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Guimarães: Pinheiro e Ceias Nicolinas juntaram milhares num regresso marcado pelo convívio e pela tradição

A Noite do Pinheiro reuniu no sábado milhares de participantes, num regresso que confirmou a força das Ceias Nicolinas e de um cortejo que mantém, século após século, a mesma estrutura simbólica.

As “Ceias Nicolinas” voltaram a antecipar, no sábado à noite, o emblemático cortejo do Pinheiro, numa jornada que reuniu antigos e novos estudantes, famílias e vimaranenses regressados de vários pontos do Mundo para participar no ritual que marca o arranque das festividades nicolinas. A realização do cortejo ficou concluída ontem, sábado, confirmando o peso simbólico desta noite na memória coletiva da cidade.

As ceias têm origem direta nos encontros anuais dos Irmãos de São Nicolau – membros da Irmandade de S. Nicolau – que, desde o século XIX, se reuniam no dia da festa religiosa para conviver, avaliar o trabalho desenvolvido e planear o ano seguinte. A partir desse hábito consolidou-se um modelo de jantar alargado a grupos de antigos estudantes, que se reencontram apenas uma vez por ano para, juntos, retomarem o percurso pelas ruas da cidade.

O menu mantém-se fiel ao receituário tradicional – caldo verde com tora, papas de sarrabulho, rojões de porco com batatas, tripas com grelos e castanhas assadas, sempre acompanhados por vinho verde da região. Muitos participantes realçaram que este é “um dia muito especial”, marcado pelo regresso de vimaranenses que vivem no estrangeiro e que fazem coincidir a vinda à terra com a Noite do Pinheiro.

O cortejo arrancou por volta das 23h15 nas Cancelas da Veiga, seguindo depois pela Rua Joaquim de Meira, Avenida General Humberto Delgado e Rua Serpa Pinto, antes de passar pela Praça da Mumadona e descer pela Avenida Alberto Sampaio. O percurso terminou na Praça D. Domingos da Silva Gonçalves, junto ao Monumento ao Nicolino.

A tradição mantém intacta a estrutura que remonta ao início do século XIX. O pinheiro segue ornamentado com lanternas e um festão verde e branco, pousado em carros puxados por juntas de bois. À frente, avança a figura da deusa Minerva – interpretada por um homem com traje de soldado romano – e, no comando do cortejo, o Chefe de Bombos, responsável por marcar o ritmo e conduzir a marcha. Atrás dele alinham estudantes de várias gerações, que rufam caixas e bombos ao toque característico desta noite.

Concluído o cortejo, centenas de jovens deslocaram-se para a Alameda Abel Salazar, em frente ao antigo Liceu Nacional de Guimarães, onde permaneceram a rufar até ao amanhecer – um hábito recente, mas já incorporado no ritual da Noite do Pinheiro, que continua a afirmar-se como um dos momentos mais identitários das Nicolinas.

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