciclo de oficinas que cruza arte do século XIX e ofícios tradicionais

Um ciclo de oficinas que aproxima pintura e escultura do século XIX aos ofícios tradicionais portugueses vai decorrer ao longo de 2026 no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto. A iniciativa dirige-se à comunidade e propõe atividades que cruzam análise de obras da coleção com experiências práticas conduzidas por artesãos.

Em nota de imprensa, o Museu Nacional Soares dos Reis revela que o ciclo “Gerações Criativas: Retratos de um Ofício” pretende promover um diálogo entre obras da pintura e escultura académica e saberes tradicionais como a renda de bilros, a olaria, a cestaria ou o bordado.

A proposta parte de peças presentes na exposição de longa duração e dos jardins envolventes do museu. A instituição sustenta que o projeto procura igualmente sublinhar o contributo do museu para a Agenda 2030 das Nações Unidas, incentivando a reflexão sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a redução da pegada ecológica individual.

Integrado no tema orientador da programação do museu para 2026 – “Cruzamentos Artísticos” –, o ciclo convida os participantes a revisitar o século XIX, período marcado por transformações artísticas e sociais profundas. O objetivo passa por estabelecer pontes entre obras da coleção e os gestos e técnicas dos ofícios tradicionais representados.

Entre as referências utilizadas nas oficinas estão obras como “Interior – rapariga a fazer renda de bilros”, de Sofia de Souza, “Louças de Barcelos”, de Eduardo Viana, “A Filha dos Condes de Almedina”, de António Soares dos Reis, e “Entre o almoço e o jantar ou interior (costureiras trabalhando)”, de Marques de Oliveira.

A atividade desenvolve-se em dois momentos complementares. Numa primeira fase, dedicada à análise orientada das obras, aborda-se a dimensão estética e social das representações. Segue-se uma oficina prática conduzida por artesãos ou mestres locais, permitindo experimentar técnicas associadas aos ofícios retratados.

Segundo o museu, a proposta pretende sublinhar que a criação artística também se manifesta no trabalho manual e nos gestos transmitidos entre gerações.

O ciclo prevê uma oficina por trimestre. A primeira sessão está marcada para 28 de março, às 15h00, e será dedicada à renda de bilros, a partir da obra “Interior – rapariga a fazer renda de bilros”, de Sofia de Souza.

Nos meses seguintes estão previstas oficinas centradas na olaria, em junho, inspirada em “Louças de Barcelos”, de Eduardo Viana; na cestaria, em setembro, a partir de “A Filha dos Condes de Almedina”, de António Soares dos Reis; e no bordado, em dezembro, inspirado na obra “Entre o almoço e o jantar ou interior (costureiras trabalhando)”, de Marques de Oliveira.

De acordo com a instituição, estas oficinas combinam componente prática e enquadramento teórico, procurando valorizar a aprendizagem pela ação e afirmar o museu como espaço de encontro entre arte, memória e transmissão de saberes.

Foto: DR

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