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Festival do Bacalhau leva milhares de pessoas à Gafanha da Nazaré
Milhares de pessoas passaram pelo Jardim Oudinot para celebrar uma tradição que continua à mesa e atravessa gerações. Durante cinco dias, o Festival do Bacalhau juntou gastronomia, música e cultura, numa edição marcada pela forte adesão do público.
19 de agosto 2026

O Festival do Bacalhau 2026 encerrou no passado domingo, 16 de agosto, depois de cinco dias de celebração da gastronomia relacionada com a pesca do bacalhau, matriz da cultura marítima e da identidade do Município de Ílhavo e das suas gentes, afirmando-se como o principal acontecimento gastronómico e cultural do município e um dos grandes eventos de verão da região de Aveiro e do país.
Realizado no Jardim Oudinot, na Gafanha da Nazaré, o Festival voltou a colocar o “fiel amigo” no centro de uma programação que conjugou gastronomia, património, música, artesanato, animação e participação da comunidade, reforçando o sentimento de pertença e a ligação das gentes do Município de Ílhavo à história da Faina Maior (pesca do bacalhau) e à cultura marítima que marca a identidade deste território e, igualmente, do país.
A edição deste ano ficou marcada por uma aposta renovada na valorização e qualificação do Festival. Mais do que a preocupação numérica ou estatística de outras edições, mais do que a quantidade, o foco centrou-se na qualidade da oferta e na dimensão das propostas gastronómicas que foram apresentadas.
A nova identidade gráfica, inspirada no nó da pesca do bacalhau e nas vestes e no trabalho das mulheres das antigas secas, procurou alargar o olhar sobre a história do território, valorizando não apenas aqueles que partiam para os mares gelados do Norte, mas também as mulheres e as famílias que permaneciam em terra e asseguravam a continuidade e a coesão da comunidade.
Tratando-se do festival do Bacalhau, a gastronomia foi o grande ponto de encontro do Festival. As dez tendas da restauração, dinamizadas por algumas das associações do município, apresentaram uma ampla diversidade de propostas gastronómicas, de outras formas de saborear e apreciar o bacalhau e os seus derivados, numa operação que contou ainda com a participação de associações ligadas ao Pão de Vale de Ílhavo e com dois bares de apoio ao evento.
Outra das principais novidades de 2026 foi a presença do chef Hélio Loureiro como curador gastronómico do Festival. O conhecido chef português acompanhou e aconselhou as associações responsáveis pelos espaços de restauração, contribuindo para a valorização das ementas, da apresentação dos pratos e das técnicas culinárias utilizadas.
A aposta na gastronomia foi complementada pelos showcookings muito apreciados e presenciados, permitindo aos visitantes conhecer diferentes formas de preparação e novas abordagens a um produto profundamente ligado à história económica, patrimonial, social e cultural de Ílhavo.
Um evento construído pela comunidade
A concretização do Festival do Bacalhau resulta, uma vez mais, do trabalho conjunto do Município de Ílhavo, da Confraria Gastronómica do Bacalhau, das associações, dos artesãos, dos artistas, dos voluntários, dos trabalhadores municipais e de todos os parceiros envolvidos na organização.
Mas é, essencialmente, no trabalho, no esforço e dedicação voluntária, no ‘vestir a camisola’ e na qualidade das propostas gastronómicas, que se pretendem ainda mais apetecíveis, das 14 Associações que são a verdadeira imagem e essência do Festival do Bacalhau que afirma o Município de Ílhavo como a verdadeira Capital portuguesa do Bacalhau.
Tradição e inovação
Outra das novidades da edição de 2026 foi a criação de um novo stand, um espaço dedicado especificamente à identidade marítima do Município de Ílhavo, presente no Pavilhão Âncora, reforçando a dimensão patrimonial e cultural do Festival.
A Mostra de Artesanato voltou também a assumir um papel relevante na programação, reunindo artesãos de Ílhavo e de outras regiões do país e valorizando produtos associados à identidade cultural dos territórios. A edição deste ano procurou, através de critérios de seleção mais exigentes, reforçar a autenticidade, a sustentabilidade, a criatividade e a qualidade técnica da produção artesanal.
O Município convidado de honra foi Miranda do Douro, numa aproximação entre dois territórios geograficamente distintos, mas unidos pela valorização do bacalhau enquanto elemento gastronómico e cultural. A presença de Miranda do Douro trouxe ao Festival do Bacalhau outras expressões da gastronomia e da cultura portuguesa, incluindo a participação dos tradicionais Pauliteiros.
Um Festival para todas as gerações
A programação voltou a estender-se para além da gastronomia.
O Jardim Oudinot recebeu atividades dirigidas às famílias e às crianças, enquanto o Navio-Museu Santo André, símbolo maior da memória ilhavense da pesca do bacalhau, integrou novamente o programa através de visitas, exposições e iniciativas culturais.
A programação incluiu a tradicional “Corrida Mais Louca da Ria”, atividade que alia criatividade, humor e relação com a Ria de Aveiro, e a “Volta ao Cais em Pasteleira”, que recupera memórias e tradições associadas às dinâmicas sociais que a pesca do bacalhau foram enraizando na comunidade.
Também a música voltou a assumir um papel central na programação, com cinco noites de concertos no palco principal (Palco Estibordo), protagonizadas por Quim Barreiros, Carolina Deslandes, Gabriel o Pensador, Delfins e Ricardo Ribeiro, complementadas pelas atuações de outros artistas no Palco Bombordo, como a Luana Torrão, Bruno Pato ou os Dopamine que encerraram algumas das noites quentes do Festival, ou os dj sunset e dj set, Dj Xirk e Dj Karlus.
Ílhavo e a fileira do bacalhau
A cerimónia de abertura contou com a presença do ministro da Agricultura e Mar e assumiu igualmente uma dimensão estratégica.
O presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, Rui Dias, aproveitou a presença do governante para defender um papel mais ativo de Ílhavo na definição da estratégia nacional para o mar e para a economia azul, sublinhando a importância da fileira do bacalhau para o território e para o país.
O autarca destacou ainda a existência, no Município de Ílhavo, de uma cadeia de valor que integra diferentes dimensões da atividade ligada ao bacalhau: dos armadores e do Porto Bacalhoeiro à armazenagem, transformação, distribuição, restauração, turismo e património.
Segundo os dados apresentados pelo presidente da Câmara Municipal na abertura do Festival, estão instaladas no Município 14 empresas diretamente ligadas ao setor, responsáveis pela movimentação de cerca de seis mil toneladas de bacalhau, por aproximadamente 150 milhões de euros de volume de negócios e por mais de 750 postos de trabalho.
Deste modo, mais do que celebrar apenas uma tradição, o Festival afirmou-se como uma oportunidade para projetar para o futuro a relação de Ílhavo com o mar, transformando a memória da Pesca do Bacalhau em conhecimento, cultura, turismo, atividade económica e novas oportunidades.
Um encontro que já faz parte da identidade de Ílhavo
O balanço da edição de 2026 confirma a capacidade do Festival do Bacalhau em juntar tradição e contemporaneidade, gastronomia e cultura, património e entretenimento, comunidade local e visitantes.
Ao longo de cinco dias, o Jardim Oudinot voltou a ser o ponto de encontro em torno de um produto que, para o Município de Ílhavo, é muito mais do que um alimento. É memória. É trabalho. É mar. É identidade. É a comunidade entrelaçada pelos ‘nós’ que a une.
O Festival do Bacalhau 2026 termina, assim, com a certeza de que a história da Pesca do Bacalhau, a longínqua Faina Maior, continua viva e com um desafio para o futuro: valorizar o legado marítimo, qualificá-lo e projetá-lo para novas gerações, afirmando o Município de Ílhavo como a Capital Portuguesa do Bacalhau.
Os números
A edição de 2026 do Festival do Bacalhau recebeu mais de 150 mil visitantes, entre os quais um número significativo de estrangeiros. Ao longo dos cinco dias foram servidas mais de 21 mil refeições, num evento que representou um investimento de 450 mil euros.
A organização mobilizou cerca de 700 pessoas. À equipa da Câmara Municipal de Ílhavo, constituída por 100 funcionários e colaboradores, juntaram-se aproximadamente 600 voluntários e elementos das associações envolvidas no festival.
A gastronomia voltou a ter um peso significativo na programação. Os 14 showcookings reuniram mais de 1200 participantes, enquanto o Pavilhão Âncora e o espaço dedicado ao artesanato receberam 30 mil visitantes. Participaram 30 artesãos, incluindo sete associações. Vinte eram do Município de Ílhavo, seis de outros concelhos e quatro participaram como convidados.
A ligação à tradição marítima fez-se também a bordo. O Navio-Museu Santo André recebeu 3738 visitantes durante o festival. Já a Volta ao Cais em Pasteleira contou com cerca de 300 participantes.
Na Corrida Mais Louca da Ria entraram em competição 17 embarcações, envolvendo 92 participantes, 13 associações e quatro empresas. As atividades lúdicas e desportivas e a programação dedicada ao público infantil reuniram, no conjunto, mais de quatro mil participantes.
Os números mostram um festival que vai muito além da gastronomia. Entre trabalhadores municipais, voluntários, associações, artesãos, agentes económicos, artistas, instituições culturais e público, o Festival do Bacalhau voltou a mobilizar uma comunidade em torno da gastronomia, da memória marítima e da identidade de Ílhavo.
Foto: DR



