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Cortejo de São Bartolomeu leva 700 figurantes às ruas da Foz

O Cortejo de São Bartolomeu regressa este domingo, 30 de agosto, às ruas da Foz do Douro, no Porto, com um número recorde de 700 figurantes. O desfile, inspirado este ano em “Fábulas e Lendas”, percorre cerca de três quilómetros, entre a Rua de Sobreiras e a Praia do Ourigo, onde a tradição volta a cumprir-se com o “banho santo”.

Mais de 30 mil metros de papel crepe, 700 figurantes e cerca de três quilómetros de percurso. O Cortejo de São Bartolomeu volta este domingo, 30 de agosto, a encher de cor as ruas da Foz do Douro, no Porto, numa edição marcada por um número recorde de participantes e pelo recente reconhecimento da tradição como Património Cultural Imaterial.

“Fábulas e Lendas” é o tema escolhido para este ano. “O Canto da Sereia”, o “Capuchinho Vermelho”, personagens dos contos dos Irmãos Grimm, “Pedro e o Lobo”, “A Festa das Rosas” e “Beleza, Ciúme e Amizade”, uma adaptação livre inspirada nos jardins do Palácio de Cristal, vão ganhar forma através dos trajes e acessórios criados para o desfile.

Por detrás do cortejo estão vários meses de trabalho. Associações, coletividades, escolas, artesãos, costureiras e voluntários envolvem-se na preparação das peças, recuperando técnicas e conhecimentos transmitidos entre gerações.

Só os blocos da União das Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde e das escolas produzem 771 elementos. São 323 peças de vestuário e 448 acessórios. Na preparação desta edição são utilizados mais de 30 mil metros de papel crepe.

O desfile começa às 10h30, na Rua das Sobreiras, e segue ao longo de cerca de três quilómetros até à Praia do Ourigo. A chegada está prevista para as 13h00, com o tradicional “banho santo” a encerrar o cortejo.

Esta é a primeira edição realizada depois da integração do Cortejo dos Trajes de Papel de São Bartolomeu no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. O reconhecimento valoriza uma tradição mantida pela comunidade ao longo de gerações e reforça a importância da sua salvaguarda.

“A inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial é uma distinção de todos aqueles que, geração após geração, mantêm viva esta tradição. Este é um trabalho voluntário e coletivo que envolve toda a comunidade e que nos coloca agora um passo mais perto da candidatura conjunta à UNESCO com Mollerussa e Amposta, reforçando a importância de preservar e valorizar este património”, afirma Cláudia Bravo, presidente da União das Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde.

Entre as presenças confirmadas estão o presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, o presidente da Câmara Municipal de Mollerussa, Marc Solsona, a conselheira para os Direitos Sociais e Cidadania e para as Políticas de Emprego e Negócios da Câmara Municipal de Amposta, Núria Ferrer, e a diretora da candidatura à UNESCO, Carme Polo.

A ligação à Catalunha também vai desfilar este domingo pelas ruas da Foz do Douro. Mollerussa e Amposta, parceiras no processo de candidatura conjunta dos trajes de papel a Património Cultural Imaterial da UNESCO, estão representadas no Cortejo de São Bartolomeu através de cinco vestidos de papel provenientes dos seus acervos.

A presença das duas cidades catalãs reforça a dimensão internacional desta edição e dá continuidade à ligação estabelecida no âmbito da candidatura à UNESCO.

O Cortejo parte da Rua das Sobreiras, segue pelo Passeio Alegre e pela Rua Senhora da Luz até à Esplanada do Castelo, em frente ao Hotel Boa Vista. A passagem dos grupos pela tribuna está prevista para as 12h30.

Ao longo do percurso, haverá atuações dos “Pauliteiros de Nevogilde”, da Batucada Radical e da Banda Marcial da Foz do Douro. Os grupos atuam também junto à tribuna, juntamente com a Associação Musical AMASING.

O desfile prossegue depois até à Praia do Ourigo, onde, pelas 13h00, terá lugar o tradicional “banho santo”.

A história da Romaria de São Bartolomeu recua ao século XIX. A tradição está associada à crença de que, a 24 de agosto, São Bartolomeu encarnava nas águas e o Diabo andava à solta. Os fiéis mergulhavam no mar em busca de proteção contra males de pele, gaguez ou efeitos demoníacos, levando à Foz um elevado número de crentes à procura do chamado banho milagroso.

A tradição dos trajes de papel surgiu mais tarde, na década de 1930, associada à “Festa do Banheiro” e atribuída ao antigo embarcadiço “Costa Padeiro”. O primeiro Cortejo de Trajes de Papel realizado no dia de São Bartolomeu aconteceu em 1952.

A partir de 1963, Joaquim Picarote, um “bairrista da Foz”, deu novo fôlego ao Cortejo. Em 1979/1980, a organização passou para a Junta de Freguesia e, depois da união das freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, em 2013, foi criado o Atelier de São Bartolomeu.

Ao longo das décadas, o Cortejo dos Trajes de Papel adquiriu um carácter identitário para a comunidade local, assente na valorização do trabalho manual e na transmissão da tradição. A preparação prolonga-se durante meses e passa pela transformação minuciosa do papel crepe em trajes coloridos.

Foto: DR

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