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35 países competem no Festival Eurovisão 2026

São 35 os países que competem no Festival Eurovisão 2026. O número mais baixo de países participantes em 23 anos.

O Festival Eurovisão da Canção 2026 contará com a participação de 35 países, anunciou esta manhã a EBU/UER (União Europeia de Radiodifusão). O concurso, que terá lugar em Viena, na Áustria, regista assim o número mais baixo de participantes desde a introdução das semifinais, no início do século XXI. O cenário resulta do boicote anunciado nos últimos dias por cinco estações de televisão europeias, numa decisão que poderá configurar a maior crise da Eurovisão em décadas, precisamente no ano em que o festival celebra o seu 70.º aniversário.

Estão confirmados no concurso os seguintes países, através das respetivas televisões públicas: Albânia, Alemanha, Arménia, Austrália, Áustria, Azerbaijão, Bélgica, Bulgária, Chéquia, Chipre, Croácia, Dinamarca, Estónia, Finlândia, França, Geórgia, Grécia, Israel, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Moldávia, Montenegro, Noruega, Polónia, Portugal, Reino Unido, Roménia, São Marino, Sérvia, Suécia, Suíça e Ucrânia. Regista-se o regresso da Bulgária, Roménia e Moldávia, após três, dois e um anos de ausência, respetivamente.

A primeira semifinal está marcada para 12 de maio, com 15 canções em competição, seguindo-se a segunda semifinal a 14 de maio, igualmente com 15 participantes. Tal como anunciado anteriormente, os júris nacionais voltam a votar nas semifinais, algo que não acontecia desde 2022. A votação dos jurados será somada à do público para apurar as 10 canções qualificadas em cada semifinal. As 20 finalistas juntar-se-ão, na grande final de 16 de maio, à canção anfitriã da Áustria e às propostas dos países automaticamente apurados: França, Alemanha, Itália e Reino Unido.

A última vez que a Eurovisão contou com um número tão reduzido de participantes foi em 2003, quando competiram apenas 26 países, numa altura em que o formato ainda não incluía semifinais. Desde 2004, o concurso tem oscilado entre 36 e 43 países, atingindo o máximo em 2008, 2011 e 2018.

 Boicote de 5 países à Eurovisão 2026

Cinco países europeus — Espanha, Países Baixos, Irlanda, Eslovénia e Islândia — confirmaram oficialmente o boicote ao Festival Eurovisão da Canção 2026, recusando-se a participar no evento. O protesto surge na sequência da decisão da EBU/UER de manter Israel em competição, apesar da guerra em Gaza e das críticas internacionais à atuação israelita no conflito. O impacto do boicote é particularmente significativo no caso de Espanha, membro dos chamados Big Five, e da Irlanda, país com mais vitórias na história do concurso, além da Islândia, tradicionalmente um dos países com maior quota de audiência televisiva.

As emissoras e governos envolvidos justificam a decisão com a convicção de que a presença de Israel é incompatível com os valores humanitários e de paz que a Eurovisão afirma defender. A EBU optou por não excluir Israel nem submeter a sua permanência a votação, contrariando expectativas criadas anteriormente, e anunciou apenas alterações ao sistema de votação com o objetivo de reforçar a neutralidade do concurso. Para os países que boicotam, essas medidas foram consideradas insuficientes.

Polémica chegou ao Festival RTP da Canção

A controvérsia estendeu-se a Portugal e chegou de forma clara ao Festival RTP da Canção 2026, na sequência da decisão da RTP de manter a participação portuguesa na Eurovisão, apesar da presença de Israel. Aproveitando uma alteração regulamentar que, pela primeira vez, não obriga o vencedor a representar Portugal no concurso internacional, 17 concorrentes, entre autores e intérpretes, divulgaram uma declaração pública afirmando que recusarão representar Portugal caso vençam, em protesto contra a participação israelita.

A polémica alastrou também ao interior da RTP e ao debate público. Salvador Sobral, vencedor da Eurovisão em 2017, criticou a posição da estação pública, e representantes dos trabalhadores da RTP aprovaram moções que apelam a uma reavaliação da decisão, defendendo que a manutenção de Israel no concurso legitima ações que consideram contrárias aos direitos humanos.

Texto: N. Costa

Imagem: UER/EBU

 

 

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