Espetáculos Nacionais
Marés Vivas: estreia dos Take That em Portugal com pastéis de nata e casa cheia
Surpresa na primeira noite do festival Marés Vivas, em Vila Nova de Gaia: os Take That, que tocaram pela primeira vez no nosso país, lotaram o recinto e eles próprios ficaram admirados por isso. A boysband britânica rendeu-se à entrega do público português, simulou um pic-nic, distribuiu pastéis de nata pela assistência e prometeu regressar a Portugal.
20 de julho 2024
Os Take That não estavam à espera de uma receção tão calorosa e entusiasta do público, muito menos com casa cheia, no concerto de estreia em Portugal. Isso mesmo deu a entender Mark Owen, um dos membros da banda britânica que abriu o concerto da primeira noite de Meo Marés Vivas ao som de “Greatest Day” e de “Giants”. Revelou o cantor que “quando nos convidaram para vir a Portugal, perguntámos: Portugal?!”. O público riu, um riso de troça, como que a dizer ao trio inglês “vocês não conhecem mesmo o público português, muito menos o fervoroso público nortenho”. Entre aplausos, estava dado o mote para o primeiro agradecimento do trio aos presentes, agradecimento repetido, múltiplas vezes ao longo da noite.
Já os acordes de “Shine” se ouviam e o grupo, vestido de negro brilhante e branco, acertava os passos na primeira de várias coreografias, durante as quais esta boysband mostrou que, apesar do passar dos anos, não perdeu o jeito, nem a afinação vocal. Muito pelo contrário: o cruzamento e simbiose de tons continua a ser melodia para os ouvidos e a sincronia de passos e de movimentos corporais comprova que os rapazes não têm faltado aos treinos. Os fãs, de braços erguidos, a ondular ora para a esquerda, ora para a direita, acompanhavam o som da música e da coreografia. Gary Barlow, outro elemento do grupo, reconheceu o entusiasmo da plateia com um renovado “obrigada por terem vindo” e sentou-se ao piano para tocar “A million love songs”.
Nesta primeira atuação em Portugal, integrada na digressão europeia “This life under the stars”, que promove o recente álbum “This Life” (lançado em novembro de 2023), os Take That, grupo formado em Manchester, Inglaterra, em 1990, transportaram o público numa viagem pelo tempo e pelos nove álbuns que já editaram. Ouviram-se os grandes êxitos da banda, incluindo o clássico “How deep is your love” (um original dos Bee Gees, de 1977), o hit “Patience” e o tema “Windows”, do mais recente disco, “This life”. Um novo álbum de originais que, cinco anos depois do anterior trabalho, voltou a reunir Gary Barlow, Mark Owen e Howard Donald, com canções que falam de como emergir da escuridão para a luz e que representam uma nova era para esta que foi uma das bandas que mais vendeu na história da música da Grã-Bretanha. E se, no novo disco, os Take That assinalam esta nova era com criatividade e desafio, em palco, continuam a mostrar energia, alegria, vivacidade e ainda conseguem surpreender e dar mostras de cortesia.
Brindar a Portugal e aos portugueses
Tal gentileza foi entusiasticamente aplaudida quando a banda estendeu uma toalha de tartán escocês sobre o palco e convidou o público para um pic-nic, extraindo de um cesto bandeiras de Portugal, uma garrafa de vinho do Porto, outra garrafa de cerveja Super Bock e uma bandeja de pastéis de nata. Mark Owen distribuiu pastéis de nata pela assistência e introduziu a música “This is life”, no fim da qual o grupo disse “um brinde a Portugal!”
Seguiram-se os temas “Relight my fire” e “These Days”, após os quais Mark Owen prometeu “havemos de voltar ao vosso país” e Howard Donald gritou “Portugal in the house”. Houve tempo ainda para o público cantar em uníssono o sucesso “Back for good” e o tema “Never forget” e para a banda agradecer, mais uma vez, dizendo “foi um verdadeiro prazer tocar em Portugal”. A estreia dos Take That em solo nacional terminou ao som de “Rule the world”, numa noite de celebração da vida, da música, da maturidade e do ser-se eternamente jovem, mesmo quando a idade e os traços faciais não escondem o passar dos anos. Uma noite que mostrou a estes cinquentões que, mesmo na idade adulta, é possível ser-se surpreendido com um público marcante e com uma recetividade impactante. Tanto assim foi, que as últimas palavras do espetáculo pertenceram a Mark Owen para dizer “Thank you Portugal, you were really amazing, hope to see you son! Nós te amamos! Thank you Portugal!”.
Em português, “simples ser-se feliz”
Embora os britânicos Take That tenham sido os cabeças de cartaz do primeiro dia do Meo Marés Vivas e tenham lotado o recinto, os artistas portugueses que subiram ao palco principal também atraíram milhares de jovens. Os DAMA, repetentes, pela terceira vez, neste festival, abriram o espetáculo a declarar quererem “celebrar a música e a vida” e a dizerem, umas canções mais à frente, que “é muito simples ser-se feliz, mas é difícil ser simples”. Os doze anos de carreira desta que é uma das mais bem sucedidas bandas pop portuguesas foram recordados em êxitos como “Não dá”, “Loucamente” e “Casa”, também se ouviram alguns acordes da serenata de Mozart “Eine Kleine Nachtmusic” e a atuação terminou com o público a fazer coro na canção “Casa”. O vocalista Miguel Cristovinho agradeceu ao público por ouvir música portuguesa, às rádios por tocarem música portuguesa e a todos os que promovem a música portuguesa, dizendo “é por vocês ouvirem música portuguesa que nós estamos aqui”.
Syro também atuou no Palco Meo, estreando-se no Marés Vivas com o álbum “11 11”, o segundo disco da carreira do artista que participou no Festival da Canção.
A noite no antigo parque de campismo da Madalena, em Vila Nova de Gaia, terminou ao som dos D´ZRT. O grupo, que nasceu na série televisiva “Morangos com Açúcar” e que pôs uma geração a cantar sucessos como “Para mim tanto me faz”, “Querer Voltar” e “Verão Azul” regressou aos palcos em 2023, numa digressão que interrompeu a separação da banda em 2008. Nesta noite de celebração, viram-se fotografias do grupo e de Angélico Vieira, o elemento dos D´ZRT que morreu num acidente de automóvel em 2011, foram também projetadas notícias de jornais sobre esta formação e Vítor Fonseca, de nome artístico Cifrão, Paulo Vintém e Edmundo Vieira puseram a plateia a cantar os êxitos do grupo e um cover em versão rock do original de Rod Stewart “I don´t want to talk about it”.
Este sábado, atuam no Meo Marés Vivas Soraia Tavares, Marisa Liz, Rag´n´bone Man, Ben Harper, James Arthur, Pedro Capó e Insert Coin.




Estive lá..
Uma verdadeira loucura. novos e velhos.
Maravilhoso…..
Tenho um chapéu deles. Estava mesmo na frente. Só não consegui a cerveja nem as natas caraças😀