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Feira: Benedict Kloeckner e Beatrice Berrut revelam potencial da nova geração de elite

Próximo concerto do FIMUV é este sábado em Santa Maria da Feira

O violoncelista alemão e a pianista suíça têm carreiras individuais em que se afirmaram como expoentes da nova geração europeia de músicos eruditos, mas é em parceria que sobem ao palco do FIMUV para um espetáculo especial, num diálogo a dois entre técnica e sensibilidade. Ambos se reveem também na missão pedagógica do próprio festival: defendem que é preciso transmitir a herança da música clássica às gerações seguintes.
Schumann, Brahms e Cesar Franck compõe o repertório do próximo concerto da 44.ª edição do FIMUV – Festival Internacional de Música de Paços de Brandão, que sábado às 21h30 apresenta no auditório da Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira dois artistas de crescente reputação internacional: o violoncelista alemão Benedict Kloeckner e a pianista suíça Beatrice Berrut. Ambos têm carreiras individuais de cujos currículos constam atuações em salas emblemáticas de vários países, mas no evento português atuarão em duo, protagonizando o recital que se antecipa como um dos momentos altos do festival.
Augusto Trindade, diretor artístico do FIMUV, explica que essa expectativa se deve ao facto de Kloeckner e Berrut serem intérpretes da “máxima excelência” já reconhecidos internacionalmente como expoentes da nova geração de instrumentistas eruditos. “Benedict Kloeckner é um dos mais prestigiados jovens violoncelistas alemães. Foi premiado nos principais concursos do setor, como o Grand Prix Emanuel Feuermann Cello Competition de Berlim e o Manhattan International Music Competition de Nova Iorque, e tem-se apresentado com orquestras como a Royal Philharmonic e a Kremerata Baltica”, explica. “Além disso, é o fundador e atual diretor artístico do Festival Internacional de Música de Koblenz, na Alemanha, e ainda recentemente fez a estreia mundial de duas obras simbólicas: o concerto duplo do compositor contemporâneo Wolfgang Rihm para dois violoncelos e o concerto do coreano Eun-Hwa Cho com a Orquestra de Câmara de Seul, sob a direção de Christoph Poppen”.
Augusto Trindade realça ainda a produção discográfica do jovem Benedict Kloeckner, que, embora nascido apenas em 1989, já gravou vários títulos elogiados tanto pela comunidade musical como pela crítica especializada. Entre esses registos inclui-se: um CD de obras italianas de Roberto Molinelli e Gian Carlos Menotti, com a Kremerata Baltica (pela editora Genuin); um disco com o concerto de Schumann pela Orquestra Filarmónica de Cordas Alemã, sob a direção de Michael Sanderling (pela mesma chancela); um álbum com peças para violoncelo de Rihm, Strauss e Poulenc (também da Geniun); um outro com sonatas de Franck e Chopin para violoncelo e piano, em parceria com a pianista Anna Fedorova; um CD com obras raras de compositores espanhóis (editado pela Hänssler Classic); e outro com a integral para violoncelo e piano do compositor Howard Blake. A sua última gravação de “Über die Linie” de Wolfgang Rihm, em específico, foi lançada em 2020 e pouco depois ganhou o prémio Piccicato Supersonic. Este ano, logo nos primeiros dias de outubro, lançou um novo CD com as Suites para Violoncelo de Bach, pela editora Brilliant Classics.
Quanto a Beatrice Perrut, o direto artístico do FIMUV começa por realçar que essa pianista recebeu a sua formação em Zurique, Berlim e Dublin, tendo-se apresentado “em palcos de referência da China à Argentina”, em recitais ou como solista de orquestras como a Dortmund Philharmoniker, a Philharmonie Südwestfalen, a Orchestra della Svizzera Italiana e a Orchestre National des Pays de la Loire. Augusto Trindade atribui especial significado, contudo, ao momento biográfico que definiu a carreira da artista, era ela ainda uma criança a viver nos Alpes: “Entre os numerosos álbuns colecionados pelos seus pais, ela ouve pela primeira vez o Segundo Concerto para Piano de Brahms e sente um choque emocional. Foi aí que decidiu ser pianista”.
Sentido de missão no palco e fora dele
Para Benedict Kloeckner, que toca num violoncelo do século XVII fabricado por Francesco Rugeri, não é fácil descrever o ambiente próprio das suas atuações com Beatrice Perrut, mas ele tenta: “É fazer música sensível e apaixonada, num diálogo realmente inspirado entre dois artistas independentes”. Se nas suas performances a solo, o músico alemão é o único responsável pelo conceito artístico, a energia e o impacto da interpretação, em duo há assim o desafio da partilha, da compreensão mútua e do estímulo recíproco.
Apoiando a política pedagógica alemã no que se refere à música clássica, Benedict Kloeckner considera a obra dos grandes compositores “uma parte importante da história e identidade cultural” do seu país. “Desenvolvemos muitos projetos educativos com a juventude, para podermos passar esta herança à geração seguinte”, declara.
É por esse cruzamento entre brilhantismo de execução e sentido de missão pedagógico que Augusto Trindade defende que o concerto de Benedict Kloeckner e Beatrice Berrut será um dos pontos-altos do festival promovido pela associação CiRAC, com o apoio da Direção-Geral das Artes e do Município de Santa Maria da Feira, e a parceria da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. “Pela qualidade dos intérpretes e pela escolha do reportório, este recital é imperdível e será certamente memorável”, assegura.
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