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Águas e Energia do Porto testa tecnologia digital para detetar afluências indevidas

A empresa municipal tornou-se a primeira entidade gestora em Portugal a testar um equipamento inovador que identifica, de forma totalmente digital, afluências indevidas na rede de saneamento, permitindo priorizar intervenções e reforçar a eficiência da gestão.

A Águas e Energia do Porto acaba de elevar o padrão da gestão de infraestruturas urbanas com a implementação de uma tecnologia pioneira no país. Com uma sonda que recorre a inteligência artificial e a impulsos elétricos, a empresa conseguiu localizar, com precisão milimétrica, mais de mil anomalias na rede de águas residuais, permitindo um diagnóstico técnico rigoroso até agora impossível de alcançar com os métodos tradicionais.

Ao contrário dos sensores acústicos ou das inspeções visuais por vídeo, que podem deixar escapar fissuras invisíveis a nível ocular, este novo sistema utiliza corrente elétrica de baixa voltagem para encontrar caminhos de saída através das paredes dos coletores.

Enquanto a sonda percorre a tubagem submersa, a corrente elétrica apenas se dissipa quando encontra uma falha no material isolante do tubo. Essa “fuga” é captada por sensores à superfície, permitindo localizar defeitos com uma margem de erro de apenas um centímetro.

Testado em cerca de três quilómetros de rede da cidade do Porto, este projeto-piloto demonstra a eficácia do sistema. Durante os testes foram detetados mais de mil defeitos, entre microfissuras e ruturas estruturais graves, responsáveis por uma afluência indevida de cerca de 80 litros por segundo. Em termos práticos, esta tecnologia permitiu identificar a entrada de mais de 6,8 milhões de litros de afluência indevida por dia na rede de saneamento, um volume que sobrecarrega os sistemas de tratamento.

Um dos principais diferenciais deste processo passa pelo tratamento de dados. A informação recolhida no terreno é enviada diretamente para uma base de dados nos Estados Unidos da América, que com o apoio de algoritmos de inteligência artificial, a variação da corrente elétrica é automaticamente convertida em caudal. “Este diagnóstico em tempo real permite à empresa municipal priorizar as intervenções de reabilitação mais urgentes, otimizar o investimento público e reduzir encargos operacionais”, salienta Catarina Araújo, presidente do Conselho de Administração da Águas e Energia do Porto.

De referir ainda que esta tecnologia foi, até ao momento, apenas testada no Reino Unido, França e Alemanha, o que reforça a posição da Águas e Energia do Porto na vanguarda das smart cities. Este investimento não só fortalece a resiliência da infraestrutura da cidade perante os desafios climáticos, como reafirma o compromisso com a inovação e a prestação de um serviço de águas mais sustentável e seguro para toda a comunidade.

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