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Vodafone Paredes de Coura: sensibilidade e energia de Zaho de Sagazan numa primeira noite lotada

Empatia, emoção, distinção e energia. Foram os atributos que Zaho de Sagazan partilhou com o público do Festival Vodafone Paredes de Coura, no primeiro grande concerto desta primeira noite de música. Com o recinto lotado, a francesa partilhou com o público português o seu lado mais sensível e intimista.

Arrancou esta quarta-feira, nas margens do rio Coura, a 32.ª edição do Festival Vodafone Paredes de Coura. A Praia Fluvial do Taboão voltou a acolher um dos eventos mais emblemáticos do verão nacional, com lotação esgotada. Sob um sol escaldante, que se fez sentir durante a tarde, os festivaleiros aguardaram com animação e descontração pelas atrações musicais da noite.

A francesa Zaho de Sagazan arrancou o primeiro grande aplauso, naquela que foi a primeira grande atuação desta noite, durante  o dançável “Tristesse” para, ao longo de cerca de uma hora e meia de atuação, mostrar que não há lugar para tristezas. A voz de veludo metálico da cantora transportou para o recinto a sensualidade melódica da língua francesa com a energia e a brisa de uma bonita noite de verão, transformando o concerto numa festa familiar e numa pista de dança, coordenada com corpos do público a abanar de um lado para o outro.

Zaho misturou frases em francês e em inglês, dirigidas à plateia, e, antes de interpretar a belíssima canção de embalar “La Symphonie des Éclairs”, muito aplaudida pela assistência, disse “choro muito”, enfatizou “sou muito sensível” e partilhou com a assistência que “ser sensível é estar vivo” e que mudou quando, uma vez, se sentou “a chorar ao piano”.

Durante a interpretação desta balada, Zaho de Sagazan debruçou-se sobre as grades do relvado, passou o microfone a um jovem que cantou alguns versos da música e que subiu ao palco com ela. A artista repetiu o gesto com uma rapariga da plateia, que também cantou alguns versos em francês, e abraçou algumas pessoas da multidão, colocando às costas uma bandeira alusiva à comunidade LGBT, que alguém lhe entregou.

A intensidade e a atitude distinta de Zaho transformou o espetáculo num verdadeiro manifesto de intimidade profunda, com batidas musicais ora mais nostálgicas, ora mais fortes, como se ouviu em “J’aimerais faire l’amour avec toi”. No refrão “Hab sex, sex, sex, sex” desta música, os braços ao alto e as palmas do público acompanharam a canção, enquanto a artista convidava os fãs a dançar e a mostrar as mãos. De seguida, a francesa engatou um cover de “Modern love”, um clássico de David Bowie, com que terminou o concerto. O público, entusiasmado, cantou em uníssono e festejou o amor moderno, mais uma vez, com braços no ar. Zaho de Sagazan, rendida à recetividade que teve em Paredes de Coura, manifestou-se “feliz e emocionada” por uma “noite incrível”.

Foto: Hugo Lima

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