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Presépio artesanal com figuras em movimento anima o centro de Ovar
Motores reaproveitados de pequenos electrodomésticos dão movimento a dezenas de figuras que integram um presépio artesanal exposto numa loja junto ao Tribunal de Ovar. O autor, José Maria Costa, adaptou o número de peças ao espaço disponível, numa mostra aberta ao público até ao Dia de Reis.
17 de dezembro 2025

A tarde estava fria. À entrada da loja, José Maria Costa, de casaco de lã e boné, recebia quem passava para ver o seu trabalho. O espaço, cedido por um amigo, acolhe um presépio composto por dezenas de peças, muitas delas animadas por mecanismos construídos a partir de pequenos motores reaproveitados.
O autor admite não saber quantas figuras integram o presépio deste ano, nem quantas já criou desde que se reformou. “Tive que adaptar ao espaço que aqui tenho. Não é muito grande, mas é um espaço”, afirmou à Agência de Informação Norte, sublinhando que, sem essa adaptação, poderia não ter onde expor o trabalho.
Aos 72 anos, José Costa mantém uma produção artística centrada na recriação de memórias e tradições locais. Conhecido em Ovar como o filho do saudoso Costinha, figura incontornável do Carnaval vareiro, desenvolveu ao longo dos anos presépios estáticos e mecanizados, cenários urbanos e representações de práticas identitárias como as procissões e a arte xávega.
O trabalho não se limita à arte religiosa. Nos últimos tempos, tem-se dedicado também à construção de miniaturas de casas em xisto, algumas já integradas na exposição. “Agora estou a construir miniaturas de casas em xisto e algumas fazem já parte da exposição que tenho aqui”, explicou, acrescentando que os visitantes, sobretudo adultos, o questionam frequentemente sobre a origem das ideias e dos materiais utilizados.
Ligado durante décadas ao comércio do aço e ao Carnaval, José Costa passou grande parte da vida afastado das artes tradicionais, apesar da influência do pai, que lhe transmitiu técnicas de montagem de peças e adereços usados nos presépios. Após a entrada na reforma e ainda antes da morte do pai, em 2015, começou a dedicar-se à recuperação de materiais, inicialmente “a título de brincadeira”.
Recorda um conselho do pai que afirma ter-se cumprido, sobre a forma como o trabalho criativo se prolonga para além do tempo de execução e ocupa o pensamento, admitindo que nem sempre é um processo contínuo e que há períodos em que a imaginação escasseia.



