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O Festival da Comida Continente parou para ouvir Sara Correia
A fadista estreou-se num dos maiores festivais de entrada livre do país, no Porto, com um concerto marcado pela intensidade da interpretação, momentos de forte emoção e um público que acompanhou grande parte da atuação em silêncio.
13 de julho 2026

Nos primeiros minutos do concerto de Sara Correia no Festival da Comida Continente, o silêncio e os aplausos alternaram-se em frente ao palco principal. Na estreia no festival, a fadista mostrou desde cedo porque é uma das vozes mais marcantes da música portuguesa da atualidade. Mesmo perante milhares de pessoas, o fado manteve-se fiel às suas raízes, assente na emoção, na palavra e na força da interpretação.
Ainda antes de subir ao palco, o ambiente junto ao recinto já era de expectativa. As conversas iam baixando de tom e os olhares concentravam-se no palco principal. Os primeiros acordes da guitarra portuguesa bastaram para prender a atenção do público, que acompanhou grande parte da atuação em silêncio, interrompido apenas pelos aplausos no final de cada tema.
“É bom saber que o fado cabe dentro de um festival”, afirmou Sara Correia, numa frase que acabou por resumir o concerto e a forma como o público recebeu a sua estreia no Festival da Comida Continente.
Em palco, a voz da fadista impôs-se pela potência e pela clareza, chegando aos milhares de pessoas espalhadas pelo recinto. Entre canções, ouviu-se por diversas vezes o tradicional “Ah, fadista!”, enquanto a artista alternava entre momentos de grande intensidade e outros de absoluto recolhimento.
Um dos momentos mais fortes da tarde surgiu com a interpretação de um tema sobre violência doméstica. Dedicou-a “a todas as mulheres” e deixou uma mensagem que fez o recinto mergulhar no silêncio. “Não quero calar o silêncio. Quero avançar com ele. Uma mulher são mil mulheres que se erguem, que se juntam”, afirmou, antes de interpretar o tema.
A emoção voltou a tomar conta do recinto durante “Balada do Outono”, de José Afonso. Sozinha, acompanhada apenas por uma guitarra portuguesa, Sara Correia cantou no palco central, rodeada por milhares de pessoas que respeitaram cada silêncio da interpretação. Durante largos instantes, ouviu-se apenas a voz da fadista e a guitarra portuguesa.
Outro dos momentos mais marcantes aconteceu em “Respirar”. As milhares de pessoas que encheram o recinto acompanharam Sara Correia em coro, num dos pontos altos do concerto.
Quando deixou o palco, ficou a confirmação de que o fado também consegue parar um dos maiores festivais de entrada livre do país. Durante mais de uma hora, Sara Correia trouxe para o centro de um recinto com milhares de pessoas a intimidade, o silêncio e a força que fazem do fado um género único.



