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Festival Imaginarius regressa a Santa Maria da Feira com mais liberdade que nunca

O Imaginarius - Festival Internacional de Teatro de Rua volta a animar as ruas de Santa Maria da Feira, de 23 a 26 de maio, com o tema "Liberdade que sucede ao sonho" e com uma “programação ousada, provocatória e democrática”. 41 espetáculos vão celebrar uma das maiores conquistas do mundo em democracia. Esta edição terá 33 estreias nacionais. A icónica companhia francesa Générik Vapeur regressa com a estreia em Portugal da megaprodução "Waterlitz" e vão estrear também três projetos desenvolvidos pelas comunidades feirenses.

A liberdade como conceito. A liberdade como valor. A liberdade como criação. A liberdade como libertação (artística e criativa). A liberdade de Abril e do hoje. É em torno dela – da liberdade – e do tema “Liberdade que sucede ao sonho” que gravita a 23ª edição do Imaginarius – Festival Internacional de Teatro de Rua, evento que vai animar o centro histórico de Santa Maria da Feira, entre 23 e 26 de maio e terá 33 estreias nacionais.

Neste ano em que se assinalam, em Portugal, os cinquenta anos de democracia, o Imaginarius celebra a mais libertadora de todas as conquistas: a liberdade individual e coletiva, artística e criativa, cultural e religiosa, de pensamento e expressão, de movimento e circulação, de identidade e de género. A liberdade ameaçada, questionada, escrutinada, amordaçada ou simplesmente aniquilada em tantas latitudes do mundo. A liberdade que urge preservar, fortalecer, resgatar ou conquistar. Porque, como sublinha o Presidente da Câmara de Santa Maria da Feira, Amadeu Albergaria, “esta é uma terra de operários que decidiram fazer da cultura o motor do seu desenvolvimento e esta é a maior homenagem que podemos fazer aos cinquenta anos do 25 de Abril”.

Todas as formas de liberdade são, por isso, terreno fértil para 41 espetáculos e instalações que, ao longo de quatro dias, se distribuem por quinze palcos. São 41 as companhias de teatro de rua e 190 os artistas de doze países (Alemanha, Bélgica, Chile, Espanha, França, Itália, Irlanda, México, Países Baixos, Portugal, Reino Unido, Estados Unidos da América) que vão produzir, encenar e interpretar 130 horas de conteúdos.

Grande formato “Waterlitz” em estreia

Sendo o Imaginarius “a história de uma cidade que se transformou num palco real de artistas, de agentes culturais, de envolvimento da população e da comunidade e de regeneração urbana”, como descreve o autarca feirense, o evento vai encher ruas e praças com 144 apresentações. Entre elas, estão 33 estreias nacionais, três estreias absolutas, três criações do próprio Imaginarius e duas instalações de arte pública, distribuídos por quinze palcos. A premissa base de toda a programação é, de acordo com o Vereador da Cultura, Gil Ferreira, “a liberdade no acesso à cultura, como condição para uma existência plena” e “a liberdade como oportunidade de cruzar a nossa memória com os tempos que vivemos”.

Nesse sentido, uma dessas estreias em Portugal será a megaprodução “Waterlitz”, da autoria da clássica e icónica companhia francesa de teatro de rua Générik Vapeur, que marcou presença na primeira e na terceira edições do Imaginarius (em 2001 e 2003). O espetáculo, diz Telma Luís, responsável pela Gestão de Projeto do Imaginarius, “remete para as ditaduras, para a liberdade do avesso”, para a privação da liberdade, tantas vezes enjaulada em contentores onde seres humanos em fuga arriscam uma travessia, ou claramente associada aos rostos de ditadores mundiais. Trata-se de um espetáculo multidisciplinar, que combina música, pirotecnia, balé aéreo e projeção de imagens, com mensagens impactantes que reclamam reflexão. O cenário impactante deste espetáculo é composto por “oito contentores empilhados, a 18 metros de altura, com bailarinos aéreos, um carro suspenso e um Titanic no meio”, descreve a gestora.

Outro grande formato será “Blu Infinito”, uma performance multidisciplinar da companhia italiana Evolution Dance Theater. Trata-se de “um mergulho nas profundezas do oceano”, de uma viagem ao fundo do mar, com bailarinos, ginastas, ilusionistas e contorcionistas, que cruzam arte, ciência e tecnologia.

Os três projetos com marca própria e com a participação das comunidades do território feirense que estreiam na edição deste ano do Imaginarius são a criação original “De femme à FEMMES”, da franco americana Léa Dant; a criação “Poetic Roads: Beyond Borders”, da companhia italiana Rusty Brass Band, que venceu o concurso Mais Imaginarius em 2023 e que nesta edição vai integrar músicos das quatro bandas filarmónicas do concelho e bailarinos do território; e a performance “Party City Pate Maria da Feira”, da companhia espanhola Invalid Adress, que vai trabalhar com alguns dos inscritos no programa de voluntariado “Imaginarius Participa”. São produções que espelham a distinção do Imaginarius em relação aos demais festivais já que, explica o Vereador da Cultura Gil Ferreira, “o que diferencia a marca do Imaginarius é o conteúdo e as relações que estabelecemos com as comunidades que participam nas residências artísticas e nos projetos artísticos”.

De resto, o Imaginarius mantém a mistura de tradição com inovação e mantém-se fiel ao clássico teatro de rua, clown, circo e performance, mas alarga a oferta de programação no domínio das media arts, apresentando propostas de projetos experimentais, dança, música, circo contemporâneo e instalações com realidade virtual e videomapping. Neste domínio, é exemplo “Peaceful Places”, um “projeto de realidade virtual que nos convida a um abraço através de óculos de realidade virtual”, antecipa Telma Luís.

Mais palcos, programação reforçada e sem cancelamento

Os 41 espetáculos a apresentar (mais seis do que em 2023) levaram a organização a alargar o espaço do recinto, havendo, este ano, 15 palcos Imaginarius: Bombeiros, largo do Tribunal, Biblioteca Municipal, Arquivo Municipal, Igreja da Misericórdia, Igreja Matriz, Praça Gaspar Moreira, Rua dos Descobrimentos, Rua Dr. Roberto Alves, Jardins do Orfeão, Casa do Moinho, Rossio, Claustro do Convento dos Lóios, Praça da República e Cineteatro António Lamoso.

E se as ruas, praças e jardins do centro histórico da cidade permitem a mistura de públicos e a partilha ao ar livre, a abertura do festival a novas linguagens artísticas leva também a programação a espaços fechados ou recatados, permitindo explorar e potenciar novas abordagens ao circo, novos media e experiências sensoriais. Nesta edição, há propostas diferenciadoras, ousadas e intimistas para descobrir, por exemplo,  no interior e nos jardins da Biblioteca Municipal, no Cineteatro António Lamoso, na praça do Arquivo Municipal e numa tenda de circo montada em frente à eira do Orfeão. No fundo, uma panóplia de espaços convencionais e espaços não convencionais” que mostram a “diversidade do evento e a diversidade de disciplinas”.

A distribuição dos espetáculos por espaços fechados enquadra-se, ainda, na estratégia da organização, que se compromete a não haver cancelamento integral da programação diária, mesmo que surja chuva forte e persistente, já que as apresentações serão feitas em espaços fechados. As propostas calendarizadas estão distribuídas para acautelar um mínimo de programação indoor, nomeadamente na tenda de circo em frente ao Orfeão, no Cineteatro António Lamoso e na Biblioteca Municipal.

Um dos exemplos dessa “programação impermeável à chuva”, como lhe chama Telma Luís, é “Polack!”, a ter lugar na Biblioteca Municipal. Inspirado na obra de Sydney Pollock, o artista vai “criar uma tela gigante com o seu próprio corpo, espichando tinta por todo o lado”, o que pressupõe que “o público que for assistir terá de vestir um fato”, para não ficar salpicado de tinta, e “poderá ser convidado a participar na performance”.

De resto, para proporcionar às famílias uma maior oferta, a programação de domingo é reforçada, sendo dez os espetáculos disponíveis ao longo da manhã, tanto ao ar livre como em espaços fechados (Biblioteca, Tribunal, Cineteatro António Lamoso e Casa do Moinho). Este alargamento da programação à manhã de domingo permite ao público selecionar os espetáculos que não conseguir ver nas tardes e noites dos três dias anteriores.

O Imaginarius volta a disponibilizar ferramentas de apoio à acessibilidade, garantindo condições para a fruição plena da programação a todos os públicos, incluindo lugares de visibilidade preferencial, programa acessível e espetáculos com interpretação em LGP, empréstimo de cadeiras de rodas e WC adaptados.

Programação ousada, provocatória e democrática

A autarquia de Santa Maria da Feira investiu quinhentos mil euros nesta edição do festival, um formato transformador, que é uma referência na promoção das Artes de Rua em Portugal e que mantém um lugar cativo no circuito de festivais internacionais congéneres.

De acordo com o vereador Gil Ferreira, o Imaginarius deste ano “consolida uma programação ousada, provocatória, criativa e, sobretudo, democrática”. Considerando que a programação “decorre de um exercício de democracia, de pessoas diversas, de uma equipa, de artistas e de gestores culturais”, o que se pretende proporcionar ao público é um menu artístico feito de “diversidade, equilíbrio e intencionalidade” em torno do “sonho, da liberdade e do progresso”.

 

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