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CA Vilar de Mouros: à maneira dos The Sex Pistols

O punk rock continua vivo e com fiéis. Os The Sex Pistols mostraram, na segunda noite do Festival CA Vilar de Mouros como uma banda ícone daquele género musical é capaz de encher um recinto, 50 anos depois da sua formação e mesmo sem dois dos seus elementos carismáticos que deram nome e fama ao grupo.

Comecemos pelo fim… Se “My way” é uma das canções mais populares e mais gravadas da história da música, que já teve inúmeras versões na voz de vários artistas, os The Sex Pistols mostraram, à sua maneira, na segunda noite do Festival CA Vilar de Mouros, que o punk não morreu e que uma balada pode ser transformada num momento rock de arrepiar a pele.

Essa canção, a penúltima da atuação da banda inglesa formada em 1975, foi um dos momentos altos da noite, a juntar a outros êxitos como “God save the queen”.

O grupo cumpriu o propósito de uma noitada de revivalismo, mesmo sem os seus membros fundadores Johnny Rotten e Sid Vicious. O novo vocalista, Frank Carter, embora não sendo o carismático ex-vocalista da banda, Johnny Rotten, convence pela energia, pela empatia e pelo espírito de entrega à performance.

Envergando uma T-Shirt com o slogan “Everything louder than everything”, Frank Carter interagiu com o público, desafiando-o, várias vezes, a mostrar se as pessoas do lado esquerdo da plateia eram mais ruidosas que as do lado direito, desceu ao relvado para cantar no meio da multidão, fez perguntas às pessoas que estavam à sua volta no relvado, assistiu ao mosh que alguns festivaleiros protagonizaram no meio da plateia e mostrou uma energia inesgotável e contagiante.

Antes dos The Sex Pistols, os The Damned, outra lenda do rock inglês, ícone do movimento punk, também deram um espetáculo intenso e vibrante. O concerto destes britânicos terminou com uma nota curiosa: um cão caniche branco em palco, a acompanhar os agradecimentos da banda.

Na noite anterior, igualmente dedicada aos sons de bandas britânicas, os The Stranglers, que se estrearam no Festival de Vilar de Mouros em 1982, proporcionaram momentos de revivalismo, com clássicos como “Always the sun” e “Golden Brown”.

James com recados políticos e sociais

O recinto da primeira noite encheu ainda mais quando os James subiram ao palco. A formação de Tim Booth voltou a mostrar por que é uma banda de culto, com um historial longo de atuações em Portugal e com uma legião de seguidores fiéis.

O grupo de Manchester apresentou um alinhamento em que combinou clássicos com temas novos, numa cumplicidade próxima com o público português.

Antes de cantar “Burning down the house”, Tim Booth dedicou essa canção sobre os incêndios na Califórnia aos portugueses que “estão a ser ameaçados pelos fogos” neste agosto quente. Atento aos temas que marcam a atualidade política, o vocalista referiu-se também à “loucura que se está a passar, neste momento, nos Estados Unidos”.

Pelo meio, o público cantou, pulou e aplaudiu sucessos como “Tomorrow”, “She’s a star”, “Shadow of a giant”, “Born of frustration” e “Sit Down”. Tim Booth repetiu, também, em Vilar de Mouros, o momento de crowd surf que tanto caracteriza as suas performances. E, enquanto cantava “Getting away with it (All messed up)”, desencadeou um mar de centenas de telemóveis no ar a filmá-lo deitado sobre a multidão, a ser transportado por centenas de mãos por onde passou.

As atuações das duas primeiras noites do CA Vilar de Mouros demonstraram que este festival, já com 60 anos de vida, continua a ter uma identidade própria capaz de conciliar o passado com o presente, atraindo novos públicos.

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