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Vídeo: O voto ao mártir S. Sebastião cumpre-se amanhã, em Santa Maria da Feira

Todos os anos, no dia 20 de Janeiro, milhares de pessoas concentram-se na cidade de Santa Maria da Feira, para poderem assistir à tradicional procissão das Fogaceiras, que se realiza amanhã. Uma festa com 514 anos cujas origens continuam ainda a ser desconhecida por muita gente.
A tradicional festa tem todos os anos como ponto alto a procissão, onde cerca de 360 meninas vestidas e calçadas de branco desfilam pelo centro histórico, com a fogaça à cabeça, cumprindo o voto prometido a São Sebastião, como proteção contra a peste.Esta festividade não procura novidades, segundo Emídio Sousa, presidente do município feirense, reconhecendo que “as Fogaceiras são a festa mais tradicional de Portugal” e, nesse sentido, “queremos manter a tradição, cumprindo o voto feito”. O autarca salienta também que o grande objetivo “passa também por honrar a história e a tradição da nossa região”. A Agência de Informação Norte foi conhecer um pouco mais desta festividade e conta-lhe pormenores, que nem sempre se escrevem, sobre esta festividade.

Até hoje, muitas coisas mudaram, mas a festa continua a ser rija, todos os anos, no dia 20 de Janeiro. Tudo começou com uma promessa do povo de Santa Maria da Feira ao Mártir S. Sebastião, porque a situação generalizada de miséria e fome atingia estas terras, bem como todo o país. Assim, por entre promessas e bruxarias, com uma boa dose de cristianismo e paganismo à mistura, o povo começava a desesperar. E nessa aflição, a população feirense uniu-se e jurou o cumprimento coletivo de tal promessa. Como o prometido é devido, a Casa da Feira, uma das mais antigas deste Portugal, não teria outra opção senão ajudar a cumprir este desígnio. Foi o que fez. E é precisamente aqui que entram as fogaças. A oferenda a S. Sebastião tomou a figura de um bolo, a fogaça, que era transportada pelas raparigas honestas e pobres da vila. A procissão saía da Casa dos Condes, dirigindo-se para o Convento da Congregação do Espírito Santo, onde a fogaça era oferecida ao Santo e sempre com a esperança que a situação deplorável em que viviam viesse a melhorar.
De 1700 até 1749 a tradição ainda se manteve. Mas, depois, nesse último ano, a devoção afrouxou e só quatro anos mais tarde é que se vieram a retomar as celebrações, devido a uma onda de epidemias. Dizia a superstição que o Santo não tinha perdoado o esquecimento do povo da região e decidiu castigá-lo. O certo é que, a partir daí, a Festa das Fogaceiras nunca mais foi esquecida. E com uma nova particularidade. A câmara, depois de ter pedido autorização ao Infante D. Pedro, dispensou a verba para a grande festa e, até 1910, encarregou-se da sua organização, assumindo, de uma forma geral, os contornos que tem hoje.

As meninas das fogaceiras

As fogaças eram transportadas por crianças vestidas de branco, com uma faixa colorida na cintura, até ao Convento, que é hoje a Igreja Matriz. Lá eram benzidas numa missa solene. As autoridades civis e religiosas acompanhavam a procissão, bem como as tunas e os ranchos folclóricos das freguesias. A bandeira do município era uma das presenças obrigatórias no cortejo. No fim, as fogaças eram enviadas aos reclusos, às pessoas pobres e às mais respeitadas no concelho.
Mas mais um sobressalto veio assombrar a Festa das Fogaceiras. Com a Revolução Republicana, em 1910, a câmara foi obrigada a não pactuar com a festa, por causa da separação que se verificou entre a Igreja e o Estado. Uma atitude que não valeu de nada, porque as gentes das Terras de Santa Maria estavam dispostas a não mais deixar morrer a tradição. Para isso, elegeu anualmente uma comissão destinada a angariação de fundos. Essa comissão viria a desaparecer quando, em 1939, a organização da festa voltou novamente às mãos da câmara, sob a proposta do seu presidente Roberto Vaz de Oliveira.

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