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Morreu Luís Represas aos 69 anos
Luís Represas morreu esta quarta-feira, dia 22, aos 69 anos, vítima de doença prolongada. O cantor e compositor, que este ano assinalava 50 anos de carreira, deixa um percurso incontornável na música portuguesa, primeiro com os Trovante e, mais tarde, a solo.
22 de julho 2026

Foi em 1976 que iniciou o percurso musical como vocalista dos Trovante, banda que viria a marcar a música portuguesa com temas como Perdidamente, Saudade e 125 Azul. Após a separação do grupo, em 1992, construiu uma carreira a solo com canções como Feiticeira, Da Próxima Vez e Ao Canto da Noite.
Em entrevista à Agência de Informação Norte, em 2019, quando assinalava 43 anos de carreira, o músico recordava a importância dos Trovante no seu percurso. “O Trovante, mais do que uma banda que se realizou plenamente nos seus 16 anos de trabalho, foi uma escola que a todos os seus elementos marcou de uma forma indelével, e que faz parte da minha história, não só como músico, mas também como Homem. Uma referência constante”, afirmou.
Na mesma entrevista, ao recordar a estreia da banda na Festa do Avante, em setembro de 1976, respondia de forma simples quando questionado sobre esse momento: “Ainda bem que lá fomos e não desistimos.”
Em 2025, os Trovante regressaram aos palcos para concertos em Lisboa e no Porto. Para assinalar os 50 anos de carreira, Luís Represas tinha também espetáculos previstos nos coliseus das duas cidades.
Ao longo do seu percurso trabalhou com músicos portugueses e estrangeiros, entre os quais Fausto Bordalo Dias, José Afonso, Carlos do Carmo, Bernardo Sassetti, Pablo Milanés, Ivan Lins, Martinho da Vila, Simone, Jorge Palma, Phil Collins, Compay Segundo, Gilberto Gil e Carlinhos Brown.
O envolvimento na causa timorense levou-o a acompanhar o então Presidente da República, Jorge Sampaio, numa visita oficial a Timor-Leste. Mais tarde recebeu a Medalha da Ordem de Timor-Leste, atribuída pelo Presidente Taur Matan Ruak.
Em 2005 foi distinguido pelo Estado português com a Ordem de Mérito, no grau de Comendador. Publicou, em 2010, o livro infantil A coragem de Tição, integrado no Plano Nacional de Leitura. Nove anos depois recebeu o Prémio Pedro Osório, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores, pelo álbum Boa Hora.
Também à Agência de Informação Norte, Luís Represas confessava que, apesar das décadas de carreira, nunca perdeu o nervosismo antes de subir ao palco. “No dia em que não ficar ansioso é porque a magia se apagou”, dizia.
Além da música, apresentava o programa televisivo Língua Mãe e mantinha uma agenda regular de concertos.
Foto: DR



