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Semana Santa da Feira mobiliza 300 participantes entre fé, cultura e tradição

Cerca de 300 participantes integram a programação da Semana Santa de Santa Maria da Feira, que até 12 de abril leva celebrações religiosas, música e iniciativas culturais a vários espaços do concelho.

A Semana Santa de Santa Maria da Feira já está em curso e prolonga-se até 12 de abril, com um programa que articula propostas litúrgicas com atividades culturais e gastronómicas. As iniciativas distribuem-se por diferentes espaços do concelho, numa edição que assume a figura da Mater Dolorosa como eixo central.

A escolha temática evoca a dor, a compaixão e a resistência, numa leitura que cruza espiritualidade, criação artística e património imaterial. Entre as novidades, destaca-se a conferência “Apregoar as Almas”, dedicada à recuperação de uma tradição quaresmal de Caldas de São Jorge e à análise de práticas semelhantes noutros territórios.

A programação musical inclui obras de Jacob de Haan, Alessandro Scarlatti e Mozart, interpretadas por formações locais e convidados. O programa integra ainda exposições temáticas, recriações históricas, peregrinações e propostas gastronómicas associadas aos sabores tradicionais da época.

No plano religioso, mantêm-se momentos emblemáticos como a Procissão dos Passos, a Procissão das Endoenças, a Via Sacra, a Vigília Pascal e a Visita Pascal, iniciativas que continuam a mobilizar a comunidade local.

Daniel Nunes da Mota, coordenador da Semana Santa de Santa Maria da Feira, sublinha a centralidade da Mater Dolorosa no percurso quaresmal. “Contemplar os Mistérios da Paixão de Cristo é contemplar também a face amorosa de Maria. No tempo quaresmal e Semana Santa de Santa Maria da Feira de 2026 a Mãe Dolorosa, esse coração ferido pelos pecados da Humanidade, será o elemento congregador do longo caminho de preparação para a Páscoa interna de cada um e para a Páscoa do Cordeiro Imolado”.

O responsável evoca ainda a dimensão profética associada à figura de Maria, remetendo para o episódio bíblico do Velho Simeão. “Uma longa e Fria espada de dor atravessará o Teu peito” (Lucas 2, 35).

Num olhar sobre a atualidade, destaca a pertinência simbólica desta figura. “Maria é a Mulher do SIM. Nos tempos que vivemos, onde nascem conflitos com mais rapidez do que se geram concórdias; onde se vencem discussões não pela razoabilidade da argumentação, mas sim pela violência… precisamos de redescobrir a Mulher que apenas disse “SIM” aos insondáveis desígnios de Deus, nunca duvidando”, enfatiza o responsavel.

O presidente da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, Amadeu Soares Albergaria, enquadra a iniciativa como um dos momentos mais marcantes da vivência coletiva do concelho. “Não apenas pela riqueza do seu programa religioso, cultural e artístico, mas sobretudo pela capacidade que tem de mobilizar a comunidade, de convocar a memória, a fé e a identidade de um território que se reconhece na profundidade do Mistério Pascal”.

Em 2026, o autarca destaca o significado da escolha da figura de Maria como elemento central da programação. “Ao colocar no centro da reflexão a Senhora das Dores, esta edição da Semana Santa convida-nos a olhar o Mistério Pascal a partir de uma perspetiva profundamente humana. Maria representa todas as mães que sofrem, todos os corações feridos pela perda, pela injustiça, pela violência e pela incompreensão”.

O presidente acrescenta que o concelho assume este período como um tempo de valorização do património e de reforço do sentido comunitário. “Santa Maria da Feira assume, assim, a Semana Santa como um tempo privilegiado de valorização do seu património material e imaterial, mas também como um momento de afirmação da comunidade enquanto espaço de partilha e pertença. A forte participação das instituições religiosas, culturais e associativas, bem como o envolvimento dos artistas, investigadores e voluntários, “demonstra a vitalidade de um projeto coletivo construído com dedicação e sentido de missão”.

Concertos, recriações e tradições marcam programação alargada da Semana Santa na Feira

A 20 de março, às 20h30, decorre um showcooking sobre o pão de trigo barbela, na Igreja da Misericórdia, conduzido pelo chef Daniel Brandão.

No dia 21 de março, às 21h30, a Igreja Matriz recebe a interpretação do Requiem de Mozart, pela Orquestra Sinfónica de Jovens de Santa Maria da Feira e pelo Coro da Sé do Porto.

Entre 28 de março e 4 de abril, o Mercado Municipal acolhe o Mercado de Páscoa, com produtos tradicionais, artesanato e atividades para o público. No dia 28 de março, às 16h00, realiza-se também uma visita guiada à Igreja Matriz e ao Convento dos Lóios.

A 29 de março, às 15h30, tem lugar a recriação da Entrada Triunfal de Jesus em Jerusalém, com percurso entre o Convento dos Lóios e a Igreja dos Passionistas.

No dia 31 de março, às 20h30, a Biblioteca Municipal recebe o showcooking “Cabrito Desconstruído”, orientado pelo chef Rui Valente.

A 1 de abril, às 21h30, decorre a recriação da Última Ceia, Getsémani e Sinédrio, entre o Castelo e o Convento dos Lóios.

No dia 2 de abril, às 21h30, realiza-se a Procissão das Endoenças, entre a Igreja da Misericórdia e a Igreja Matriz.

A 3 de abril, às 21h30, decorre a recriação da Via Sacra, desde o Palácio da Justiça até ao Castelo.

No plano litúrgico, a 18 de fevereiro assinala-se o início da Quaresma com a Eucaristia e imposição das cinzas nas igrejas Matriz e dos Passionistas. A 8 de março, às 15h00, realiza-se a Procissão dos Passos em Rio Meão, e a 22 de março a mesma celebração decorre em Paços de Brandão.

No dia 4 de abril, tem lugar a Vigília Pascal nas igrejas Matriz e dos Passionistas. A 5 de abril realiza-se a Visita Pascal ao longo do dia pelas ruas da cidade, que se prolonga também a 6 de abril, data em que se celebra igualmente a Eucaristia da Oitava de Páscoa.

A 11 de abril, celebram-se as eucaristias do Domingo da Divina Misericórdia em várias igrejas do concelho.

 

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