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Viagem Medieval: “O Discurso do Rei” com lotação diária no castelo de Santa Maria da Feira

O confronto entre o amor de mãe e filho, o poder e a razão, a dúvida entre o que é e o que pode ser, a contenda dos argumentos e das armas que traçaram o nosso destino. É a base do espetáculo “O Discurso do Rei” que, todas as noites, tem lotação esgotada no castelo de Santa Maria da Feira. Interpretado pelos atores Custódia Gallego e Tiago Aldeia, é um dos espetáculos da Viagem Medieval que mostra como foi esgrimido e construído o destino de Portugal.

Às portas da afirmação de uma nova identidade – o nascimento de Portugal -, um diálogo entre uma mãe e um filho mudou o rumo do, até então, Condado Portucalense. Corria o ano de 1128 e, sob o silêncio da noite, Dona Teresa (filha do rei Afonso VI de Leão e Castela, que foi a segunda e última governante do Condado Portucalense da Casa de Borgonha) e o filho Afonso Henriques (figura central na criação da nação portuguesa, que viria a ser o primeiro rei de Portugal) travam-se em argumentos sobre o destino que queriam para o território.

Visões distintas, ambições ocultas, idealizações opostas sobre o que pretendiam para o Condado Portucalense e apoiantes, quer de um, quer de outro, empenhados em fazer prevalecer a sua visão, fizeram com que essa conversa deixasse de lado os laços umbilicais entre mãe e filho, para dar lugar a uma contenda que deixou a sua marca nas brumas do tempo.

No fim desse diálogo, mãe, de 48 anos, e filho, de apenas 19, confrontaram-se numa batalha, a 24 de junho desse ano de 1128, em São Mamede, às portas de Guimarães. Por sorte, por destino ou por desígnio divino, os portucalenses venceram e a condessa viu-se obrigada a retirar-se para a Galiza, onde acabaria por morrer, dois anos depois. Com essa derrota, morreu também a ideia de um reino único no noroeste da Península, unindo as duas margens do rio Minho. Mas, com a vitória de Afonso, o Condado Portucalense, situado a sul do Minho, também acabou por desaparecer. Em vez dele, nasceu outro reino: o reino de Portugal.

É esta parte da História da nação que conta o espetáculo “O Discurso do Rei”. Interpretada pelos atores Custódia Gallego e Tiago Aldeia, os protagonistas e cabeças de cartaz da trigésima edição da Viagem Medieval em Terra de Santa Maria, que decorre até 9 de agosto, a encenação pode ser vista  no castelo de Santa Maria da Feira, todas as noites, às 23 horas. A entrada é paga e sujeita à lotação do espaço que, todas as noites, tem estado repleto de público.

Esse discurso, forte, emotivo, carregado de emoções, mas sobretudo de razões, é também uma reflexão sobre o que tem mais força – as palavras ou as armas? – e sobre o destino que se escreve entre o que escolhemos e o que nos espera.

Trata-se de um dos 96 espetáculos diários, distribuídos por 18 áreas temáticas que, por estes dias, animam o centro histórico de Santa Maria da Feira e que espelham a honra, a identidade e legado de um território e das suas gentes.

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