Opinião

Covid-19 – Alerta ou Alarmismo?

Nos últimos dias o assunto de que mais se fala desde os meios de comunicação social às ruas é do novo Coronavírus e dos riscos associados a uma doença provocada por este vírus novo, que não tinha ainda sido identificado antes em seres humanos.
Por vezes a informação para massas, não sendo personalizada, promove uma interpretação coletiva de alarmismo, que leva as pessoas a terem comportamentos desadequados e que podem ter impacto no controlo do problema.
Por exemplo, a procura exagerada de máscaras de proteção, a rutura de stocks nalguns supermercados, indiciam uma crença comunitária de que o problema está numa fase maior do que aquela em que nos encontramos.

Contudo, diferente de alarmismo, é estarmos alerta.

Estar alerta é estar atento às orientações das entidades oficiais, nomeadamente a Direção-Geral de Saúde. Esta entidade, no seu site oficial, tem todas as informações fidedignas sobre a doença e sobre as medidas de controlo da mesma. Basta visitar regularmente o link: https://www.dgs.pt/corona-virus.aspx

Também é importante não recorrer imediatamente aos serviços de saúde (Centros de Saúde ou Hospitais) quando se identificam sintomas que podem indiciar esta doença (Tosse, febre e/ou dificuldade em respirar). Deve sim ligar-se para a linha SNS24 – 808 24 24 24 e ouvir com atenção as orientações dos enfermeiros que, do outro lado da linha, orientam com segurança os cidadãos. Recorrer aos serviços de saúde sem este contacto, pode potenciar riscos de contrair a doença ou de contagiar outras pessoas.

É certo que o vírus, por ser novo, ainda está em estudo e o seu impacto, principalmente nas pessoas de risco (como os idosos, os doentes crónicos ou os imunodeprimidos) pode ser fatal (podendo provocar pneumonia e falência renal e de outros órgãos). Mas na maioria da população saudável os sintomas serão idênticos ao de uma gripe e passarão com controlo sintomático da febre ou da tosse. Se lerem os números com olhos sensatos, verão que muitas pessoas morrem, mas a maioria cura-se!

O problema então, que deve assegurar o alerta, é a facilidade com que se alastra este vírus, podendo chegar a grande parte da população (incluindo então estas pessoas de maior risco). Por isso é importante ter bom-senso. Lavar muito bem as mãos (Um gesto tão simples e o mais importante no combate à transmissão da doença. Principalmente sempre que se assoar, espirrar ou tossir (ainda que devamos sempre fazê-lo para um lenço de papel ou para o cotovelo). Já agora, depois de usado o lenço deve imediatamente ser deitado no lixo!

Devemos lavar as mãos sempre que possível. A higiene das mãos nunca é demais e não podemos controlar tudo o que tocamos, para saber que não terá a presença do vírus. Antes de comer, por exemplo, lave muito bem as mãos… Depois de tocar em mesas ou objetos, devem lavar-se muito bem as mãos (principalmente em locais públicos). Evitar tocar em corrimões ou colocar as mãos nos corrimões das escadas rolantes, por exemplo. Se se tocarem em objetos de contacto comum (por exemplo estes que indiquei, como os corrimões, ou as máquinas nos ginásios) deve salvaguardar que não toca com as mãos nos olhos, nariz ou boca e deve lavar as mãos o melhor possível depois do contacto com os objetos.

– Se for aconselhado a ficar em casa de quarentena, aguarde o período indicado (normalmente 14 dias) sem sair de casa. É um período importante para garantir que não desenvolve a doença caso haja alguma suspeição (por exemplo se esteve num local onde a infeção está alastrada ou em contacto com algum doente identificado). E muita atenção que estar de quarentena não é simplesmente não ir à escola ou trabalhar, é mesmo ficar em casa e não andar pela rua a potenciar riscos de infeção.

– Evitar estar em locais públicos desnecessários. Nesta fase deve evitar-se passear em shoppings, permanecer em espaços fechados com muita gente e ir fazer demasiadas visitas desnecessárias aos supermercados (mas não é preciso esvaziar os stocks pois não estamos em estado de sítio – aliás um sentido de respeito coletivo é deixar os recursos disponíveis para todos e quando for preciso (se é que alguma vez o será) haverá planos adequados de contingência mais extrema.

Mas é importante entender que não estamos em fase de alarmismos… aliás o alarmismo é inimigo das soluções.

Se cada um se informar adequadamente e for informando os outros que o rodeiam adequadamente e se todos tivermos os comportamentos certos, vamos conseguir vencer esta batalha!

Confiemos nos nossos especialistas. Médicos de Saúde Pública e Enfermeiros Especialistas em Enfermagem de Saúde Comunitária e de Saúde Pública estão a desenvolver com muito rigor a gestão deste processo. Cada cidadão deve também fazer a sua parte e exercer o seu papel de agente de saúde pública, como tão bem indica a Direção-Geral de Saúde.
Estar alerta sim. Protegendo cada cidadão a si próprio e aqueles que ama e o rodeiam!

Prof. Doutor Pedro Melo
Professor Auxiliar Convidado no Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa
Enfermeiro Especialista em Enfermagem Comunitária

 

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