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North Festival arrancou a meio gás, com Snow Patrol a salvarem a noite

A primeira noite do North Festival teve pouco público, um facto a que os próprios artistas não foram indiferentes, ora gracejando, ora tentando puxar pela audiência. Da acalmia do Cante Alentejano, à energia do rock à moda do Porto e à playlist de sucessos made in inglês, os Snow Patrol puseram os fãs a cantar em uníssono.

A noite poderia ter sido estrelada, como sugeria a imagem de fundo da música “You could be happy”, dos Snow Patrol, mas o Estádio Municipal da Maia nem sequer ficou com metade da lotação preenchida. Além disso, o vocalista ressentiu-se da sua própria desafinação em, pelo menos, três canções. E se, nas duas primeiras, Gary Lightbody gracejou, gargalhou e seguiu em frente, quando interpretou, já perto do fim do concerto, “What If This Is All The Love You Ever Get”, não consegui disfarçar a frustração por não atingir as notas pretendidas e, em dois momentos, praguejou “Fuck”, enquanto cantava esse tema.

Apesar disso, e não tendo sido uma noite de estrelato perfeito, a banda escocesa não desiludiu os fãs que aguardaram por ouvir todos os sucessos. “Run”, o primeiro êxito do grupo, “Chasing Cars”, “What If This Is All The Love You Ever Get” e “Just Say Yes” (a música que terminou o concerto) fizeram parte de um alinhamento que alternou hits antigos com músicas novas.

Gary Lightbody cativou o público, puxando pela audiência para cantar com ele, agradeceu a quem acompanha o grupo há mais de trinta anos, manifestou-se feliz por regressar ao Norte de Portugal, dois anos depois da última atuação nesta região, e despediu-se da audiência dizendo-lhe para ser feliz.

Antes do concerto dos Snow Patrol, responsáveis pelo encerramento do primeiro dia do festival, atuaram os veteranos Ornatos Violeta, uma das bandas mais populares e emblemáticas do rock português. Acompanhada por elementos da Orquestra Sinfónica da Casa da Música, a formação de Manuel Cruz apresentou os principais temas que tornaram o grupo conhecido enriquecidos pela sonoridade de violinos e do violoncelo daquela Orquestra. Já depois de ter cantado o célebre “Ouvi Dizer” e antes do hit “Capitão Romance”, o próprio vocalista dos Ornatos Violeta brincou com a escassez de público dizendo: “tocar para uma arena vazia é uma evidência, mas é uma alegria”. E terminou o concerto antes da hora prevista, apontando problemas técnicos.

Também alegre e bem disposto, coube a Luís Trigacheiro estrear o palco principal, na primeira noite de North Festival. Exibindo a sua mestria em revitalizar o tradicional Cante Alentejano, fundindo-o com a música popular portuguesa, o cantor fez-se acompanhar pelos ÁTOA, uma banda pop-rock portuguesa, natural de Évora. A imagem, no fundo do palco, de um quadro-moldura com uma seara em tons dourados e laranja, trouxe à Maia o calor humano das paisagens alentejanas, num registo intimista e familiar, de um cantor que não se cansou de elogiar o público nortenho, dizendo que “é o melhor do mundo”. E, quando Luís Trigacheiro e os ÁTOA cantaram “Ritinha”, Trigacheiro fez questão de dizer, em jeito de homenagem à plateia desta região, que é uma canção “inspirada numa mulher do Norte”.

A abertura de portas, às 16h00, dera o pontapé de saída para mais uma edição do North Festival. Às primeiras horas, com o recinto perfeitamente esvaziado, três bandas portuguesas – os Menta, Davidays e Filhos da Pátria – atuaram num dos dois palcos da Cidade Desportiva da Maia. O estádio começou a ganhar expressão, com o passar das horas e com a chegada, ao anoitecer, de público de diferentes gerações. Entre fãs de rock, apreciadores de música indie, nostálgicos e amantes da pop, o recinto compôs-se para o arranque de três dias dedicados à música.

A mudança do North Festival para a Cidade Desportiva da Maia foi encarada pela organização como uma oportunidade para melhorar as condições oferecidas ao público. Antes do início do evento, Jorge Veloso, diretor da Vibes & Beats, promotora do festival, explicou à Agência de Informação Norte que o recinto permite dispor de “outras condições que, noutros anos, não tínhamos”, apontando as acessibilidades como uma das principais vantagens. “Termos o metro à porta, o aeroporto a meia dúzia de quilómetros e a rede de autoestradas junto ao recinto é muito importante”, afirmou.

Catarina Trindade, uma festivaleira que se deslocou ao novo recinto do North Festival, vinda de Espinho, diz não ter sentido “qualquer dificuldade em estacionar”, apesar de ter dado algumas voltas de carro, em redor do recinto, o que considera “normal atendendo à quantidade de pessoas que se deslocam para estes eventos”.

O North Festival prossegue este sábado, com Liniker, The Waterboys e Europe no palco principal. No domingo, os cabeças de cartaz são os The Cure e a lotação está esgotada para o dia de encerramento.

 

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