Desporto
Batalha das Flores mobiliza milhares e confirma força da Festa das Cruzes em Barcelos
A Batalha das Flores voltou a atrair milhares de pessoas ao centro de Barcelos na tarde desta sexta-feira, assinalando um dos momentos mais emblemáticos da Festa das Cruzes, que decorre até 3 de maio e se afirma como uma das maiores romarias do país.
1 de maio 2026

Xoán Rodrigues, natural da Galiza, deslocou-se com a família para acompanhar a festividade. “É muito bonita e nós, galegos, quase sentimos esta festa como nossa. Os meus pais vinham cá muitas vezes”, afirmou à Agência de Informação Norte, acrescentando que a cidade “tem monumentos muito belos”. A esposa, Adela López, destacou a arte dos tapetes e o cuidado na escolha das cores. “São preciosos”, disse, antecipando que deixará Barcelos “encantada”.
De Braga, Maria Pinho Leite acompanha a iniciativa desde a infância e enquadra-a numa tradição de lançamento de pétalas “já desde o início do século XX”, com origem numa parada agrícola. “Tenho família em Barcelinhos e esta festa sempre fez parte da minha vida”. Segundo explica, a prática remonta aos agricultores, que traziam flores dos campos e associavam “a sua atividade laboral à celebração da primavera”. Aponta ainda a Procissão da Invenção da Santa Cruz, do Senhor da Cruz, como um momento “especial e particular”.
Considerada a primeira grande romaria do país, a Festa das Cruzes arrancou a 30 de abril e prolonga-se até 3 de maio, conjugando dimensão religiosa e programação festiva. O desfile da Batalha das Flores voltou a transformar as principais ruas da cidade num cenário de cor e perfume.
Centenas de cestos com flores colhidas em vários pontos do concelho deram forma a uma “batalha” simbólica entre participantes, que lançaram pétalas a partir de carros alegóricos ao longo das principais artérias. O ambiente reuniu dezenas de milhares de visitantes, incluindo muitos oriundos da Galiza, num dia conhecido localmente como “Dia do Espanhol”.
O ponto de maior intensidade registou-se na Avenida da Liberdade, onde o cortejo se cruza e a troca de pétalas ganha maior expressão. O entrecruzar de flores de diferentes cores cobriu o céu e compôs uma das imagens mais reconhecidas da romaria.
Na edição de 2026, à semelhança de anos anteriores, participaram várias associações locais, reforçando o carácter coletivo de uma iniciativa descrita como uma disputa “sem dor” e “saudável”. A vertente festiva articula-se com a componente religiosa, centrada no culto ao Senhor Bom Jesus da Cruz, incluindo ainda o desfile etnográfico dos grupos folclóricos do concelho.
O ponto alto do programa está marcado para domingo, feriado municipal, com a Procissão da Invenção da Santa Cruz, que reúne as 89 cruzes das paróquias do concelho.
A programação inclui também concertos e animação. Matias Damásio atua a 2 de maio e, no encerramento, sobem ao palco os Quinta do Bill com a Banda Musical de Oliveira. O cartaz integra ainda fogo de artifício diário, o arraial “Bamos às Cruzes”, no Jardim das Barrocas, e a iniciativa “Mini Cruzes”, dirigida ao público mais jovem.
Para responder à elevada afluência, o município disponibiliza parques de estacionamento periféricos, com ligação ao centro através de autocarros TUBA, com frequência de 15 minutos.
Com mais de cinco séculos de história, a Festa das Cruzes remonta, segundo a tradição, a 20 de dezembro de 1504, quando João Pires, sapateiro da então vila, terá observado uma cruz desenhada na terra do Campo do Salvador, atual Campo da República. Classificadas como festas concelhias, as festividades integram, desde 2025, o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. O presidente da Câmara sustenta que constituem “um ícone do Minho” e “uma das grandes festas de tradição, de cultura e de etnografia”.



