Destaque
Qualidade marca Feira de Antiguidades de Guimarães e atrai mais de 6000 visitantes
Durante três dias, a Feira de Antiguidades de Guimarães reuniu 212 expositores, atraiu mais de 6000 visitantes e confirmou dinâmica de negócio num certame marcado pela qualidade e por um público exigente. A organização avança em setembro para o Europarque, em Santa Maria da Feira, com nova edição.
29 de março 2026
“Esta é uma das melhores feiras de velharias e antiguidades. Vem gente interessada de muitos pontos do país”, atira, sem hesitar, Marizela Silva, que gere um armazém em Grijó, Vila Nova de Gaia.
O certame, que decorreu no Multiusos de Guimarães, apresentou mobiliário, arte sacra, pintura, porcelanas, livros, discos, objetos de coleção, placas antigas dos CTT com o cavalo alado, máquinas de “flippers”, telefones pretos de disco, máquinas de escrever, câmaras fotográficas de película e candeeiros a petróleo. Um acervo diversificado que permite evocar vivências de outros tempos e dar a conhecer essas realidades às gerações mais novas.
“Quem vem a estas feiras sabe o que procura. Não é como nos mercados de rua, onde as pessoas estão de passagem”, observa a comerciante, apontando para uma procura mais informada e exigente. “São um bom encontro para arranjar novos clientes. Nos primeiros dias consegui dois bons clientes que ficaram com grande parte do que trouxe”.
A diferença face às feiras de rua é, diz, evidente. “Aqui consigo trazer peças de grande qualidade, o que não acontece na rua”. Durante os três dias, quem passou pelo seu espaço encontrou uma oferta entre um euro e cerca de quatro mil euros. Presente semanalmente na feira de Espinho, adapta a oferta. “Lá tenho de ajustar o que levo, com produtos mais em conta”. Destaca ainda o peso do digital. “As redes sociais funcionam muito bem para o negócio”.
Paulo Seixas vende antiguidades há décadas, atividade que herdou da família, e aponta estes certames como centrais para o negócio. “Estas feiras são importantes para divulgar os produtos que tenho, dar-me a conhecer e conquistar novos clientes”, afirma, sublinhando também a possibilidade de adquirir novas peças.
O antiquário distingue estes eventos das feiras de rua pelo perfil do público. “Aqui consigo mostrar a qualidade do que tenho, coisa que não levo para a rua”. “O cliente que vem aqui é diferente. É mais exigente, sabe o que quer e sabe que encontra aqui esse produto”.
Por isso, aposta em peças de maior valor, como arte sacra, mobiliário religioso, talha dourada, pinturas e porcelanas. Entre os objetos expostos, destaca uma arca de grandes dimensões. “Pensei duas vezes antes de a trazer, mas foi a primeira peça que vendi logo no primeiro dia”.
Com espaços físicos em Bragança e Ponte de Lima, e presença regular em feiras internacionais, assume a atividade como vocação. “É uma paixão antiga. Não me vejo a fazer outra coisa, porque ao vender também faço parte da história”.
Antonio Rodríguez, de 58 anos, veio da Galiza e regressa após a edição do ano passado, apontando melhorias. “Há mais oferta de qualidade. Vejo antiguidades e não velharias. É importante separar essas duas coisas. Compro e vendo produto bem”. Assume-se como um curioso habitual destas feiras em Portugal e na Europa. “Espaços como estes permitem fazem bons negócios”.
Europarque recebe nova edição em setembro
José Pereira garante que a organização procura elevar a qualidade de edição para edição. “Seja melhor”, sintetiza o diretor executivo da Associação Promotora de Eventos (APE), sublinhando um princípio de base. “Para nós os expositores são todos iguais. Uns pagam mais porque têm mais espaço, outros pagam menos porque têm menos espaço. Temos expositores que fazem as feiras todas, temos outros que fazem uma ou duas, temos outros que fazem uma”.
A próxima aposta já está definida. Em setembro, a APE regressa ao Europarque, em Santa Maria da Feira, para a segunda edição do certame no concelho. “Já lá estivemos o ano passado, correu bem mas queremos que este ano ainda seja melhor”.
A qualidade da oferta é, insiste, o eixo central da organização. “Queremos que o público venha e possa sair satisfeito e que não olhe para esta feira como aquelas que se realizam nas ruas ou feiras. Não. São totalmente diferentes. Temos aqui por exemplo expositores com muita qualidade, basta olhar meia dúzia de peças que estão aí que nós ficamos maravilhados”.



