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Famalicão: Espetáculo ainda em embrião “Herói é o Meu Nome” nasce a 25 de novembro
Criatividade vive período Fértil em Famalicão. Espetáculo nasce a 25 de novembro.
23 de fevereiro 2024

É teatro, é seguramente música e também é performance, mas a matéria inspiradora é toda ela feita de poesia. Partindo destas linguagens e substâncias matriciais para a criação artística, a Fértil Cultural montou um espetáculo-homenagem à figura de Mário de Cesariny (de Vasconcelos), em pleno período em que se comemoram cem anos do nascimento do poeta, que foi também artista plástico, e um dos maiores símbolos do denominado surrealismo português.
Se quisermos sintetizar o conceito, melhor, também ‘o concerto’, da obra a apresentar no Auditório da Fundação Cupertino de Miranda, no próximo sábado, dia 25 de novembro, pelas 17h30, (no âmbito do programa comemorativo do centenário do nascimento do poeta) a companhia deixa bem vincada a intenção subjacente à proposta artística que quer oferecer ao público: “Herói é o Meu Nome é uma apropriação da sua vida e obra e a sua transformação num ato performativo multidisciplinar que cruza a poesia, a música, a manipulação de objetos, sombras e muito mais.” E para reforçar essa definição criativa em jeito de complemento, a equipa complementa: “Talvez uma colagem, talvez um cadavre exquis. Acima de tudo é um ato de homenagem a um artista que nunca deve ser esquecido.”
Foi a partir do tópico da memória como contraponto ao esquecimento que os elementos da Fértil Cultural partiram na demanda de elementos documentais da obra de Mário de Cesariny e encetaram assim uma investigação feita análise cuidada ao vasto acervo do poeta e artista plástico que a Fundação Cupertino de Miranda/Centro de Estudos do Surrealismo possui enquanto fiel depositária da obra e da biblioteca pessoal do autor. O auxílio desta entidade revelou-se fulcral para o projeto no domínio do acompanhamento artístico e científico do mesmo. E esta interação resultou assim numa dimensão de parceria para o espetáculo entre as duas entidades: a Fértil Cultural e a Fundação Cupertino de Miranda/Centro de Estudos do Surrealismo.
No decurso desta busca, assimilação e sistematização dos respetivos elementos documentais e banhados pelo estímulo de referências à vida e obra de Cesariny, passou-se então à fase de incorporação criativa e ao labor interpretativo: definidas as ideias, a aposta conceptual recaiu ‘em ferramentas e matérias’ como a poesia, manipulação de objetos, música ao vivo e movimento/dança.
Bem ao jeito de desvendar um pouco o véu, o que público vai poder ver em palco, para além dos intérpretes – Neusa Fangueiro (canto/declamação/manipulação de objetos), Rui Leitão (guitarra), César Cardoso (baixo) e Paulo Capela (bateria) -, são elementos cenográficos e adereços múltiplos como quadros, molduras, bonecos, candeeiros e abajures, manequins desmembrados, gavetas soltas, chapéus e/ou chaleiras numa combinação bizarra a fazer jus, a compor uma atmosfera que ajude, sem qualquer pretensiosismo, o espetador a entrar num universo surrealista através desta decoração de interiores. Sim, verá desfilar poemas como “You are Welcome to Elsinore” em versão cantada. Música, para lá da poesia, é coisa que não falta neste “Herói é o Meu Nome”, quase se pode dizer que o espetáculo também é um puzzle musical, e já agora poético, cujas peças encaixam [tavez] de forma surreal.
Recorde-se que a Fundação Cupertino de Miranda (FCM) é detentora de grande parte do acervo pessoal de Mário Cesariny. Constituído por mais de duas centenas de obras de arte, objetos de sua casa, e pelo seu arquivo e biblioteca pessoal, no qual se encontram mais de quatro mil fotografias, cadernos, correspondência, livros intervencionados e vários registos manuscritos em simples papéis.
Foto: DR



